quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sobre Identidade e o Quadradinho de Oito

Dias corridos têm me mantido longe do blog. Do Congresso da UNE à matrícula como aluno especial - em uma disciplina do Mestrado em Ciências Sociais -, um dia, falo sobre essas coisas com mais calma. Estou hoje por aqui, movido por uma conversa com certo radialista de Campina Grande.
A conversa girava em torno da denuncia do Conselho Tutelar, agora investigada pelo MP, contra o Bonde das Maravilhas [aquele conjunto do Quadradinho de Oito que, agora, lançou o Quadradinho de Borboleta]. Segundo a 1ª Promotoria da Infância e Juventude de Niterói, há violação do Estatuto da Criança e do Adolescente [artigos 17 e 18]. As coreografias, conforme a tese, teriam cunho pornográfico.
O empresário do Bonde já fala em lançar músicas para atingir o público infantil e afirma que as denuncias são de “pessoas incomodadas com o sucesso das meninas”.
Grupos de cults-fakes [nos quais me incluo] têm tecido duas críticas ao conjunto, mas pensávamos hoje a tarde: As meninas não vieram de Marte, são – antes – o resultado de anos de exploração da sensualidade feminina como forma de brasilidade. 
A grande questão é que, como tudo hoje anda tão banalizado, está se tornando cada vez mais difícil chamar atenção, o que tem feito com que alguns a levem os atributos, os quais se pretende evidenciar, ao extremo.
Discutir a dança do Quadradinho de Oito é, antes de qualquer coisa, debater sobre identidade cultural. Este tipo de dança causa identificação em parte da população que, com as pernas para o alto e remexendo o bumbum, sentem-se partes de um todo complexo chamado Brasil.
Enfim, queixemo-nos não somente do Bonde das Maravilhas, mas de toda uma carga ideológica machista, à qual demos nossa contribuição, que gera este tipo de comportamento. Como todo fenômeno desta natureza é formado por: inicio, apogeu e declínio – para logo ser substituído por outro – calculem a “marmota” que deve estar por vir.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eita! Inteligentemente massa a reflexão e o texto!

Anônimo disse...

"E assim caminha a humanidade: com passos de formiga e sem vontade..."
E a dúvida persiste: isso tudo é passageiro? tem cura?
Do jeito q as coisas vão...resta-nos assistir(resignados ou mesmo revoltados e calados) a banda passar.
"Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil."

Papih