quarta-feira, 28 de maio de 2014

Nem Compadre Washington Escapou: Tu, tu, tu, pá!


Desde novembro último, o blog andava abandonado... Não quero dizer com isso que retomarei as atividades com a freqüência de antes, mas certos acontecimentos não podem ficar sem registro. Na manhã de hoje fui surpreendido com a notícia de que o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) considerou desrespeitosa a utilização do termo “ordinária” na propaganda do Bom Negócio. Não vou mencionar outros casos do CONAR para não fugir do foco do post, mas anotem e cobrem.
Conversava, agora a noite, com um funcionário do Jornal do Café que proferiu a máxima: “Antes éramos cerceados, em nossa liberdade de expressão, pelos militares; hoje quem o faz é a própria sociedade, com a estranha mania do politicamente correto”. Concordo com 75% da afirmação: alguns dos excessos que foram coibidos eram – de fato – abusivos, entretanto estamos migrando para o campo da paranoia.
Uma interpretação possível da propaganda em discussão poderia postular que aquele tipo de comportamento, do Compadre Washington, “não cabe mais na vida” da sociedade atual, assim como o aparelho não mais cabia na vida daquela família. O termo “ordinária”, na propaganda, não recebe valoração positiva, antes é rejeitado – junto com todos os outros. Se estamos falando de termos que não podem ser usados, independente de sua valoração e contexto, seremos testemunhas de uma verdadeira caça às bruxas, já que o contexto é quem determina se há ou não incitação a um determinado ato ou preconceito.
Se nós, da imprensa, nos calarmos diante destes tipos de abuso, não tenha dúvida que seremos as próximas vítimas. Um jornalista que apóia o cerceamento de liberdades (por pequenas que sejam) é tão coerente quanto um judeu filiado a um partido nazista. E a você, que não é capaz de compreender o gradual processo de amordaçamento da mídia, só posso dizer, citando um grande teórico: “sabe de nada, inocente”.

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