quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Cachoeira do Ourucuri

Levantar antes das seis horas, botar a mochila nas costas e cair na estrada. Eis uma atividade que tem atraído um público cada vez mais heterogênio. O ecoturismo tem se legitimado como um importante nicho de mercado, uns faturam, outros se divertem... Mas, como diz Camilo Diniz, “o Capital sempre terá que tirar alguma vantagem”, como não tenho nada contra o capital, pago e vou!
http://2.bp.blogspot.com/-XymfljZfkUo/Uhba87Q9TyI/AAAAAAAAAYU/sMEwg0EDqI8/s200/SAM_1610.JPGNeste fim de semana fomos conhecer a Cachoeira do Ourucuri, na cidade de Pilões, na Paraíba. A caminhada não é grande e nem é muito irregular, o que proporciona um passeio acessível a pessoas de todas as idades. Lógico, em alguns trechos é aconselhável que se use o apoio de uma corda, mas, os mais treinados conseguirão subir sem a mesma.
A vista é linda! Para coroar nosso passeio, estava chovendo. A chuva torna a paisagem das cidades do Brejo ainda mais atraente. É uma delícia olhar para cima das altas montanhas e ver a névoa cobrindo seus topos. No caminho, encontramos vários pés de urucum, certamente o nome da cachoeira é um derivado.
http://1.bp.blogspot.com/-wOhUcFk8lzM/Uhba9JtsnBI/AAAAAAAAAYc/yPS_eXs9bic/s200/SAM_1652.JPGNa proporção em que nos aproximávamos da cachoeira, pessoas – vindo no sentido contrário – passavam por nós com cara de satisfeitos, mas isso não nos provocava ânsia de chegar. Queríamos degustar cada passo, cada subida ou decida.

Por fim, chegamos! As margens da cachoeira são compostas por uma areia que lembra a praia. As chuvas deixaram a vazão de água no ponto certo e todos nós, nos esbaldamos com a visão e as sensações que uma cachoeira provocam. Enfim, aguardo as próximas trilhas e recomendo esta.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sobre Identidade e o Quadradinho de Oito

Dias corridos têm me mantido longe do blog. Do Congresso da UNE à matrícula como aluno especial - em uma disciplina do Mestrado em Ciências Sociais -, um dia, falo sobre essas coisas com mais calma. Estou hoje por aqui, movido por uma conversa com certo radialista de Campina Grande.
A conversa girava em torno da denuncia do Conselho Tutelar, agora investigada pelo MP, contra o Bonde das Maravilhas [aquele conjunto do Quadradinho de Oito que, agora, lançou o Quadradinho de Borboleta]. Segundo a 1ª Promotoria da Infância e Juventude de Niterói, há violação do Estatuto da Criança e do Adolescente [artigos 17 e 18]. As coreografias, conforme a tese, teriam cunho pornográfico.
O empresário do Bonde já fala em lançar músicas para atingir o público infantil e afirma que as denuncias são de “pessoas incomodadas com o sucesso das meninas”.
Grupos de cults-fakes [nos quais me incluo] têm tecido duas críticas ao conjunto, mas pensávamos hoje a tarde: As meninas não vieram de Marte, são – antes – o resultado de anos de exploração da sensualidade feminina como forma de brasilidade. 
A grande questão é que, como tudo hoje anda tão banalizado, está se tornando cada vez mais difícil chamar atenção, o que tem feito com que alguns a levem os atributos, os quais se pretende evidenciar, ao extremo.
Discutir a dança do Quadradinho de Oito é, antes de qualquer coisa, debater sobre identidade cultural. Este tipo de dança causa identificação em parte da população que, com as pernas para o alto e remexendo o bumbum, sentem-se partes de um todo complexo chamado Brasil.
Enfim, queixemo-nos não somente do Bonde das Maravilhas, mas de toda uma carga ideológica machista, à qual demos nossa contribuição, que gera este tipo de comportamento. Como todo fenômeno desta natureza é formado por: inicio, apogeu e declínio – para logo ser substituído por outro – calculem a “marmota” que deve estar por vir.