quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um ponto de equilíbrio: Ricardo Coutinho, Nero e Prometeu

O ser humano tem uma habilidade fantástica em observar apenas os detalhes que lhe são convenientes, convertendo-se, suas impressões, na maioria das vezes, em iconoclastias ou em verdadeiras epopéias. No cidadão comum esta conduta é aceitável, entretanto torna-se nociva para a sociedade quando é aplicada pelos órgãos de imprensa. Ora, a imprensa tem não somente a função de informar a sociedade, como também, de fazer registros históricos. Portanto, nada mais honesto, com a sociedade atual e com a futura, do que buscar um ponto de equilíbrio.
Quem não mora na Paraíba, e se informa a respeito do Estado com determinados jornais, diria que a mesma é governada pelo imperador Nero. E o pior, não o Nero histórico, pois mesmo deste é possível se ler registros de ações positivas como avanços nas áreas do comércio e da diplomacia, por exemplo. Quando se observa determinados jornais, a impressão que se tem é a de caos, de desgoverno, de ditadura e, ao contrário de Nero, não há – nesses veículos – quem registre um avanço sequer.
Lendo outros veículos tem-se a impressão de que o Estado é governado pelo mítico Prometeu e que, o pobre governante, está sendo punido, pelos grandes, por “entregar o segredo do fogo aos homens”, ou seja, lutar para libertá-los da dependência que tinham daqueles, tornando-os capazes de lutar/pensar por si mesmos. Aqui o governante não apresenta defeitos e, em sua cruzada pelo bem comum, arremessa-se bravamente contra tudo quanto venha a ameaçar o interesse comum.
Soa fantasiosa a tese de um governo perfeito, assim como soa mais fantasiosa ainda uma administração que não tenha nada de bom para mostrar. O governo atual apresenta reveses? É obvio. Mesmo nos melhores governos que a Paraíba teve – e nos que ainda virá a ter – determinados setores serão desagradados. Entretanto, para que se diferencie jornalismo de assessoria de imprensa, é preciso que alguns setores parem com a idéia de caos e, mesmo continuando com as denuncias, tenham o espírito público de retratar os avanços da atual gestão.
A justiça, não poucas vezes, falha. Entretanto a história é implacável e haverá, sempre de fazer justiça aos injustiçados e denunciar os injustos, sejam agentes políticos ou mesmo jornalistas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

E o julgamento dos mensaleiros?

Hoje, em meio a uma rápida passagem pela Capital do Estado para resolução de assuntos de cunho acadêmico, fui surpreendido pela notícia da condenação de Marcos Valério a nove anos de prisão. Se ele vai ao cárcere ou não, a história é outra. Caso vá, o empresário ficará menos de cinco anos preso [e falo em cinco anos sendo severo]. Entretanto é importante para a sociedade ver [ou ter a impressão] que, no Brasil, empresários também são submetidos a julgamentos.
O problema é que esses mesmos brasileiros que assistem à tal condenação, perguntam: Onde está o julgamento dos Mensaleiros?
No ritmo que vai, antes do fim do julgamento, alguns destes criminosos terão suas penas prescritas. Imagine o que é, para um cidadão de bem, ver o processo bolando Supremo Tribunal Federal sem um desfecho. Imagine o que é, para este mesmo cidadão, observar que, em alguns casos, como dos ex-governadores da Paraíba e do Maranhão, em dois anos, passam por todas as instâncias, inclusive, com aplicação de severas penas. Ao contrário de outros que levam anos para ser julgados...
Não acredito que a Instituição de defesa de nossa constitucionalidade tenha dois pesos e duas medidas. Entretanto, caso este crime venha a prescrever, haverá um mal estar generalizado. Quase tão corrosivo quanto o mal é a aparência dele. Em nome do princípio da Moralidade toda a alcatéia mensaleira deve ser julgada!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Algo além do discurso

O inicio da gestão Ricardo Coutinho foi marcado por algumas crises. Para a oposição, culpa da ingerência do chefe do executivo; para o Governo, resultado de um choque de gestão que, entre outras coisas, desalojou algumas sanguessugas que se alimentavam de dinheiro público há décadas.
O fato inegável é que a crise existe. A mais retumbante de suas facetas é a quebra de braço com a UEPB. Por questões de foro íntimo e por falta de profundidade na questão, abstenho-me de comentar o mérito da sanha. Porém, a impressão que tenho é que as partes perderam a vontade de dialogar. Assim, sentam-se na mesa de negociações irredutíveis e, de lá, vão à imprensa trocar acusações.
Os representantes da situação negam qualquer existência de crise, os representantes da oposição bradam aos quatro cantos que estamos sob a égide de uma ditadura, mas ninguém aponta uma solução concreta para os problemas da Paraíba.
Nossa classe política, não poucas vezes, parece àquele ex-namorado que – inconformado com o fim do relacionamento – comete o que se chama de crime passional, dizendo: “Se ela não for feliz comigo não será com mais ninguém”...
Nossos representantes precisam parar com a mesquinharia, precisam ser menos arrogantes, precisam, enfim – nas palavras de Vieira – mostrar que ainda existem pessoas que, por amor do interesse comum, é capaz de meter debaixo dos pés seus interesses pessoais.
A justiça e as urnas, não poucas vezes, falham, mas a história é implacável com agentes públicos mesquinhos.