sábado, 14 de abril de 2012

Novo Pacto Federativo vs Velhos Costumes

Dizer que o atual pacto federativo privilegia o poder central é navegar nas tranquilas águas do óbvio. Afinal, o que é possível se perceber é que os políticos locais se acotovelam estendendo seus pires na direção do todo poderoso Leviatã, que observando, em algumas ocasiões, aspectos políticos, “dão a devida esmola” às unidades federativas, gerando fatos curiosos.
Quem não se lembra de governadores tucanos, a exemplo de Cássio Cunha Lima e Aécio Neves, tentando convencer suas respectivas bancadas a manter a CPMF? Quem não se recorda, com náuseas, o anuncio de uma usina de biodiesel em Campina Grande que, curiosamente, não chegou a ser construída? De modo que há até quem imagine que foi perseguição de Lula pela derrota de seu candidato.
Esses e outras dezenas de acontecimentos deixam muita gente a pensar: E se os Estados e Municípios recebessem mais recursos, será que “os presidentes” continuariam com as insígnias de semideuses? Afinal, somos expostos a uma carga tributária cruel e toda submissão e poder de barganha advêm da concentração destes recursos. Como sempre tem quem me ache exagerado, não me importo mais que isso, e diria que vivemos um sistema feudal moderno, no qual as unidades da federação abrem mão de parte significativa de seu prestígio e os entregam nas mãos do Senhor Feudal.
Esta vassalagem tupiniquim cria regimes personalistas, dificulta o aparecimento de novas lideranças, permite que o poder central engesse administrações de cidades menores em benefício de localidades maiores que recebem um volume desproporcional de recursos (não poucas vezes, enviados pela canetada de um conterrâneo ou correligionário).
Tudo isso me faz levantar duas questões: Sobreviveria o lulismo em um país com uma distribuição de recursos mais justa? E até quando os chefes do executivo continuarão atirando com a pólvora alheia e exibindo a caça com a arrogância de um exímio caçador?

terça-feira, 10 de abril de 2012

O que eles veem que nós não vemos?

A saída de Luciano Agra das eleições de 2012 fez nascer as candidaturas de Estelizabel Bezerra e Nonato Bandeira, além da pré-candidatura de João Gonçalves. Há de se compreender a postulação da primeira, afinal, o partido precisava dispor de um nome por ser João Pessoa uma importante base para o projeto Girassol no Estado.
Entretanto, sem querer desmerecer ninguém, quando se coloca na balança as candidaturas de Luciano Cartaxo, Nonato Bandeira, além da pretensão de João Gonçalves, o cenário passa a ficar menos inteligível. Não que os caciques não sejam dotados desta dádiva da natureza, pelo contrário, o são e não é pouco. Só que nossas mentes de meros mortais precisam se esforçar um bocado para compreender o Ás na manga dos postulantes.
O que faria Nonato Bandeira deixar a segurança da pasta das comunicações no Governo do Estado? O que faria às prévias do PT chegarem às vias de fato, com direito a xingamentos e empurrões em nome da tese de candidatura de Luciano Cartaxo? O que faria João Gonçalves querer enfrentar na convenção o presidente do seu partido que, diga-se de passagem, aparece muito bem em todas as pesquisas?
Deve existir alguma equação pitagórica que explique esses questionamentos. Por hora, uso meu espaço para supor o óbvio. “E se”, assim como José Maranhão, Cícero Lucena fosse impedido de concorrer à prefeitura por conta de seus processos na Justiça? Ora, sem o atual prefeito, com altos índices de aprovação, e sem os dois ex-governadores a disputa fica mais equilibrada, as possibilidades de se ir a um segundo turno seriam praticamente divididas por igual. Lógico que a candidatura de Estelizabel seria turbinada pelo Governador e pelo Prefeito, mas, em um segundo turno, novas alianças são construídas e, pode-se dizer que, é – praticamente – uma nova eleição.
Mas, é claro, falo apenas de hipóteses, certamente os candidatos têm motivos mais eloquentes e razões para acreditar em vitória, afinal, alguns deles – como diz certo blogueiro – são capazes de ensinar rato a subir azulejo molhado, de costas.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Contas Rejeitadas: E Agora, José?

Esta Semana Santa, será marcada por sabores diferentes para a classe política paraibana. A notícia do possível impedimento de José Maranhão concorrer à prefeitura da Capital, devido à reprovação de suas contas de campanha, referentes ao último pleito, entristeceu alguns PSDBistas e devolveu às esperanças a alguns PMDBistas... A afirmação seria absurda se não soubéssemos que setores do próprio partido do ex-governador não estão/estavam satisfeitos com a sua postulação, a exemplo do deputado Manuel Jr que pleiteia a vaga. Do mesmo modo, correligionários do senador Cícero Lucena viam em uma aliança com o PMDBista uma possibilidade maior de “retomar” a chefia do executivo municipal, além disso, ele seria mais um atacando a atual gestão nos debates.
Não será absurdo, também, se José Maranhão conseguir reverter sua situação de inelegibilidade, visto que, esta lei da Ficha Limpa é uma verdadeira colcha de retalhos, dando margem a interpretações diversas. Mas, resistiria, sua candidatura, aos gritos de Ficha Suja? Suportaria, ele, passar pelo mesmo calvário que Cássio Cunha Lima passou na última campanha?
É inegável que, mesmo sem a possibilidade da aliança, em longo prazo, Cícero Lucena ganha força. Assim como e inegável o poder que a família Vital passa a ter dentro da legenda com a “queda” de José Maranhão.
Imagino que esta não será a melhor das Semanas Santas para o ilustre filho de Araruna. Sem mandato, vendo a possibilidade de concorrer ameaçada, vendo correligionários preparados para substituí-lo e sem poder de uma reação imediata. Há até quem brinque com suas contas dizendo: “O nome dele vai para o SPC”... Mas, como estamos falando de um político experiente, imagina-se que ele possa vá tirar um coelho da cartola. Assim: E agora, José?

domingo, 1 de abril de 2012

Futebol: Como Cristãos e Mouros

Que o estádio é a versão moderna do Coliseum Romano eu nunca duvidei. Embora nossos gladiadores recebem salários (alguns bem altos) e não necessariamente se vejam obrigados a se matarem entre si, a função social é praticamente a mesma. Eu, que não me arrogo de estar acima das convenções sociais, também compareço ao estádio, esqueço, assim como os romanos, da corrupção do senado, da ineficácia do Governo Central e não me insurjo contra o sistema... Perfeito!
Mas, parece que as torcidas ainda estão embebidas pela crueldade romana, pior que isso – pois, os romanos, ainda eram “civilizados” – nossos espectadores parecem anacronicamente transportados da barbárie para os tempos modernos.
Esta semana torcedores foram assassinados, invadiram o campo de jogo e, como o barbarismo é universal, nossa Paraíba não ficou de fora. Lamentável o enfrentamento das torcidas após um Clássico [tudo bem que, hoje, a polícia não soube como proceder agindo – curiosamente – de forma atípica].
Não fui ao Estádio hoje [me baseio em relatos e na previsibilidade das torcidas], mas nos últimos anos já presenciei brigas em estacionamentos, chuvas de pedras e outros atos de vandalismo desses verdadeiros marginais travestidos de torcedores.
Saber perder/saber vencer... Sou da opinião que quem vence deve ir às ruas comemorar e quem perde deve voltar para casa, calado e de cabeça inchada. Ai senhores torcedores, o futebol já existe para evitar estas tensões sociais, ou vocês acham que os governos militares construíram estádios [ao invés de universidades] em todas as grandes cidades por que razão?
Cumpram seu papel, gritem, brinquem (a rivalidade é sadia) e, se forem travar enfrentamento físico, busquem um adversário que valha a pena. A saber, àquele que não aplica seus impostos adequadamente...Somos muito mais do que os cristãos e mouros medievais ou, ao menos, deveríamos ser.