terça-feira, 1 de julho de 2014

A ladygaguização cotidiana

A Copa do Mundo se encaminha para o final, mas ladygaguização cotidiana não. Esta é quase uma constante em nossa Ilha de Vera Cruz. Carnavalizar eventos festivos faz todo o sentido, sobretudo eventos como a Copa aonde pessoas de todos os cantos do país e do mundo buscam viver, intensamente, momentos que dificilmente se repetirão outra vez [não com os atuais atores em vida]. Passado o mundial, assistiremos à carnavalização das eleições. Nela, as discursões e reflexões sobre propostas de governo e modelos de gestão ganham um caráter de micareta, as "torcidas" são quase tão apaixonadas quanto as da Copa [ou até mais] e - em nome de uma virtude que seu ídolo supostamente tenha - acaba achando que todos o seus defeitos são justificáveis; vibram, ouvindo frases que nem sempre têm sentido...
E minha fala não é um mero elitismo, afinal as paixões não fazem distinção de classe social ou nível de instrução. Ao longo dos meus trinta anos [putz] já assisti a pessoas muito mais instruídas que eu defendendo causas e bandeiras indefensáveis [e de forma gratuita]. "Compre alguém" - dizia um professor - "e este alguém estará com você até aparecer uma oferta mais lucrativa; mas se você ganhar o coração, a pessoa lhe será fiel de graça e ainda lhe ajudará conquistar outros apoios".
O engraçado é que no outro extremo estão os apolíticos, que acham os demais "uma horda de ignorantes", mas, mesmo assim, deixam que eles decidam o futuro da cidade, do estado e do país. Eu não sou dos mais inteligentes, mas me recuso a deixar decisões que afetem a minha vida nas mãos de quem não considero preparado. "Os partidos políticos não me representam", brada o militante. Ora, se nós somos tão bons e os partidos tão ruins, que nos filiemos e mudemos os partidos [juro que falo sobre isto m outro post].
Nunca fui contra a realização de grandes eventos no país [nem eu, nem ninguém de bom senso], nem contra o divertimento coletivo, o que preocupa é esta nossa mania de transformar tudo em um grande espetáculo e, ironicamente, entregarmos o papel de protagonista a quem menos achamos ter condições de exercê-lo. Enfim, compremos cerveja e aguardemos o carnaval, digo, as eleições.

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