terça-feira, 15 de julho de 2014

Pelo direito de saber...

Passada a copa do mundo, todo o lixo varrido para baixo do tapete vem a tona e os noticiários começam a ressuscitar cadáveres já putrefatos. Um destes mortos está sendo ressuscitado no Congresso Nacional [e, curiosamente, mantido debaixo do tapete por alguns]. O PL nº 4.148/08 - que voltou a tramitação com um novo corpo - refere-se a não obrigatoriedade de rotulagem de alimentos transgênicos com uma identificação de tal característica.
Trocando em miúdos, perderíamos o direito de saber o que estamos comendo [o que fere - em mais de um inciso - o artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor]. Não tenho sequer coragem para comentar o que levaria um parlamentar a cogitar este tipo de lei, mas é de se pensar que seria algo menor do que o interesse público e maior do que o ardil totalitário [que de tão óbvio, me abstenho de mais divagações].
O problema é ainda maior quando pensamos, acima da lei mencionada, no princípio que é ferido. Afinal de contas, qualquer lei que não seja pensada para atender ao interesse público já nasce divorciada do valores democráticos e republicanos e qualquer interesse que fira tal princípio é indigno de compor o nosso sistema de leis, dito tão avançado.
O corpo novo não consegue disfarçar o sorriso draconiano deste verme e certamente alguns dirão que é inofensivo [ah, haverão sim alguns], mas; em uma República não cabem segredos, ou - então -  precisaríamos reconhecer que o tempo do arbítrio ainda nos governa tal qual nos anos de ferro que mancharam de sangue e luto a nossa história.
Acho válida a campanha do IDEC [Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor] que pede um envio em massa de mensagens aos deputados para, através da pressão popular, devolvermos este Frankenstein ao mundo dos mortos, antes ele do que nós.
 

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