segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Um dia de sol num copo d'água": Meu caso com a Legião Urbana


Escuto a Banda Legião Urbana desde minha infância, em meados da década de oitenta, meus irmãos eram adolescentes e tinham alguns vinis de bandas punks e pós-punk [lembro-me, agora, de Legião e de Garotos Podres]. Depois disso vieram as aulas de violão, as rodinhas musicais no ensino fundamental, as serenatas e a Legião sempre me Acompanhando.
Quando entrei no curso de Letras Vernáculas [da UEPB], em 2007, tive a oportunidade de conhecer a teoria Semiótica que, dentre outras possibilidades, me permitia uma análise técnica dos objetos, um pouco menos subjetiva do que se costuma fazer. No início de 2008, iniciei minha pesquisa sobre os sujeitos passionais na canção de Legião Urbana, pesquisa esta que se converteu em algumas apresentações em congressos e, por fim, em monografia  [Cujo título é: 'Como explicar pra você o que eu quis?' Os estados passionais na canção de Legião Urbana]. Foi uma pena não ter conseguido continuá-la no mestrado por conta de intermitências pessoais, entretanto, quando as coisas se acalmarem, continuarei a pesquisa independente da academia.
Mesmo tendo que levar minhas pesquisas em outra direção [por conta de minha nova graduação e de outras novas responsabilidades] a banda ainda me acompanha, seja nos fundos musicais de minhas noites de estudo ou, ainda, nas imortais frases de Renato Russo que me inspiram e me fazem melhor.
Quase vinte anos depois de minhas primeiras audições da banda, alguns acordes ainda me arrepiam.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Carpe Dien Vs 'Porralouquismo'


Usualmente, quando se fala no Carpe Dien horaciano, uma dose de senso comum nos leva a pensar em uma corrida desenfreada pelas sensações, semelhante ao personagem do filme Sim Senhor que acreditava ter que dizer sim para todas as oportunidades que se apresentassem à sua frente, pois cria que, assim fazendo, o universo conduziria os resultados de modo que ele conseguisse algum benefício.
Li uma tradução de Odes e Epodos cujo termo Carpe Dien não chega ao português como o  tradicional “aproveite o dia”, antes aparece como “colhe o teu dia”. Ora, esta tradução se aproxima mais do epicurismo que inspirou Horácio, afinal, a intensidade pregada por Epicuro estava longe de ser um lançar-se irracionalmente no mundo das sensações.
Em sua carta a Meneceu acerca da felicidade, o filósofo grego prega uma espécie de moderação sábia: “Quando, então, dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos [...], mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma”.
Assim o “colher o dia” mais se assemelha ao bom senso do que às porralouquices que querem alguns. De um lado o dia é como um fruto que, uma vez maduro, deve ser colhido antes que apodreça ou caia da árvore. Porém, por outro lado, ao colhê-lo antes da hora estaríamos fadados ao (dis)sabor da precocidade. Em economia existe uma expressão chamada “The time” que, grosseiramente falando, significa o momento exato para determinada transação de modo que a venda atinja o valor máximo de mercado. Algumas de nossas privatizações, por exemplo, foram realizadas depois do time [umas antes] resultando em negócios ruins para o país.
Colher o dia implica escolhas, renuncias, não temer a morte ou desdenhar a vida, ser feliz com as coisas simples e saber que os males não duram toda uma existência.
Assim, a máxima de que “felizes são os ignorantes” cai por terra, pois saber a hora certa para se permitir viver determinadas sensações é tarefa para sábios. E, quando chegamos a este nível de sabedoria, passamos a viver como deuses entre os homens, afinal – nas palavras de Epicuro“não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais”...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sobre Yoani Sánchez, Foices, Martelos e Shoppings Centers


A passagem de Yoani Sánchez pela Ilha de Vera Cruz causou frenesi dentre os nativos [com direito a bandeiras e faixas]. Parece estranho alguém protestar favoravelmente a uma ditadura, sobretudo se pensarmos que nossa democracia ainda está engatinhando [depois de dois grandes períodos ditatoriais]. Mas, observando os chamados esquerdistas brasileiros, lê-se que: cerceamento de direitos fundamentais não é a mesma coisa que ditadura, quando se trata de regimes vermelhos.
"Ah, mas os jovens socialistas estavam, apenas, manifestando o seu direito a liberdade de expressão". Aceito o argumento, mas aonde estavam os martelos e foices quando da eleição de Renan Calheiros para a presidência do senado? Aonde estavam as camisas de Che Guevara [orgulho da revolução e da indústria têxtil] quando José Genoino assumiu uma cadeira na Câmara Federal, mesmo depois de condenado? Aonde estão as bandeiras vermelhas erguendo-se contra o desdém com as obras da transposição do Rio São Francisco?
"O Dulce nunca erra", argumentavam os fascistas sobre os erros de Mussolini e, com esta esquerdização da América Latina parece que a máxima de Ney Matogrosso de que “Não existe pecado do lado de baixo do Equador”, se transformará em mote de alguns. E, quando falamos sobre as iminentes consequências deste processo, somos alvejados pelos martelos e foices ideológicas de comunistas consumidores de Coca Cola e frequentadores de Shoppings Centers, alguns chegam a rir e fazer piadas com a última frase dita, como uma forma de tergiversar da discussão.
Como disse certo pregador lusitano “Eu não direi que não vendam suas almas, mas que o façam, ao menos, a preço justo”. Que se admita, então, que tudo vale em nome de um projeto de poder, que defenda em praça pública o Estado Totalitário, que se encontre argumentos para o fechamento de redes de TV que não se curvem aos governos. Que se admita, enfim, que não se concorda com a democracia e que crime só é crime se for praticado por um adversário dos camaradas. 
Como bem disse um jornalista paraibano, quando pensamos no Tratado Internacional de San José da Costa Rica, a luta de Yoani Sánchez parece muito mais justa do que a de seus adversários cubanos e tupiniquins. E, cá entre nós, este argumento de que todo adversário dos regimes de esquerda latinos são "amigos dos EUA", reacionários, imperialistas e burgueses já caiu no rude desfiladeiro do ridículo.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Look Down: Os Miseráveis


Estávamos no eterno dilema acerca de uma questão filosófica que há muito perturba os habitantes da Serra: o que fazer, à noite, em Campina Grande? Após deliberação, a ideia do cinema venceu. Fomos assistir ao musical: Os Miseráveis.
Não sou um dos maiores entusiastas dos chamados Musicais, afinal, para mim, estes apresentam a mesma dificuldade de compreensão de um poema épico, sobretudo para o espectador que busca, apenas, o entretenimento. Assim, eu seria suspeito para realizar avaliações do filme. Porém, minha relação com as artes vai além do mero distrair-me.
O filme é longo, mas esta não é uma propriedade que, isoladamente, desqualifique uma produção. Afinal épicos como Alexandre, o grande ou mesmo Troia foram ovacionados pela crítica, mesmo tratando-se de filmes extensos. Talvez o problema resida na sempre complexa adaptação de obra literária para as telas: o “não saber o que cortar”. Um exemplo: comparando o livro Os três mosqueteiros com sua adaptação para o cinema, percebe-se cortes de fatos que seriam relevantíssimos na compreensão da trama.
O que chama a atenção, no musical, é sua capacidade para Catarse, o filme permite reflexões que, embora tenham sido levantadas, séculos atrás, por Victor Hugo, refletem dramas atuais da sociedade e dos indivíduos.
Para mim, somado à ótima companhia, foi um programa perfeito para a noite de Sábado: Risadas, bom papo e catarse. Recomendo o filme, assim como a leitura da crítica.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Calendário Tupiniquim: Feliz 2013


Com relação às unidades de medida do movimento de rotação da terra, existem; dentre outras; o calendário de Israel, o calendário chinês, o calendário gregoriano e o brasileiro. Neste último [tomando como base o corrente ano], o Réveillon ocorre no que – para o calendário gregoriano – seria 12 de Fevereiro. Sim, no dia 13 ocorre o nosso Feriado Universal: promessas de dietas passam a entrar em execução, começa-se a fazer os cálculos da fatura do cartão de crédito por vir, as repartições públicas começam a funcionar – enfim – abre-se um novo ciclo.
Amanhã, se pensará com mais calma sobre a renuncia do Papa, sobre a eleição de Renan Calheiros, sobre o Incêndio de Santa Maria e sobre tantas coisas que são colocadas em segundo plano quando se está as vésperas do Carnaval.
Particularmente não sou dos maiores entusiastas da festa, mas não sou, de igual modo, um cruzado anti-Carnaval; talvez seja um cruzado solitário contra o Sistema, mas isto é assunto para outro post.
Gostaria, sim, de conhecer o Carnaval do Maranhão, de Manaus e coloco estes projetos na minha comprida e não cumprida lista de metas... Agora, que inicia-se – deveras – o ano, que partamos, então, para cima de 2013 com tudo e mais uma pouco, que nos indignemos, que choremos, que sejamos felizes, que amemos...
E, acima de tudo, que nos preparemos para o Carnaval do ano que vem. Afinal, não é fácil viver em um país aonde seus filhos saem para uma boate e correm o risco de voltar mortos por asfixia, muito menos em um feudo comandado por meia dúzia de pessoas que nem se importam mais em fingir que se importam conosco.
Que iniciemos as dietas, que paguemos a conta e tenhamos um feliz 2013!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Vacância do Trono de São Pedro


Não posso dizer que esperava acordar na segunda-feira de carnaval com a notícia da renuncia do Papa. Sim, minha geração estava mal acostumada; afinal havíamos “vivido” um pontificado de 26 anos. Uma coisa da qual ninguém poderá acusar Joseph Ratzinger é de amor ao poder, afinal, conheço outros líderes religiosos que, não tendo mais a mínima condição física ou intelectual, se seguram a suas funções como papagaios no arame, Ratzinger – ao contrário – alegando “não ter mais forças” para exercer suas funções, deixará vago o  Trono de São Pedro.
Como protestante que sou, posso falar do alto de minha insuspeição e penso que nos últimos anos a igreja Católica foi governada por um intelectual do cristianismo. Lembro-me de sua primeira Missa do Galo, assisti àquele sermão mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa, e, ao ver sua explanação sobre o roubo e devolução da Arca da Aliança, fui dormir encantado.
Para os não-católicos, como eu, a história foi um tanto perversa com o Pontífice; afinal ele estaria fadado a ser um papa de transição, visto que seu antecessor tinha índices de aprovação quase que unânimes as comparações seriam sempre inevitáveis e, até mesmo, certa saudade de João Paulo II haveria de dificultar as relações com o papado que se instalara.
Ninguém é capaz de imaginar quanto pesa tomar uma decisão dessas, afinal, os cristãos sempre partem do pressuposto de que as autoridades religiosas [todas] são escolhidas pelo próprio Deus e, assim, se estaria abdicando de uma missão imposta pela própria divindade da igreja. Porém a renuncia do Papa foi um ato de coragem, sim. Vendo-se sem condições de realizar as suas atividades na plenitude do que a função perde, achou melhor passar o cajado a frente, para outro que possa conduzir a igreja com melhor desenvoltura. Fernando Henrique Cardoso costumava dizer que: “triste do homem que não sabe perceber quando seu momento histórico passa”, se passou ou não o momento de Bento XVI só a própria história haverá de nos dizer.
João Paulo II ficou até a morte, é verdade, e em condições de saúde piores do que Bento XVI, concordo, mas o martelo do julgamento da história não está em minhas mãos, ainda.
Agora, haverá de se instalar um novo conclave e, se não me engano, Bento XVI passará a ocupar uma função chamada Papa Emerito.  Muitas especulações surgirão, mas – como só trabalho com fatos – fico no aguardo de novas evidências e da Fumaça Branca.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Igreja que ninguém vê


Já escrevi reiteradas vezes no Blog sobre os perigos de analisar o cristianismo pelos extremos. Na cabeça do ser que não a usa, escolhe-se o pior protótipo de algo para se realizar um estudo. Quando falam sobre relacionamentos duradouros, mencionam a Gretchen; quando falam em Igreja Católica, lembram o Papa Alexandre XI, os casos de pedofilia; quando a conversa gira em torno dos Protestantes, falam nos crimes de lavagem de dinheiro praticados por líderes de grupos para-protestantes e, como uma metralhadora giratória, saem a atirar para todos os lados – sem defender nada – em uma tentativa (frustrada) de autoafirmação.
Este tipo de comportamento é aceito na adolescência, entretanto, em um adulto, assim como as roupas infantis, é destoante. Lembrando a famosa Síndrome de Petter Pan.
A igreja protestante, não poucas vezes, alvo deste grupo realiza obras sociais que vêm mudando a vida das comunidades aonde atuam. Embora comece a haver um tímido reconhecimento da mídia, isto vem ocorrendo desde sua chegada ao país. 
Esta matéria mostra um pouco, pois não fala dos colégios adventistas, dos centros de recuperação baptistas, das universidades presbiterianas; enfim, não caberia em uma reportagem.

Mas este não é o tipo de vídeo que as pessoas compartilham, afinal, ele fala bem da Igreja e isso não é conveniente aos Pseudo-Intelectuais para quem nada nem ninguém está certo, exceto eles próprios com seus pequenos valores e sua personalidade por formar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sobre Incitatus e a Presidência do Senado Brasileiro


Em uma das cenas mais intrigantes da história do Império Romano,  o Imperador Calígula nomeou Incitatus para o Senado. A frase não parece ter nada demais, até sabermos que este se tratava de um cavalo do soberano. Um ultraje ao povo e, sobretudo, à instituição [acho ridículo tentar explicar as razões].
O resultado da escolha do presidente do Senado, hoje, faria com que os senadores romanos se sentissem menos diminuídos, pelo fato de terem Incitatus como colega de parlamento. E não me refiro a nenhuma característica física ou intelectual do senador de Alagoas, mas sim pelo ultraje a casa e o desrespeito á população.
Afinal, o que parece mais degradante: ser colega de trabalho de um animal [colocado no cargo à força, por um tirano] ou, por escolha da maioria de seus membros, ser presidido por um político que renunciou para não ser cassado e contra quem pesam acusações gravíssimas? 
Ora, no primeiro caso, o desrespeito à população partiu do Imperador, neste o próprio senado se encarregou de pisotear os princípios éticos. Falando em princípios éticos, a palavra ética soou estranha no discurso do senador das Alagoas, talvez houvesse mais verdade no relinchado de Incitatus do que no destoante acorde do senador cuja fala envergonhou até a estátua do Marechal Deodoro na Zona Metropolitana de Maceió.
Fica a lição para nós, soberanos do sistema democrático, para repensarmos em quem mandamos para o Senado e, aos amigos do senado Romano, o consolo de que existem sim situações mais vergonhosas do que dividir uma instituição tão respeitada com um ser ruminante.

Em tempo: Terminará o eleito do senado seu mandato de presidente?