domingo, 27 de janeiro de 2013

Lições de Santa Maria


Eu olho as imagens, leio notícias e penso no assunto com o pasmo essencial de quem gosta da vida noturna. Com a frustração de quem conhece a deliciosa sensação do prelúdio de uma balada que, às vezes, é melhor do que a festa propriamente dita. De fato; conheço bem toda aquela espera, idealização, especulação acerca das pessoas que vão, do que se vai beber e a certeza do banzo que marca todo fim de festa, em um desejo de que ela durasse para sempre...
Nenhuma das projeções poderia prever 433 pessoas mortas ao final de uma noite de alegria. Durante todo dia ouvi pessoas dizendo: “Mas para que usar pirotecnia em lugares fechados”. É fácil dizer isto após o acidente, mas; acredite; além de usual, isto é uma peça fundamental na construção da “realidade alternativa” de um show e quem frequenta baladas sabe disso. Se houve excesso ou não, se houve imprudência ou não – enfim – se o sinalizador foi ou não apontado para aonde não se deveria é a perícia quem haverá de dizer.
O incidente na boate Kiss serviu para mostrar as irregularidades do local que estava com o Alvará atrasado, as saídas de emergência – segundo os relatos – insuficientes e estreitas, os seguranças despreparados sem falar no despreparo dos funcionários para o uso dos extintores de incêndio (segundo alguns, estes últimos não funcionavam).
Que a tragédia da Kiss sirva para a indústria do entretenimento rever seus conceitos de segurança. Afinal, a possibilidade do sinistro, por mais remota que pareça, é latente em qualquer ocasião.
Não sinto a mesma dor daqueles que perderam filhos e amigos, ou mesmo daqueles que inalaram a  densa fumaça da morte e, em um ato de desespero, conseguiram escapar. Mas sinto a consternação de estar sujeito a um cataclismo como este e fico a imaginar como estariam meus amigos e minha família em uma situação desta natureza, vendo-me imolado por uma das coisas que mais gosto.
Fico triste pelas famílias que acompanharam o prelúdio supracitado e, agora, se encontram velando seus filhos. Que Deus console estas famílias e que Santa Maria nos ensine a prevenir catástrofes desta natureza.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A palavra mágica: Outro causo de Caturité


Durante minha estadia em Caturité, em 2007, precisei sair do escritório para realizar algumas fiscalizações, porém nenhuma delas foi tão marcante quanto a de uma localidade chamada Anjico do Monte. Não conhecia, nunca havia ouvido falar e parei de me julgar quando soube que não eram poucos os moradores da cidade com a mesma dúvida.
Através de conversas com amigos, fui apresentado a um mototáxi que me garantiu conhecer a localidade como a palma de sua mão. Marcamos o horário para o dia seguinte e eis que, pontualmente, as 8:15 da manhã o homem estava no escritório me aguardando. Nesta aventura pude comprovar que as palavras do homem eram verdadeiras, em todas as propriedades que chegávamos ele ia à frente, chamava o proprietário pelo nome e, quando eu me aproximava, ele já havia quebrado o gelo e falado sobre o motivo da visita.
Rodamos das 8:15 às 16:20 [sem pausa para o almoço]. Chegando ao escritório perguntei-lhe quanto custou o serviço e ele, com um sorriso tímido, murmurou: “Diga você”.
Pensei na tabela de preços de Campina Grande [e que eu lhe tomara um dia de serviço] e dei-lhe uma quantia X, achando que não fizera mais do que minha obrigação. Ao que ele apertou minha mão e deixou o escritório.
No dia seguinte soube, na Padaria, que o homem havia chegado lá extasiado com a “bondade e senso de justiça do senhor André” a quem fez vários elogios...
Chega a hora de voltar à Serra: Fazia-se necessária uma caminhada de pouco mais de um quilômetro até o ponto do ônibus. Via de regra o preço que os mototaxistas cobravam por este trajeto era R$ 1,00. Não aguentando fazer tal caminhada, recorri aos serviços de um rapaz de moto, que passava na hora, desconhecido até então, ao descer, perguntei quanto custava o serviço e ouvi outro simpático “Diga você”.

domingo, 13 de janeiro de 2013

De volta ao habitat...


De volta ao meu habitat natural, já posso pensar com calma sobre minha ida à Guarabira. Havia ido outras vezes àquela cidade, mas sempre por razões outras que não esta minha nova “tara”.
Preciso confessar que me senti tentado a descer em Areia é só voltar para casa quando acabasse com o estoque dos oito engenhos, mas meu senso de responsabilidade (aliado à falta de dinheiro) me fez seguir viagem até a cidade natal de Ronaldo Cunha Lima.
Acostumado com o frio da Serra, uma leve subida na temperatura me deixou atônito, assim como o fato do endereço do hotel (Contido no site) estar errado. Mas, não morri (Vai dizer que você não achava que essa mensagem era automática?)... A noite, andei um pouco pela praça da avenida principal, lembrando minha primeira ida àquele lugar. Nossa, como meus objetivos mudaram!
Encontrei mais gente de fora do que meus amigos da cidade... Como sempre, essas viagens me reservam muitas coisas interessantes, muitas conversas agradáveis e a oportunidade de explorar diversos mundos, fora desta minha pequena lua.
Realizamos as provas com a maior seriedade possível! Se passaremos ou não, não sei e – em última análise – isto, agora, não tira meu sono.
Falando em sono, preciso dormir... Já fazem dois dias que não durmo direito!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Caturité, Severo Macedo e a história sem um final


Quando trabalhei na cidade de Caturité, em 2007, vivi uma cena inusitada. Estava eu na localidade de Pedra d’água (Perto da Serra de Bodopitá) quando fui abordado por um senhor que, olhando o sobrenome do meu crachá, quis saber da parte de minha árvore genealógica que me ligava àquela região.
Disse ele ter conhecido meu avô, o que não seria estranho; pois Pedro Macedo foi conhecido por sua geração naquela região: "Um homem como poucos... Tão bom que não deu certo na política", Disse ele. Conversamos animadamente naquele mercadinho enquanto eu aguardava o transporte que me levaria de volta ao perímetro urbano da cidade e ele, a carona que o levaria à cidade vizinha.
Eis que o homem começa a falar sobre meu bisavô (pai de minha avó) com certa emoção, ou mesmo devoção:

 - “Seu Severo Macedo foi um grande homem. Eu nunca vou esquecer uma palavra que ele disse a meu favor uma vez... Teve um dia em que eu”...

Nisso, ele foi bruscamente interrompido por gritos e um som ensurdecedor de buzina. A carona que o levaria a Boqueirão chegara e, como que apressado, se despediu de mim com um abraço e foi embora.
Não sei seu nome, nunca mais o encontrei, não sei sequer se ele está vivo e voltei para Campina Grande sem saber o final da história...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Aproveitando a metáfora ridícula de Galvão Bueno...


Na tentativa de criar um bordão, Galvão Bueno atribuiu aos lutadores de MMA a alcunha de “Os Gladiadores do Terceiro Milênio”... Embora haja lógica na afirmação a classificaria como uma metáfora pobre. Na verdade, semanticamente, parece mais uma comparação do que necessariamente uma metáfora, visto que as semelhanças são tantas que a afirmação chega a parecer com “Cães, os lobos domesticáveis”. Entretanto, queira eu ou não, é uma construção possível e temos que continuar aturando o Galvão.
Hoje começa a edição do campeonato de futebol deste ano na Paraíba. Como meu time estreia, já estou de ingresso na mão e na expectativa. Ah, os estádios! Fico imaginando o que levou os Militares a construírem estádios Brasil a fora durante os anos de ferro da ditadura. Fico imaginando por que, em ano de copa do mundo, os presidentes se preocupam com a posição de nossa seleção e por que prefeituras e parlamentares fazem doações para times assim como investem em infraestrutura dos estádios.
Esses sim me parecem os Gladiadores do Terceiro Milênio. Em Roma, eles tinham a função de fazer com que a população não pensasse na fome e no desemprego. Bem... Mudam os gladiadores, permanece o desemprego e aumentam-se as fomes. Hoje a fome não se prende ao sentido gastronômico do termo, foram construídas em nós fomes que nos tornou seres insaciáveis; e estas impossibilidades fizeram de nós pessoas frustradas. Mas, não pensemos nisso! Assistamos nossos gladiadores e vibremos com eles... Não falo aqui como um analista, mas como alguém que vai ao estádio assistir o espetáculo e, ao menos por 90 minutos, poder pensar que as intermitências da vida se resumem a um impedimento ou uma falta não marcada.