quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ariano cumpriu sua sentença...

"Morre o homem, nasce o mito", costumam dizer quando morre uma pessoa de sucesso. Mas, no caso de Ariano Suassuna, o mito nasceu muito antes do homem morrer. Vítima da beligerância do Golpe de 1930, teve seu pai assassinado muito cedo e refugiou-se - com a sua família - no interior paraibano, para se proteger do Regimen, mudando-se - em seguida - para Recife aonde dá prosseguimento aos estudos e inicia a carreira artística...
Muitos lembrarão do Ariano Suassuna do Auto da Compadecida [os mais metidos falarão da Pedra do Reino], alguns - ainda - lembrarão suas aulas-espetáculo que reuniam multidões de diferentes faixas de idade, de sua passagem pela Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco... Mas, o maior de todos o legados de Suassuna, atingirá às massas - apenas - agora, com a sua morte.
Lembro de ter visto jornalistas se deliciarem com as "respostas malcriadas" do tipo: "A arte norte-americana é uma arte de segunda classe". Mas vi pouquíssimos abordarem o Movimento Armorial que representa uma das mais autênticas manifestações artístico-indenitárias do Nordeste. O movimento era uma espécie de representação erudita da arte popular, esta antítese se manifestava através da pintura, da música, da literatura, da cerâmica, da dança, da escultura, da tapeçaria, da arquitetura, do teatro, da gravura e do cinema; todos inspirados na Literatura de Cordel, na Xilogravura - enfim - na nordestinidade.
Que este legado, ainda intangível, seja objeto de estudo e de promoção da identidade nordestina como, certamente, iria querer o mestre.
Como disse o meu amigo Tito: "Nosso Senhor bem que poderia mandá-lo de volta, como fez com João Grilo". Mas, talvez fosse pedir demais, talvez homens como Ariano Suassuna não sejam deste mundo, talvez o mestre tenha nos visitado para tornar a vida cá embaixo menos cinza, para -  quem sabe - fazer com que nosso povo tão sofrido sentisse orgulho de si mesmo...
Enfim, Ariano vai encontrar-se com Augusto dos Anjos e José Américo de Almeida deixando saudades, mas com a missão cumprida ou,  como disse o próprio escritor: Ariano 'cumpriu sua sentença... Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre'...

terça-feira, 15 de julho de 2014

Pelo direito de saber...

Passada a copa do mundo, todo o lixo varrido para baixo do tapete vem a tona e os noticiários começam a ressuscitar cadáveres já putrefatos. Um destes mortos está sendo ressuscitado no Congresso Nacional [e, curiosamente, mantido debaixo do tapete por alguns]. O PL nº 4.148/08 - que voltou a tramitação com um novo corpo - refere-se a não obrigatoriedade de rotulagem de alimentos transgênicos com uma identificação de tal característica.
Trocando em miúdos, perderíamos o direito de saber o que estamos comendo [o que fere - em mais de um inciso - o artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor]. Não tenho sequer coragem para comentar o que levaria um parlamentar a cogitar este tipo de lei, mas é de se pensar que seria algo menor do que o interesse público e maior do que o ardil totalitário [que de tão óbvio, me abstenho de mais divagações].
O problema é ainda maior quando pensamos, acima da lei mencionada, no princípio que é ferido. Afinal de contas, qualquer lei que não seja pensada para atender ao interesse público já nasce divorciada do valores democráticos e republicanos e qualquer interesse que fira tal princípio é indigno de compor o nosso sistema de leis, dito tão avançado.
O corpo novo não consegue disfarçar o sorriso draconiano deste verme e certamente alguns dirão que é inofensivo [ah, haverão sim alguns], mas; em uma República não cabem segredos, ou - então -  precisaríamos reconhecer que o tempo do arbítrio ainda nos governa tal qual nos anos de ferro que mancharam de sangue e luto a nossa história.
Acho válida a campanha do IDEC [Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor] que pede um envio em massa de mensagens aos deputados para, através da pressão popular, devolvermos este Frankenstein ao mundo dos mortos, antes ele do que nós.
 

sábado, 12 de julho de 2014

Inês

Ao longe, ela olhava para o cais
a procura do rosto que, um dia,
indiferente ao pranto que vertia,
embarcou para não voltar jamais!

Ele navega com sede voraz
de mares, tempestades, ventanias...
E ela, em claro, em sua cama fria,
sente que, aos poucos, su'esperança jaz

Então, a uma certa hora do dia
a ausência dele mais forte doía
e um riso amargo esfaqueava Inês

E ela, com seu corpo quase morto,
corria, louca, em direção ao porto
dizendo: "ele chega desta vez"

terça-feira, 8 de julho de 2014

Sobre a derrota e esperanças infantes

Passada a raiva e o momento zoeira, é claro que ficamos frustrados... Ser eliminado em casa [e por sete a um... Sério? Sete? Sério? Sete?] é algo difícil de digerir, mas a beleza do esporte reside na possibilidade de contrariar o que a mídia nos faz acreditar. Assistimos - ao longo da copa - seleções de pouca expressão superando campeões mundiais, vimos torcedores de diferentes línguas e etnias se confraternizando e observamos - enfim - que somos capazes de realizar grandes eventos na República Tupiniquim [e que a Copa não foi comprada].
Mas perdemos [na verdade - fomos enxovalhados]! Nestas ocasiões, sempre lembro de um menino interiorano e sem perspectivas de nada que - no caminho que fazia a pé pra a escola - parava a cada estabelecimento para assistir as lutas de Carlos Honorato [nos jogos de 2000]. Cada vitória, era como se fosse sua, como se a briga de Honorato - no tatame - fosse uma metonímia de suas lutas diárias...
Milhões destes meninos, aguardavam o tão sonhado pentacampeonato Brasil a fora... Torciam, gritavam e choravam por algo que nada acrescentaria ao seu patrimônio pessoal; porém que lhes fazia não pensar neste ou - ao menos por um instante - achar que seria possível vencer às suas batalhas.
A copa passará, mas que esses meninos cresçam e aprendam - também - que é na derrota que somos forjados e que é na frustração que somos preparados para o triunfos. Que eles sejam seus próprios Neymares, Júlios César e Fredes [não, Fredes não] e - acima de tudo - aprendam as coisas incríveis que é possível se alicerçar com os escombros  da catástrofe.
Outras copas virão [esta nem acabou ainda] e esses mesmos meninos, quem sabe homens, mesmo com esta experiência tão amarga; estarão acreditando e torcendo outra vez [e renovando as suas esperanças]... Que, até lá, estes sejam campeões na vida, pois este triunfo - ninguém pode usurpar!

terça-feira, 1 de julho de 2014

A ladygaguização cotidiana

A Copa do Mundo se encaminha para o final, mas ladygaguização cotidiana não. Esta é quase uma constante em nossa Ilha de Vera Cruz. Carnavalizar eventos festivos faz todo o sentido, sobretudo eventos como a Copa aonde pessoas de todos os cantos do país e do mundo buscam viver, intensamente, momentos que dificilmente se repetirão outra vez [não com os atuais atores em vida]. Passado o mundial, assistiremos à carnavalização das eleições. Nela, as discursões e reflexões sobre propostas de governo e modelos de gestão ganham um caráter de micareta, as "torcidas" são quase tão apaixonadas quanto as da Copa [ou até mais] e - em nome de uma virtude que seu ídolo supostamente tenha - acaba achando que todos o seus defeitos são justificáveis; vibram, ouvindo frases que nem sempre têm sentido...
E minha fala não é um mero elitismo, afinal as paixões não fazem distinção de classe social ou nível de instrução. Ao longo dos meus trinta anos [putz] já assisti a pessoas muito mais instruídas que eu defendendo causas e bandeiras indefensáveis [e de forma gratuita]. "Compre alguém" - dizia um professor - "e este alguém estará com você até aparecer uma oferta mais lucrativa; mas se você ganhar o coração, a pessoa lhe será fiel de graça e ainda lhe ajudará conquistar outros apoios".
O engraçado é que no outro extremo estão os apolíticos, que acham os demais "uma horda de ignorantes", mas, mesmo assim, deixam que eles decidam o futuro da cidade, do estado e do país. Eu não sou dos mais inteligentes, mas me recuso a deixar decisões que afetem a minha vida nas mãos de quem não considero preparado. "Os partidos políticos não me representam", brada o militante. Ora, se nós somos tão bons e os partidos tão ruins, que nos filiemos e mudemos os partidos [juro que falo sobre isto m outro post].
Nunca fui contra a realização de grandes eventos no país [nem eu, nem ninguém de bom senso], nem contra o divertimento coletivo, o que preocupa é esta nossa mania de transformar tudo em um grande espetáculo e, ironicamente, entregarmos o papel de protagonista a quem menos achamos ter condições de exercê-lo. Enfim, compremos cerveja e aguardemos o carnaval, digo, as eleições.

domingo, 15 de junho de 2014

Chegou a hora dessa gente bronzeada...

A abertura da Copa me deixou com um gostinho de quero mais [e eu não sou chato], assim como todos os estrangeiros; acostumados com as imagens das alegorias do carnaval carioca, da Festa do Boi de Parintins e das festas juninas nordestinas; eu esperava mais [fica a expectativa para os Jogos Olímpicos de 2016]. Mas a Cerimônia esteve longe de ser um desastre; ao contrário, contemplou alguns elementos da chamada brasilidade que tornaram o espetáculo bonito e respeitável.
A pátria de chuteiras, como a reputou Nelson Rodrigues, está em festa. E, aonde chegam, os estrangeiros se deslumbram com as belezas naturais, com o carinho dos brasileiros e com determinados complexos urbanos [aonde alguns achavam só existir florestas ou morros]. Claro, alguns transtornos fazem parte da rotina daqueles que nos visitam, mas - longe de ser uma idiossincrasia nossa - tais falhas de execução podem ocorrer e qualquer país [que aprendamos com elas para melhor atende-los em 2016].
Até aqui, os jogos têm sido emocionantes. Sou suspeito para falar sobre partidas, afinal, sou apaixonado pelas equipes africanas e, por razões bem especiais, tenho olhado com carinho para as partidas da equipe colombiana de anos para cá [ansioso para assistir Costa do Marfim vs Colômbia]. Quanto à seleção canarinho, acompanho sem a paixão de 1994; mas, empolgado com o meu conterrâneo Hulk, temos torcido muito e aproveitado a oportunidade para juntar a família.
Esse Brasil "de Caboclo, Mãe-Preta e Pai João" é lindo; só nos falta - ainda - uma representação a altura; porém tenho convicção de que ainda verei o Estado funcionando de forma gerencial, com respeito a esta gente tão boa que forma o mosaico étnico tão bem representado pelas nossas Cidades-Sede. 
Mesmo com as polêmicas, legítimas, envolvendo a realização do Mundial; torço por um legado positivo quanto à infraestrutura, mobilidade urbana e - principalmente - no que se refere à autoestima do povo brasileiro. Que a nossa gente [dos morros, da amazônia, dos aglomerados urbanos, do nordeste, do cerrado...] perceba que - unida - é capaz de realizar grandes coisas. Que tenhamos, sim, a consciência de nossas limitações [para a nossa própria evolução], mas que nunca mais olhemos para às grandes potências mundiais com o sentimento de "sonho em - um dia  - chegar ai", antes, com a convicção de que "o caminho é árduo, mas os brazucas estão chegando".

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Nem Compadre Washington Escapou: Tu, tu, tu, pá!


Desde novembro último, o blog andava abandonado... Não quero dizer com isso que retomarei as atividades com a freqüência de antes, mas certos acontecimentos não podem ficar sem registro. Na manhã de hoje fui surpreendido com a notícia de que o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) considerou desrespeitosa a utilização do termo “ordinária” na propaganda do Bom Negócio. Não vou mencionar outros casos do CONAR para não fugir do foco do post, mas anotem e cobrem.
Conversava, agora a noite, com um funcionário do Jornal do Café que proferiu a máxima: “Antes éramos cerceados, em nossa liberdade de expressão, pelos militares; hoje quem o faz é a própria sociedade, com a estranha mania do politicamente correto”. Concordo com 75% da afirmação: alguns dos excessos que foram coibidos eram – de fato – abusivos, entretanto estamos migrando para o campo da paranoia.
Uma interpretação possível da propaganda em discussão poderia postular que aquele tipo de comportamento, do Compadre Washington, “não cabe mais na vida” da sociedade atual, assim como o aparelho não mais cabia na vida daquela família. O termo “ordinária”, na propaganda, não recebe valoração positiva, antes é rejeitado – junto com todos os outros. Se estamos falando de termos que não podem ser usados, independente de sua valoração e contexto, seremos testemunhas de uma verdadeira caça às bruxas, já que o contexto é quem determina se há ou não incitação a um determinado ato ou preconceito.
Se nós, da imprensa, nos calarmos diante destes tipos de abuso, não tenha dúvida que seremos as próximas vítimas. Um jornalista que apóia o cerceamento de liberdades (por pequenas que sejam) é tão coerente quanto um judeu filiado a um partido nazista. E a você, que não é capaz de compreender o gradual processo de amordaçamento da mídia, só posso dizer, citando um grande teórico: “sabe de nada, inocente”.

domingo, 10 de novembro de 2013

Fôlego (Jasmim)

De teu fôlego, quase ilimitado,
guardo os beijos épicos, violentos
como se turbilhões de sentimentos
fluíssem de teu hálito abrasado

Como um ser bestial que, enjaulado,
encontrando o seu último rebento
em um misto de doçura e tormento
o teu beijo era amargo e adocicado!

Porém pra ser feliz há tempo, há hora
A foice do tempo levou-te embora
e a punição que, em lágrimas, percebo

É lembrar a cada instante de ti
nos beijos ardentes que recebi
e nos beijos sem gosto que recebo!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

29 + 1

Durante os últimos cinco anos, a chegada deste dia me torturou mais do que qualquer coisa neste mundo... Mas, ele chegou! E lá se vão trinta anos e uma coisa é inegável: Pelo nosso ordenamento jurídico, já tenho idade para ser Governador de Estado [Ricardo Coutinho que se cuide]. Brincadeiras a parte, contam-se nos dedos as vantagens relevantes do marco, mas quem se importa? O movimento nos mantém vivos e, se não é o movimento esperado, é – ao menos – movimento! Somos movidos por visões e, se não são as visões sonhadas, são – ao menos – visões...
Já assisti a duas mudanças de Papa; um processo de impeachment de um presidente; um golpe militar; três guerras e alguns atentados terroristas; vi o ciberespaço evoluir; tive empregos agradáveis, outros nem tanto; tive boas namoradas, outras nem merecem a citação... Vi amigos íntegros morrerem injustiçados; mas vi, também, a punição de criminosos.
Vivi histórias. Ah, e que histórias! Algumas curtas, outras nem tanto; mas todas intensas... E não falo, somente, de romances. Falo de viajar com uma turma de desconhecidos e voltar como amigos de infância, falo de tomar banho de chuva de madrugada somente por que deu vontade, falo – enfim – de coisas que me arrependeria se, ao longo destes trinta anos, não tivesse vivido.
Fiz muitos amigos, rompi elos dados como indestrutíveis, desisti de sonhos redentores, construí outros tantos menores, desisti de alguns amores e, nestes anos, desenvolvi a capacidade de me desconstruir, para me reinventar em um molde melhor.
Talvez a melhor coisa que tenha me ocorrido neste tempo foi a consciência da necessidade de aprender [com o Lord Inglês, mas também com o caboclo do pé da serra]. Enfim, chego aos trinta anos ainda assustado com o marco, talvez, por tudo que eu havia projetado para ele; mas com a certeza de que, por tudo que vivi, a vida foi e tem sido muito generosa comigo. Houve uma senhorita que me disse, certa feita, que "30 é a idade do sucesso", aguardemos, pois!


Aos inimigos: “Cheguei... Rá”! E, aos amigos, desculpem-me a rutilância de algumas ocasiões, é a minha ânsia por resultados, celebremos juntos!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Cachoeira do Ourucuri

Levantar antes das seis horas, botar a mochila nas costas e cair na estrada. Eis uma atividade que tem atraído um público cada vez mais heterogênio. O ecoturismo tem se legitimado como um importante nicho de mercado, uns faturam, outros se divertem... Mas, como diz Camilo Diniz, “o Capital sempre terá que tirar alguma vantagem”, como não tenho nada contra o capital, pago e vou!
http://2.bp.blogspot.com/-XymfljZfkUo/Uhba87Q9TyI/AAAAAAAAAYU/sMEwg0EDqI8/s200/SAM_1610.JPGNeste fim de semana fomos conhecer a Cachoeira do Ourucuri, na cidade de Pilões, na Paraíba. A caminhada não é grande e nem é muito irregular, o que proporciona um passeio acessível a pessoas de todas as idades. Lógico, em alguns trechos é aconselhável que se use o apoio de uma corda, mas, os mais treinados conseguirão subir sem a mesma.
A vista é linda! Para coroar nosso passeio, estava chovendo. A chuva torna a paisagem das cidades do Brejo ainda mais atraente. É uma delícia olhar para cima das altas montanhas e ver a névoa cobrindo seus topos. No caminho, encontramos vários pés de urucum, certamente o nome da cachoeira é um derivado.
http://1.bp.blogspot.com/-wOhUcFk8lzM/Uhba9JtsnBI/AAAAAAAAAYc/yPS_eXs9bic/s200/SAM_1652.JPGNa proporção em que nos aproximávamos da cachoeira, pessoas – vindo no sentido contrário – passavam por nós com cara de satisfeitos, mas isso não nos provocava ânsia de chegar. Queríamos degustar cada passo, cada subida ou decida.

Por fim, chegamos! As margens da cachoeira são compostas por uma areia que lembra a praia. As chuvas deixaram a vazão de água no ponto certo e todos nós, nos esbaldamos com a visão e as sensações que uma cachoeira provocam. Enfim, aguardo as próximas trilhas e recomendo esta.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sobre Identidade e o Quadradinho de Oito

Dias corridos têm me mantido longe do blog. Do Congresso da UNE à matrícula como aluno especial - em uma disciplina do Mestrado em Ciências Sociais -, um dia, falo sobre essas coisas com mais calma. Estou hoje por aqui, movido por uma conversa com certo radialista de Campina Grande.
A conversa girava em torno da denuncia do Conselho Tutelar, agora investigada pelo MP, contra o Bonde das Maravilhas [aquele conjunto do Quadradinho de Oito que, agora, lançou o Quadradinho de Borboleta]. Segundo a 1ª Promotoria da Infância e Juventude de Niterói, há violação do Estatuto da Criança e do Adolescente [artigos 17 e 18]. As coreografias, conforme a tese, teriam cunho pornográfico.
O empresário do Bonde já fala em lançar músicas para atingir o público infantil e afirma que as denuncias são de “pessoas incomodadas com o sucesso das meninas”.
Grupos de cults-fakes [nos quais me incluo] têm tecido duas críticas ao conjunto, mas pensávamos hoje a tarde: As meninas não vieram de Marte, são – antes – o resultado de anos de exploração da sensualidade feminina como forma de brasilidade. 
A grande questão é que, como tudo hoje anda tão banalizado, está se tornando cada vez mais difícil chamar atenção, o que tem feito com que alguns a levem os atributos, os quais se pretende evidenciar, ao extremo.
Discutir a dança do Quadradinho de Oito é, antes de qualquer coisa, debater sobre identidade cultural. Este tipo de dança causa identificação em parte da população que, com as pernas para o alto e remexendo o bumbum, sentem-se partes de um todo complexo chamado Brasil.
Enfim, queixemo-nos não somente do Bonde das Maravilhas, mas de toda uma carga ideológica machista, à qual demos nossa contribuição, que gera este tipo de comportamento. Como todo fenômeno desta natureza é formado por: inicio, apogeu e declínio – para logo ser substituído por outro – calculem a “marmota” que deve estar por vir.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Somos Tão Jovens [ôps, eu não]...


Fui desarmado assistir ao filme “Somos tão jovens”, afinal, depois de ler a crítica ao “Homem de Ferro” e assistir ao filme, me senti um pouco decepcionado [com a crítica], parece que os críticos levam mesmo a sério o ‘por em crise’ que a etimologia da palavra designa.
No geral o filme é bom. Mostra – como plano de fundo – a cena punk nascendo em Brasília e o modo de vida dos chamados ‘filhos da ditadura’ [grupo composto por pessoas que eram adolescentes quando a ditadura estava em queda no país]. A trama foca na vida pessoal de Renato Russo, trazendo ao conhecimento do público os seus primeiros anos de carreira.
Uma boa incrementada no roteiro poderia tornar o filme mais interessante, não, não estou dizendo que o filme é ruim; mas penso que a história foi mal explorada e que haveria mais ‘pano pra manga’.
A semelhança física entre aquele que representa e seu representado é inegável, mas penso que o ator passaria por mais algumas oficinas antes de estrelar no papel... Se eu fosse crítico de cinema, daria um sete e meio a ele [embora seja bom, para mim, enquanto ator, ele não está à altura do papel]. O ator que fez o Renato Russo em “Por toda a minha vida”, da Globo, embora mediano, representava melhor do que o rapaz do filme; mas isto não tira o valor histórico do filme assim como não o desqualifica como um todo.
O elenco e o roteirista são compensados pela interessante história vivida por Russo. Assim, se você é fã da Legião Urbana, recomendo o filme e fico na expectativa de um filme que trate do início à morte; pois, após o primeiro álbum, tem – ainda – muito o que se falar do cantor.
Mais do que isto eu evito falar por mera suspeição... Afinal não consigo ser isento ao falar do maior artista que a minha geração conheceu.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Cartas Portuguesas: O doloroso privilégio de amar


Depois de esperas e expectativas, li as chamadas “Cartas Portuguesas” da monja Mariana Alcoforado... Acho que, em relação às obras epistolares, a religiosa só não supera o Apóstolo Paulo e, no nosso idioma, não conheço correspondências mais viscerais.
Após um romance com um oficial do exército francês, em serviço em Lisboa, Mariana apaixonou-se perdidamente e, com a partida do seu amado, entregou-se a um misto de espera, dor e sofrimento voluntário. Suas cartas relatam o seu desespero na espera daquele que, com suas correspondências indiferentes, dava pistas de que não tencionava voltar aos seus braços.
A correspondência mostra uma mente passional, mas com um profundo conhecimento da escrita. Enclausurada no convento, as cartas funcionavam como uma espécie de escape para a moça. Nelas, se nota a submissão e o desprendimento com que ela se dá sem nenhuma espécie de reserva ao objeto de seu amor. A partir da conjunção entre eles, para a moça, ele passara a fazer parte de sua instância, deste modo, sua ausência a tornara incompleta. E, vendo a impossibilidade de se sentir completa mais uma vez, a autora  das cartas se desespera.
Durante anos, as Cartas Portuguesas permaneceram anônimas. Só em 1810 a freira foi reconhecida como autora e, hoje, cinco delas emocionam críticos literários e apaixonados ao redor do mundo. Assim como Abelardo e Heloísa, Tristão e Isolda e Romeu e Julieta, Mariana ousou amar, ousou mergulhar – sem garantia alguma – nos obtusos braços do desconhecido. Sofreu como poucos, mas, sentiu – de igual modo – o que poucos privilegiados sentem, afinal, como bem disse Hermann Hesse [Prêmio Nobel de Literatura]: “Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito”. Imitando um conterrâneo da notável autora, digo: Abram os umbrais dos céus e perguntem à senhorita Alcoforado se, mesmo sabendo das agruras por que passaria, ela abriria mão de fazer tudo da mesma maneira.
Que nos deliciemos com a leitura destas cartas e aprendamos com a jovem e bela monja.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sobre Maio e a Cachaça


Maio, quinto mês do nosso calendário. O nome é oriundo de uma deusa da mitologia grega chamada Maya, mãe de Hermes. Conforme a tradição católica, é o Mês Mariano, convencionou-se – de igual modo – que este seria o mês das mães, para outros o mês das noivas...
Este mês marca – também – algo importante para a economia nacional e para a identidade nordestina. O início da colheita da cana-de-açúcar. Ora, tal colheita nos remete aos tempos coloniais nos quais a economia da colônia girava – basicamente – sob a tríade monocultura/escravidão/latifúndio. Mas, passada esta época, a cultura da cana de açúcar das antigas capitanias ainda resiste no interior dos, agora, estados da Federação com outro direcionamento.
O pró-álcool, dos governos militares, fez com que grande parte de nossa plantação fosse não mais destinada aos engenhos, mas às usinas; mudança esta que afetou drasticamente nossa economia. Em alguns dos estados aonde a economia gira em torno das usinas, a concentração de renda quase que beira moldes coloniais, de modo que há quem afirme que os donos de usina são os senhores de engenho de nossa época e, levando-se em conta a forma de colheita e a influência política destes empresários, não é uma tese a se desconsiderar sem estudo.
Dos poucos engenhos que resistem, alguns se modernizaram e, no interior da Paraíba, produzem algumas das melhores cachaças do país, como a Volúpia – premiada por diversos órgãos como a número um do Brasil – fora isto, temos engenhos sustentáveis, como o da cachaça Triunfo, que utiliza o bagaço da cana e a chamada cana de cabeça [imprópria para o consumo humano] como combustíveis de sua produção. É como se os senhores de engenho tivessem se tornado empresários da cachaça e os empresários, senhores de engenho do combustível.
Mas eu, particularmente, ainda prefiro os engenhos mais rústicos; daquela cachaça, vendida nos bares do brejo paraibano, que não tem rótulo, que você respira perto dela e sente o cheiro da cana de açúcar, que você bebe e ao final do gole sente um gostinho de rapadura.
A safra dura até Setembro, ansioso pela produção da cachaça Rainha e de tantas outras da região dos engenhos paraibanos. Não, não sou um alcoólatra, longe de mim. Mas sou um degustador desta cultura que tanto influenciou e influencia às nossas vidas e movimenta à economia de nossa região.
Este é o Brejo, esta é a Paraíba... Bem vindo, Maio!

sábado, 27 de abril de 2013

Tempos Líquidos


Dias negros e estranhos têm se passado, amontoados... Resta-me o (des)consolo de que o fenômeno não se dá exclusivamente na minha vida.
Atentados terroristas em Boston, durante a realização de uma maratona; na Venezuela, o Poder Legislativo nega a voz e corta salários dos Deputados que não reconhecerem como legítima a vitória do Presidente, e, o candidato derrotado recebe uma ordem de prisão por “incitar à perturbação a ordem pública” [protestar contra o que chamou de fraudes nas eleições]; No Brasil, tentam amordaçar o Ministério Público, indicam condenados pela Justiça para à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal e – a última – é esta tentativa de limitar o poder do STF [súmulas vinculantes e declarações de inconstitucionalidade passariam a ser submetidas ao Congresso]...
Parece que vivemos em uma época sem princípios, em um tempo aonde tudo e todos parecem estar em uma crise de identidade [Seria o que chamam de Identidades líquidas?] e, quando certos conceitos são relativizados, as coisas tendem ao caos.
É triste ver alguns “intelectuais”, com medo de admitir que erraram, aplaudindo tais medidas, tentando sustentar o insustentável [o que contradiz o conceito de intelectual]. E o povo, bem... 
E eu, com meus próprios demônios internos para administrar, com as minhas próprias dúvidas para esclarecer e com as minhas próprias desilusões para curar; tomo partido de não pensar nessas coisas... Com sorte, um dia, consigo me mudar para Bruxelas e deixar para trás nossa Ilha de Vera Cruz e tudo que ela tem se transformado.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Com o Cooper Feito


A única forma de fazer as intermitências suportáveis, é com exercícios físicos. Então, adiantamos as atividades para aproveitar o fim de tarde para a tradicional caminhada ao redor do Açude Velho. Confesso que prefiro o horário da manhã, mas foi o que pude fazer hoje.
Apesar dos exercícios de higiene mental [e da liberação de endorfina]; vejo, com certo desgosto, as obras da reforma se arrastando desde a gestão passada... E o pior, é possível se contemplar, depois de quase 90% pronta, erros de execução que já eram visíveis [e criticados por mim e pela torcida do Flamengo] quando a obra estava em fase embrionária.
Mês passado conversava com o jornalista Artur Lira e o mesmo me alertou para o desnível com que aqueles tijolos foram afixados no chão. Depois da fala do notável comunicador, minha percepção a este respeito foi aguçada e, de fato, nós, que não temos mais a coluna de um garoto de 16 anos, submetemos a mesma a este desnecessário impacto [ou vai dizer que eles foram friamente calculados pelos engenheiros]. Outra crítica que se faz, refere-se à altura dos bancos do entorno, já que os jênios [com “j” mesmo] tiveram a brilhante ideia de afixar um piso por cima do outro, o altura dos bancos diminuiu, aumentar mesmo, só a possibilidade de acidentes [por sinal, na semana passada, pude assistir a um “quase-acidente” em virtude de tais alturas].
Já a reforma da pista do Parque da Criança ficou um primor e as obras que estão em andamento darão nova vida ao espaço. Enfim; mesmo com tais divagações e minhas lutas internas, pude realizar meu cooper e só voltei para casa depois do cooper feito.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Navegar é preciso. Viver não?


Esses últimos dias têm sido um tanto pesados. Nunca imaginei que estudar documentos voltados à educação fosse, para mim, mais complicado do que a compreensão dos códigos que regem o direito. Temos empreendido esforços nestes documentos no intuito de pleitear uma vaga em concurso público. O fato é que os dias têm se passado de forma rápida, minhas manhãs tem quase encostado uma na outra enquanto estou, no quarto, buscando compreender planos decenais e concepções modernas e ultrapassadas, pedidas em edital.
Não penso que isso é um "privilégio" meu, afinal, conheço pessoas que estudam muito mais do que André Macedo. Esta parece ser uma das chagas de nossa geração!  A competição, a luta pelo mercado – que é uma metáfora da luta pela própria sobrevivência –, tem nos impedido de fazer coisas simples como nos sentarmos em um banco de praça e jogar conversa fora [ou milho aos pombos].
Mesmo os nossos momentos de lazer são em função do pandemônio em que vivemos. É como se precisássemos carregar as baterias para voltar ao ringue. É como se, como dizem alguns adeptos da teoria da conspiração, o domingo fosse um descanso não pela “piedade” do sistema, mas uma forma de fazê-lo render mais na segunda-feira.
No final das contas, quando nossas vísceras estiverem debaixo de sete palmos, de que valerá toda esta correria? Não sei... Mas, certamente, hoje, ela [a correria] nos promete mais do que a inércia! O fato é que corro agora, para diminuir o ritmo um dia, de preferência, em um Pub em Amsterdam [Um antigo sonho].

domingo, 17 de março de 2013

Palhinha

Em nossas peregrinações pós-lei seca, fomos apresentados à Tenda Mundo. Um espaço interessante, arejado e com boa música. Em um dado momento, toquei algumas músicas; tudo registrado pela lente do amigo Flávio Evangelista.

Enfim, deixo-vos o link: http://www.youtube.com/watch?v=F5APAGn9IZo&feature=youtu.be


sábado, 16 de março de 2013

Oz – Mágico e Poderoso


Quarta-feira, saturado de meus doze trabalhos, resolvo ir ao Cinema como forma de encurtar o dia. Em cartaz, dentre farraparias e esplendores, o filme “Oz – Mágico e Poderoso”, fui desarmado, não deu tempo ler nenhuma crítica acerca da produção, o que de certo modo é bom.
Os efeitos 3D do filme são muito bons e, na minha humilde e leiga opinião, superou os efeitos de badaladíssimas produções como, por exemplo, Imortais. De modo que recomendo que se gaste um pouco mais, não assistindo a cópia em 2D, disponível em uma das salas.
A trama em si não traz muita coisa nova. A trajetória do herói, do teórico Campbell, é visualizada até por leigos, chegando ao ponto em que, com um pouco de vivência com filmes, se é possível à antecipação de cenas por parte do espectador. Mas o filme não é ruim: metáfora da maçã e morte espiritual, embora batida, deu certo tempero à trama; assim como determinadas mudanças de direção que, embora poucas, fizeram a diferença.
Quem me conhece e assistir Oz, certamente saberá que me apaixonei pela Menina de Porcelana.
E peço a quem assistir que me tire uma dúvida: O personagem principal, tecnicamente, ensina aos nativos como obter a pólvora, não é? E, entretanto, a Bruxa Boa, ao ver seus efeitos, exclama: “Fogos de artifício” [ela não poderia saber o que eram fogos]... Como ela é um personagem em dois planos, eu posso ter deixado passar a “ligação dela nos dois mundos”. Ou, o roteirista fez besteira e quebrou o chamado Tratado de Veridicção.
Enfim, recomendo o filme. A tal trajetória do herói, embora recorrente em muitos filmes, sempre nos faz pensar acerca de nossos próprios valores e, em última análise, obter a sonhada e purificadora Catarse.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sobre Marco Feliciano e a Cidadania de Ocasião


Nos últimos dias, tenho acompanhado protestos de alguns “ativistas dos direitos humanos” contra a escolha do Deputado Pastor Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Quanto à pessoa do Feliciano, eu não tenho nenhum interesse e não perderia tempo com a aquisição de conhecimento de algo dessa natureza; quanto ao teólogo, acho suas teses ridículas e não depreciarei meu teclado comentando nenhuma neste Blog; quanto ao político, este, infelizmente, precisa nos interessar, principalmente quando o homem e o teólogo, certamente, interferirão nos seus julgamentos.
Eu, favorável à permanência dele? De forma alguma. Não vejo em que ele possa representar os Direitos Humanos e, a menos que alguém me mostre em sua biografia algo que o qualifique para tal, não mudarei meu julgamento.
Entretanto, é bom que se diga que os mesmos paladinos da justiça que bradam contra Marco Feliciano se emudeceram quando da eleição de Renan Calheiros para presidir a casa alta do Congresso Nacional.  “Ah, mas isso já faz tempo” – me dirá algum dos guerreiros da democracia.  Fingindo que acreditamos nesta tese, então, falaríamos do presente. Assim como Feliciano foi indicado pelo partido para presidir a comissão supracitada, os condenados pelo STF José Genoino (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP) foram indicados, pelo PT, como membros da Comissão de Constituição e Justiça, talvez, a mais importante da Câmara. E não esqueçamos o deputado Paulo Maluf, membro da mesma comissão.
Enquanto esta cidadania de ocasião fizer com que nos indignemos contra algumas coisas e fechemos os olhos para outros acontecimentos de igual magnitude, nunca deixaremos de ser a pequena Ilha de Vera Cruz.
Este tipo de cidadania; que escolhe alguns indivíduos contra quem protestar e entrega, nas mãos de outros, um salvo-conduto quanto à ética e à moralidade; gera um maniqueísmo que divide o país, não entre bons e maus, mas entre os que podem cometer crimes e os demais. Seguindo neste ritmo, não demoraremos muito a estar como a nossa vizinha Venezuela e, o pior, com o apoio de uma maioria de fantoches, para a alegria de uma minoria de ventríloquos.

Um Papa Jesuíta


Saindo do cinema, dou de cara com o atleta Pezão [lamentei não ter levado uma câmera fotográfica, nunca esquecerei o gesto com a bandeira paraibana], repentinamente, me pego andando com pressa em direção à parte externa do shopping e penso: “para que a pressa?” Olho, então, às notícias da internet [solvendo deliciosos goles de café] e me deparo com a fumaça branca no Vaticano.
A indicação do cardeal argentino deve ter sido uma surpresa até para o camerlengo [ou não]. E alguns dos “sinais” dão conta de novos tempos na condução da “Barca de São Pedro”. O Papa do Novo Mundo inicia seu pontificado, sob o ponto de vista político, em um ambiente menos abalado do que assumiu o seu antecessor. Substituir João Paulo II [unanimidade até mesmo entre os não-católicos], talvez tenha tornado o fardo de Bento XVI ainda mais pesado. Francisco assume uma igreja que está passando por crises, é fato, mas nada que se compare à perda daquele, talvez, tenha sido o melhor de todos os Papas.
Francisco é Jesuíta. Pensar nisso, remete à nossa colonização e ao processo de evangelização da América Latina. A própria escolha do nome Francisco, talvez, remeta a uma proximidade maior com os pobres, o que se confunde com o próprio estilo de vida do Cardeal Bergoglio que se locomovia de ônibus e cozinhava sua própria comida. Humildade, evangelização... Seria disso que a Igreja está precisando?
Enfim. Desejo sucesso ao Papa Jesuíta e espero que a Igreja, dirigida por ele, possa resolver suas questões internas. E, quanto às piadinhas infames, o que se pode fazer é ignorar esses iconoclastas que fazem piada de tudo. Não sou católico, mas me indignei com algumas delas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Somos Infelizes?


Esses dias, entre uma obrigação e outra, estava relendo os “Pensées” de Blaise Pascal e achei interessante sua argumentação acerca da “miséria do homem”. Ora, se buscamos recreação é para fugir de um estado de não-recreação, estado normal [Jura, Pascal?], mas, partindo deste ponto ele conclui que se fossemos deveras felizes, não precisaríamos correr atrás de sensações diferentes das que o nosso estado natural nos proporciona.
Assim, os divertimentos seriam uma forma de não pararmos para pensar em nós mesmos. Eis a razão, afirma o filósofo, por que os Reis contam com pessoas cuja única função é entretê-los da hora em que acordam até a hora em que forem deitar. Afinal, seria mais feliz um plebeu que se diverte do que um rei inerte. “Não podendo curar a morte, a miséria, a ignorância, os homens tomam o partido de não pensar nessas coisas para ser feliz”, completa.
Sem o divertimento, seriamos levados a um terrível estado de tédio e, uma vez assim, buscaríamos uma maneira de dar um fim a nossa vida, que é regida pelo movimento.
É bom que se diga que quando falamos em movimento, estamos acrescentando à carreira. Mergulhar por inteiro em um projeto, portanto, pode significar infelicidade nos outros campos da vida [além de desequilíbrio].
Mas nosso filósofo não é maniqueísta e – portanto –  não pretende fechar a questão com, apenas, duas assertivas. Afinal “o erro não está em buscarem o tumulto, se o buscam apenas como um divertimento, mas em buscá-lo como se a posse das coisas que almejam devesse torná-los verdadeiramente felizes”.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sobre o que falar?


Hoje seria um dia interessante para escrever alguma coisa sobre a visita da presidente Dilma à Paraíba, suas gafes e falhas... Poderíamos, igualmente, falar sobre a morte de Hugo Chávez, que me deixou – particularmente – triste; afinal os caudilhos deveriam viver para sempre ou, ao menos, tempo suficiente para ser pisoteados pelas galochas da história. Mas, hoje não é o dia de falar em coronéis. Poderíamos, ainda, falar da brilhante assessoria do (ex)prefeito de Itatuba que teve, hoje, suas contas reprovadas pelo TCE, por contratar – somente – um milhão em obras sem licitação durante o exercício de 2010...
Porém, hoje estou enjoado da chamada política partidária... Houve uma época em que os manuais de Maquiavel e Sun Tzu eram necessários na conquista e na manutenção do poder. Hoje, se dá um murro na mesa, um grito no microfone e a multidão, beirando o Êxtase de Santa Teresa, segue o “líder”. Mesmo que este cometa crimes e condutas imorais, seus seguidores sempre arranjarão uma forma de justificar, de dizer que é uma “invenção da mídia golpista”.
Não tenho medo de criticar o suposto lado em que eu esteja. Afinal, no protestantismo clássico, aprendi a ser vassalo – somente – de Deus e de minha consciência. Ando frustrado com o meu voto para a vereança [aguardo os cem dias de mandato para me manifestar sobre isso] e não seria capaz de negá-lo em nome de uma vaidade pessoal.
Enfim, vivemos em um país de pelegos e, enquanto o pão e o circo forem suficientes para calar a maioria, nunca chegaremos aos grandes debates que, de fato, interessam a nação.

sábado, 2 de março de 2013

Eu e o Calçadão da Cardoso Vieira


Hoje, pela manhã, resolvendo questões de cunho pessoal, gastei alguns minutos no Calçadão da Cardoso Vieira... Ah, vez por outra gosto de sentar naquele café e ver a vida passar, enquanto supro a necessidade de cafeína do meu corpo.
Praticamente, todas as classes sociais de Campina Grande estão representadas no Calçadão, assim, o espaço serve como uma espécie de coração da Rainha da Borborema. É possível se discutir os mais variados temas enquanto seus sapatos são engraxados; desde a política local ao assassinato ocorrido na cidade vizinha. E você não precisa conhecer seu interlocutor... Não! Hoje, por exemplo, enquanto eu repensava e resolvia assuntos bem meus, fui inserido em uma conversa [de desconhecidos] acerca do preço de uma bandeja de prata que um dos palestrantes havia se interessado em adquirir. “Ah, mas três mil reais é muito dinheiro para uma bandeja, não é, mago?”
Em que feira do mundo se comercializa pamonha, aguardente e churrasco, manteiga natural, café, cerveja, literatura de cordel, cascas de madeira para chá, cópias de chaves, medicamentos, revelação de fotografias; dentre outras coisas; em um espaço de menos de cem metros quadrados? No Calçadão é possível ver isto e muito mais... Rapozeiros e Galistas, lado a lado, fazendo anedotas um com o time do outro, engraxates se acotovelando diante de seus sapatos, gente evangelizando e, as vezes, até pequenos shows de trios de forró ou bandas andinas... Enfim, o Calçadão é o mundo e, em última análise, o mundo inteiro parece estar na Cardoso Vieira.
Existem algumas coisas que me fazem sentir, de fato, Serrense da Borborema como: em uma madrugada de São João, no Parque do Povo, olhar em direção aos altos prédios e não ver determinados andares, cobertos pela névoa. Caminhar, ou mesmo correr, ao redor do Açude Velho, jogar conversa fora em uma “birosca” [como definiu minha amiga Luana Caluête] nas proximidades deste Açude e, mais do que qualquer outra, solver goles de café no Calçadão da Cardoso Vieira.
Ai, Campina, como eu te amo e, mesmo que as circunstâncias me levem para longe de ti, nunca deixarei que te levem de dentro de mim.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Um dia de sol num copo d'água": Meu caso com a Legião Urbana


Escuto a Banda Legião Urbana desde minha infância, em meados da década de oitenta, meus irmãos eram adolescentes e tinham alguns vinis de bandas punks e pós-punk [lembro-me, agora, de Legião e de Garotos Podres]. Depois disso vieram as aulas de violão, as rodinhas musicais no ensino fundamental, as serenatas e a Legião sempre me Acompanhando.
Quando entrei no curso de Letras Vernáculas [da UEPB], em 2007, tive a oportunidade de conhecer a teoria Semiótica que, dentre outras possibilidades, me permitia uma análise técnica dos objetos, um pouco menos subjetiva do que se costuma fazer. No início de 2008, iniciei minha pesquisa sobre os sujeitos passionais na canção de Legião Urbana, pesquisa esta que se converteu em algumas apresentações em congressos e, por fim, em monografia  [Cujo título é: 'Como explicar pra você o que eu quis?' Os estados passionais na canção de Legião Urbana]. Foi uma pena não ter conseguido continuá-la no mestrado por conta de intermitências pessoais, entretanto, quando as coisas se acalmarem, continuarei a pesquisa independente da academia.
Mesmo tendo que levar minhas pesquisas em outra direção [por conta de minha nova graduação e de outras novas responsabilidades] a banda ainda me acompanha, seja nos fundos musicais de minhas noites de estudo ou, ainda, nas imortais frases de Renato Russo que me inspiram e me fazem melhor.
Quase vinte anos depois de minhas primeiras audições da banda, alguns acordes ainda me arrepiam.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Carpe Dien Vs 'Porralouquismo'


Usualmente, quando se fala no Carpe Dien horaciano, uma dose de senso comum nos leva a pensar em uma corrida desenfreada pelas sensações, semelhante ao personagem do filme Sim Senhor que acreditava ter que dizer sim para todas as oportunidades que se apresentassem à sua frente, pois cria que, assim fazendo, o universo conduziria os resultados de modo que ele conseguisse algum benefício.
Li uma tradução de Odes e Epodos cujo termo Carpe Dien não chega ao português como o  tradicional “aproveite o dia”, antes aparece como “colhe o teu dia”. Ora, esta tradução se aproxima mais do epicurismo que inspirou Horácio, afinal, a intensidade pregada por Epicuro estava longe de ser um lançar-se irracionalmente no mundo das sensações.
Em sua carta a Meneceu acerca da felicidade, o filósofo grego prega uma espécie de moderação sábia: “Quando, então, dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos [...], mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma”.
Assim o “colher o dia” mais se assemelha ao bom senso do que às porralouquices que querem alguns. De um lado o dia é como um fruto que, uma vez maduro, deve ser colhido antes que apodreça ou caia da árvore. Porém, por outro lado, ao colhê-lo antes da hora estaríamos fadados ao (dis)sabor da precocidade. Em economia existe uma expressão chamada “The time” que, grosseiramente falando, significa o momento exato para determinada transação de modo que a venda atinja o valor máximo de mercado. Algumas de nossas privatizações, por exemplo, foram realizadas depois do time [umas antes] resultando em negócios ruins para o país.
Colher o dia implica escolhas, renuncias, não temer a morte ou desdenhar a vida, ser feliz com as coisas simples e saber que os males não duram toda uma existência.
Assim, a máxima de que “felizes são os ignorantes” cai por terra, pois saber a hora certa para se permitir viver determinadas sensações é tarefa para sábios. E, quando chegamos a este nível de sabedoria, passamos a viver como deuses entre os homens, afinal – nas palavras de Epicuro“não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais”...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sobre Yoani Sánchez, Foices, Martelos e Shoppings Centers


A passagem de Yoani Sánchez pela Ilha de Vera Cruz causou frenesi dentre os nativos [com direito a bandeiras e faixas]. Parece estranho alguém protestar favoravelmente a uma ditadura, sobretudo se pensarmos que nossa democracia ainda está engatinhando [depois de dois grandes períodos ditatoriais]. Mas, observando os chamados esquerdistas brasileiros, lê-se que: cerceamento de direitos fundamentais não é a mesma coisa que ditadura, quando se trata de regimes vermelhos.
"Ah, mas os jovens socialistas estavam, apenas, manifestando o seu direito a liberdade de expressão". Aceito o argumento, mas aonde estavam os martelos e foices quando da eleição de Renan Calheiros para a presidência do senado? Aonde estavam as camisas de Che Guevara [orgulho da revolução e da indústria têxtil] quando José Genoino assumiu uma cadeira na Câmara Federal, mesmo depois de condenado? Aonde estão as bandeiras vermelhas erguendo-se contra o desdém com as obras da transposição do Rio São Francisco?
"O Dulce nunca erra", argumentavam os fascistas sobre os erros de Mussolini e, com esta esquerdização da América Latina parece que a máxima de Ney Matogrosso de que “Não existe pecado do lado de baixo do Equador”, se transformará em mote de alguns. E, quando falamos sobre as iminentes consequências deste processo, somos alvejados pelos martelos e foices ideológicas de comunistas consumidores de Coca Cola e frequentadores de Shoppings Centers, alguns chegam a rir e fazer piadas com a última frase dita, como uma forma de tergiversar da discussão.
Como disse certo pregador lusitano “Eu não direi que não vendam suas almas, mas que o façam, ao menos, a preço justo”. Que se admita, então, que tudo vale em nome de um projeto de poder, que defenda em praça pública o Estado Totalitário, que se encontre argumentos para o fechamento de redes de TV que não se curvem aos governos. Que se admita, enfim, que não se concorda com a democracia e que crime só é crime se for praticado por um adversário dos camaradas. 
Como bem disse um jornalista paraibano, quando pensamos no Tratado Internacional de San José da Costa Rica, a luta de Yoani Sánchez parece muito mais justa do que a de seus adversários cubanos e tupiniquins. E, cá entre nós, este argumento de que todo adversário dos regimes de esquerda latinos são "amigos dos EUA", reacionários, imperialistas e burgueses já caiu no rude desfiladeiro do ridículo.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Look Down: Os Miseráveis


Estávamos no eterno dilema acerca de uma questão filosófica que há muito perturba os habitantes da Serra: o que fazer, à noite, em Campina Grande? Após deliberação, a ideia do cinema venceu. Fomos assistir ao musical: Os Miseráveis.
Não sou um dos maiores entusiastas dos chamados Musicais, afinal, para mim, estes apresentam a mesma dificuldade de compreensão de um poema épico, sobretudo para o espectador que busca, apenas, o entretenimento. Assim, eu seria suspeito para realizar avaliações do filme. Porém, minha relação com as artes vai além do mero distrair-me.
O filme é longo, mas esta não é uma propriedade que, isoladamente, desqualifique uma produção. Afinal épicos como Alexandre, o grande ou mesmo Troia foram ovacionados pela crítica, mesmo tratando-se de filmes extensos. Talvez o problema resida na sempre complexa adaptação de obra literária para as telas: o “não saber o que cortar”. Um exemplo: comparando o livro Os três mosqueteiros com sua adaptação para o cinema, percebe-se cortes de fatos que seriam relevantíssimos na compreensão da trama.
O que chama a atenção, no musical, é sua capacidade para Catarse, o filme permite reflexões que, embora tenham sido levantadas, séculos atrás, por Victor Hugo, refletem dramas atuais da sociedade e dos indivíduos.
Para mim, somado à ótima companhia, foi um programa perfeito para a noite de Sábado: Risadas, bom papo e catarse. Recomendo o filme, assim como a leitura da crítica.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Calendário Tupiniquim: Feliz 2013


Com relação às unidades de medida do movimento de rotação da terra, existem; dentre outras; o calendário de Israel, o calendário chinês, o calendário gregoriano e o brasileiro. Neste último [tomando como base o corrente ano], o Réveillon ocorre no que – para o calendário gregoriano – seria 12 de Fevereiro. Sim, no dia 13 ocorre o nosso Feriado Universal: promessas de dietas passam a entrar em execução, começa-se a fazer os cálculos da fatura do cartão de crédito por vir, as repartições públicas começam a funcionar – enfim – abre-se um novo ciclo.
Amanhã, se pensará com mais calma sobre a renuncia do Papa, sobre a eleição de Renan Calheiros, sobre o Incêndio de Santa Maria e sobre tantas coisas que são colocadas em segundo plano quando se está as vésperas do Carnaval.
Particularmente não sou dos maiores entusiastas da festa, mas não sou, de igual modo, um cruzado anti-Carnaval; talvez seja um cruzado solitário contra o Sistema, mas isto é assunto para outro post.
Gostaria, sim, de conhecer o Carnaval do Maranhão, de Manaus e coloco estes projetos na minha comprida e não cumprida lista de metas... Agora, que inicia-se – deveras – o ano, que partamos, então, para cima de 2013 com tudo e mais uma pouco, que nos indignemos, que choremos, que sejamos felizes, que amemos...
E, acima de tudo, que nos preparemos para o Carnaval do ano que vem. Afinal, não é fácil viver em um país aonde seus filhos saem para uma boate e correm o risco de voltar mortos por asfixia, muito menos em um feudo comandado por meia dúzia de pessoas que nem se importam mais em fingir que se importam conosco.
Que iniciemos as dietas, que paguemos a conta e tenhamos um feliz 2013!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Vacância do Trono de São Pedro


Não posso dizer que esperava acordar na segunda-feira de carnaval com a notícia da renuncia do Papa. Sim, minha geração estava mal acostumada; afinal havíamos “vivido” um pontificado de 26 anos. Uma coisa da qual ninguém poderá acusar Joseph Ratzinger é de amor ao poder, afinal, conheço outros líderes religiosos que, não tendo mais a mínima condição física ou intelectual, se seguram a suas funções como papagaios no arame, Ratzinger – ao contrário – alegando “não ter mais forças” para exercer suas funções, deixará vago o  Trono de São Pedro.
Como protestante que sou, posso falar do alto de minha insuspeição e penso que nos últimos anos a igreja Católica foi governada por um intelectual do cristianismo. Lembro-me de sua primeira Missa do Galo, assisti àquele sermão mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa, e, ao ver sua explanação sobre o roubo e devolução da Arca da Aliança, fui dormir encantado.
Para os não-católicos, como eu, a história foi um tanto perversa com o Pontífice; afinal ele estaria fadado a ser um papa de transição, visto que seu antecessor tinha índices de aprovação quase que unânimes as comparações seriam sempre inevitáveis e, até mesmo, certa saudade de João Paulo II haveria de dificultar as relações com o papado que se instalara.
Ninguém é capaz de imaginar quanto pesa tomar uma decisão dessas, afinal, os cristãos sempre partem do pressuposto de que as autoridades religiosas [todas] são escolhidas pelo próprio Deus e, assim, se estaria abdicando de uma missão imposta pela própria divindade da igreja. Porém a renuncia do Papa foi um ato de coragem, sim. Vendo-se sem condições de realizar as suas atividades na plenitude do que a função perde, achou melhor passar o cajado a frente, para outro que possa conduzir a igreja com melhor desenvoltura. Fernando Henrique Cardoso costumava dizer que: “triste do homem que não sabe perceber quando seu momento histórico passa”, se passou ou não o momento de Bento XVI só a própria história haverá de nos dizer.
João Paulo II ficou até a morte, é verdade, e em condições de saúde piores do que Bento XVI, concordo, mas o martelo do julgamento da história não está em minhas mãos, ainda.
Agora, haverá de se instalar um novo conclave e, se não me engano, Bento XVI passará a ocupar uma função chamada Papa Emerito.  Muitas especulações surgirão, mas – como só trabalho com fatos – fico no aguardo de novas evidências e da Fumaça Branca.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Igreja que ninguém vê


Já escrevi reiteradas vezes no Blog sobre os perigos de analisar o cristianismo pelos extremos. Na cabeça do ser que não a usa, escolhe-se o pior protótipo de algo para se realizar um estudo. Quando falam sobre relacionamentos duradouros, mencionam a Gretchen; quando falam em Igreja Católica, lembram o Papa Alexandre XI, os casos de pedofilia; quando a conversa gira em torno dos Protestantes, falam nos crimes de lavagem de dinheiro praticados por líderes de grupos para-protestantes e, como uma metralhadora giratória, saem a atirar para todos os lados – sem defender nada – em uma tentativa (frustrada) de autoafirmação.
Este tipo de comportamento é aceito na adolescência, entretanto, em um adulto, assim como as roupas infantis, é destoante. Lembrando a famosa Síndrome de Petter Pan.
A igreja protestante, não poucas vezes, alvo deste grupo realiza obras sociais que vêm mudando a vida das comunidades aonde atuam. Embora comece a haver um tímido reconhecimento da mídia, isto vem ocorrendo desde sua chegada ao país. 
Esta matéria mostra um pouco, pois não fala dos colégios adventistas, dos centros de recuperação baptistas, das universidades presbiterianas; enfim, não caberia em uma reportagem.

Mas este não é o tipo de vídeo que as pessoas compartilham, afinal, ele fala bem da Igreja e isso não é conveniente aos Pseudo-Intelectuais para quem nada nem ninguém está certo, exceto eles próprios com seus pequenos valores e sua personalidade por formar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sobre Incitatus e a Presidência do Senado Brasileiro


Em uma das cenas mais intrigantes da história do Império Romano,  o Imperador Calígula nomeou Incitatus para o Senado. A frase não parece ter nada demais, até sabermos que este se tratava de um cavalo do soberano. Um ultraje ao povo e, sobretudo, à instituição [acho ridículo tentar explicar as razões].
O resultado da escolha do presidente do Senado, hoje, faria com que os senadores romanos se sentissem menos diminuídos, pelo fato de terem Incitatus como colega de parlamento. E não me refiro a nenhuma característica física ou intelectual do senador de Alagoas, mas sim pelo ultraje a casa e o desrespeito á população.
Afinal, o que parece mais degradante: ser colega de trabalho de um animal [colocado no cargo à força, por um tirano] ou, por escolha da maioria de seus membros, ser presidido por um político que renunciou para não ser cassado e contra quem pesam acusações gravíssimas? 
Ora, no primeiro caso, o desrespeito à população partiu do Imperador, neste o próprio senado se encarregou de pisotear os princípios éticos. Falando em princípios éticos, a palavra ética soou estranha no discurso do senador das Alagoas, talvez houvesse mais verdade no relinchado de Incitatus do que no destoante acorde do senador cuja fala envergonhou até a estátua do Marechal Deodoro na Zona Metropolitana de Maceió.
Fica a lição para nós, soberanos do sistema democrático, para repensarmos em quem mandamos para o Senado e, aos amigos do senado Romano, o consolo de que existem sim situações mais vergonhosas do que dividir uma instituição tão respeitada com um ser ruminante.

Em tempo: Terminará o eleito do senado seu mandato de presidente?

domingo, 27 de janeiro de 2013

Lições de Santa Maria


Eu olho as imagens, leio notícias e penso no assunto com o pasmo essencial de quem gosta da vida noturna. Com a frustração de quem conhece a deliciosa sensação do prelúdio de uma balada que, às vezes, é melhor do que a festa propriamente dita. De fato; conheço bem toda aquela espera, idealização, especulação acerca das pessoas que vão, do que se vai beber e a certeza do banzo que marca todo fim de festa, em um desejo de que ela durasse para sempre...
Nenhuma das projeções poderia prever 433 pessoas mortas ao final de uma noite de alegria. Durante todo dia ouvi pessoas dizendo: “Mas para que usar pirotecnia em lugares fechados”. É fácil dizer isto após o acidente, mas; acredite; além de usual, isto é uma peça fundamental na construção da “realidade alternativa” de um show e quem frequenta baladas sabe disso. Se houve excesso ou não, se houve imprudência ou não – enfim – se o sinalizador foi ou não apontado para aonde não se deveria é a perícia quem haverá de dizer.
O incidente na boate Kiss serviu para mostrar as irregularidades do local que estava com o Alvará atrasado, as saídas de emergência – segundo os relatos – insuficientes e estreitas, os seguranças despreparados sem falar no despreparo dos funcionários para o uso dos extintores de incêndio (segundo alguns, estes últimos não funcionavam).
Que a tragédia da Kiss sirva para a indústria do entretenimento rever seus conceitos de segurança. Afinal, a possibilidade do sinistro, por mais remota que pareça, é latente em qualquer ocasião.
Não sinto a mesma dor daqueles que perderam filhos e amigos, ou mesmo daqueles que inalaram a  densa fumaça da morte e, em um ato de desespero, conseguiram escapar. Mas sinto a consternação de estar sujeito a um cataclismo como este e fico a imaginar como estariam meus amigos e minha família em uma situação desta natureza, vendo-me imolado por uma das coisas que mais gosto.
Fico triste pelas famílias que acompanharam o prelúdio supracitado e, agora, se encontram velando seus filhos. Que Deus console estas famílias e que Santa Maria nos ensine a prevenir catástrofes desta natureza.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A palavra mágica: Outro causo de Caturité


Durante minha estadia em Caturité, em 2007, precisei sair do escritório para realizar algumas fiscalizações, porém nenhuma delas foi tão marcante quanto a de uma localidade chamada Anjico do Monte. Não conhecia, nunca havia ouvido falar e parei de me julgar quando soube que não eram poucos os moradores da cidade com a mesma dúvida.
Através de conversas com amigos, fui apresentado a um mototáxi que me garantiu conhecer a localidade como a palma de sua mão. Marcamos o horário para o dia seguinte e eis que, pontualmente, as 8:15 da manhã o homem estava no escritório me aguardando. Nesta aventura pude comprovar que as palavras do homem eram verdadeiras, em todas as propriedades que chegávamos ele ia à frente, chamava o proprietário pelo nome e, quando eu me aproximava, ele já havia quebrado o gelo e falado sobre o motivo da visita.
Rodamos das 8:15 às 16:20 [sem pausa para o almoço]. Chegando ao escritório perguntei-lhe quanto custou o serviço e ele, com um sorriso tímido, murmurou: “Diga você”.
Pensei na tabela de preços de Campina Grande [e que eu lhe tomara um dia de serviço] e dei-lhe uma quantia X, achando que não fizera mais do que minha obrigação. Ao que ele apertou minha mão e deixou o escritório.
No dia seguinte soube, na Padaria, que o homem havia chegado lá extasiado com a “bondade e senso de justiça do senhor André” a quem fez vários elogios...
Chega a hora de voltar à Serra: Fazia-se necessária uma caminhada de pouco mais de um quilômetro até o ponto do ônibus. Via de regra o preço que os mototaxistas cobravam por este trajeto era R$ 1,00. Não aguentando fazer tal caminhada, recorri aos serviços de um rapaz de moto, que passava na hora, desconhecido até então, ao descer, perguntei quanto custava o serviço e ouvi outro simpático “Diga você”.

domingo, 13 de janeiro de 2013

De volta ao habitat...


De volta ao meu habitat natural, já posso pensar com calma sobre minha ida à Guarabira. Havia ido outras vezes àquela cidade, mas sempre por razões outras que não esta minha nova “tara”.
Preciso confessar que me senti tentado a descer em Areia é só voltar para casa quando acabasse com o estoque dos oito engenhos, mas meu senso de responsabilidade (aliado à falta de dinheiro) me fez seguir viagem até a cidade natal de Ronaldo Cunha Lima.
Acostumado com o frio da Serra, uma leve subida na temperatura me deixou atônito, assim como o fato do endereço do hotel (Contido no site) estar errado. Mas, não morri (Vai dizer que você não achava que essa mensagem era automática?)... A noite, andei um pouco pela praça da avenida principal, lembrando minha primeira ida àquele lugar. Nossa, como meus objetivos mudaram!
Encontrei mais gente de fora do que meus amigos da cidade... Como sempre, essas viagens me reservam muitas coisas interessantes, muitas conversas agradáveis e a oportunidade de explorar diversos mundos, fora desta minha pequena lua.
Realizamos as provas com a maior seriedade possível! Se passaremos ou não, não sei e – em última análise – isto, agora, não tira meu sono.
Falando em sono, preciso dormir... Já fazem dois dias que não durmo direito!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Caturité, Severo Macedo e a história sem um final


Quando trabalhei na cidade de Caturité, em 2007, vivi uma cena inusitada. Estava eu na localidade de Pedra d’água (Perto da Serra de Bodopitá) quando fui abordado por um senhor que, olhando o sobrenome do meu crachá, quis saber da parte de minha árvore genealógica que me ligava àquela região.
Disse ele ter conhecido meu avô, o que não seria estranho; pois Pedro Macedo foi conhecido por sua geração naquela região: "Um homem como poucos... Tão bom que não deu certo na política", Disse ele. Conversamos animadamente naquele mercadinho enquanto eu aguardava o transporte que me levaria de volta ao perímetro urbano da cidade e ele, a carona que o levaria à cidade vizinha.
Eis que o homem começa a falar sobre meu bisavô (pai de minha avó) com certa emoção, ou mesmo devoção:

 - “Seu Severo Macedo foi um grande homem. Eu nunca vou esquecer uma palavra que ele disse a meu favor uma vez... Teve um dia em que eu”...

Nisso, ele foi bruscamente interrompido por gritos e um som ensurdecedor de buzina. A carona que o levaria a Boqueirão chegara e, como que apressado, se despediu de mim com um abraço e foi embora.
Não sei seu nome, nunca mais o encontrei, não sei sequer se ele está vivo e voltei para Campina Grande sem saber o final da história...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Aproveitando a metáfora ridícula de Galvão Bueno...


Na tentativa de criar um bordão, Galvão Bueno atribuiu aos lutadores de MMA a alcunha de “Os Gladiadores do Terceiro Milênio”... Embora haja lógica na afirmação a classificaria como uma metáfora pobre. Na verdade, semanticamente, parece mais uma comparação do que necessariamente uma metáfora, visto que as semelhanças são tantas que a afirmação chega a parecer com “Cães, os lobos domesticáveis”. Entretanto, queira eu ou não, é uma construção possível e temos que continuar aturando o Galvão.
Hoje começa a edição do campeonato de futebol deste ano na Paraíba. Como meu time estreia, já estou de ingresso na mão e na expectativa. Ah, os estádios! Fico imaginando o que levou os Militares a construírem estádios Brasil a fora durante os anos de ferro da ditadura. Fico imaginando por que, em ano de copa do mundo, os presidentes se preocupam com a posição de nossa seleção e por que prefeituras e parlamentares fazem doações para times assim como investem em infraestrutura dos estádios.
Esses sim me parecem os Gladiadores do Terceiro Milênio. Em Roma, eles tinham a função de fazer com que a população não pensasse na fome e no desemprego. Bem... Mudam os gladiadores, permanece o desemprego e aumentam-se as fomes. Hoje a fome não se prende ao sentido gastronômico do termo, foram construídas em nós fomes que nos tornou seres insaciáveis; e estas impossibilidades fizeram de nós pessoas frustradas. Mas, não pensemos nisso! Assistamos nossos gladiadores e vibremos com eles... Não falo aqui como um analista, mas como alguém que vai ao estádio assistir o espetáculo e, ao menos por 90 minutos, poder pensar que as intermitências da vida se resumem a um impedimento ou uma falta não marcada.