quarta-feira, 15 de maio de 2013

Somos Tão Jovens [ôps, eu não]...


Fui desarmado assistir ao filme “Somos tão jovens”, afinal, depois de ler a crítica ao “Homem de Ferro” e assistir ao filme, me senti um pouco decepcionado [com a crítica], parece que os críticos levam mesmo a sério o ‘por em crise’ que a etimologia da palavra designa.
No geral o filme é bom. Mostra – como plano de fundo – a cena punk nascendo em Brasília e o modo de vida dos chamados ‘filhos da ditadura’ [grupo composto por pessoas que eram adolescentes quando a ditadura estava em queda no país]. A trama foca na vida pessoal de Renato Russo, trazendo ao conhecimento do público os seus primeiros anos de carreira.
Uma boa incrementada no roteiro poderia tornar o filme mais interessante, não, não estou dizendo que o filme é ruim; mas penso que a história foi mal explorada e que haveria mais ‘pano pra manga’.
A semelhança física entre aquele que representa e seu representado é inegável, mas penso que o ator passaria por mais algumas oficinas antes de estrelar no papel... Se eu fosse crítico de cinema, daria um sete e meio a ele [embora seja bom, para mim, enquanto ator, ele não está à altura do papel]. O ator que fez o Renato Russo em “Por toda a minha vida”, da Globo, embora mediano, representava melhor do que o rapaz do filme; mas isto não tira o valor histórico do filme assim como não o desqualifica como um todo.
O elenco e o roteirista são compensados pela interessante história vivida por Russo. Assim, se você é fã da Legião Urbana, recomendo o filme e fico na expectativa de um filme que trate do início à morte; pois, após o primeiro álbum, tem – ainda – muito o que se falar do cantor.
Mais do que isto eu evito falar por mera suspeição... Afinal não consigo ser isento ao falar do maior artista que a minha geração conheceu.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Cartas Portuguesas: O doloroso privilégio de amar


Depois de esperas e expectativas, li as chamadas “Cartas Portuguesas” da monja Mariana Alcoforado... Acho que, em relação às obras epistolares, a religiosa só não supera o Apóstolo Paulo e, no nosso idioma, não conheço correspondências mais viscerais.
Após um romance com um oficial do exército francês, em serviço em Lisboa, Mariana apaixonou-se perdidamente e, com a partida do seu amado, entregou-se a um misto de espera, dor e sofrimento voluntário. Suas cartas relatam o seu desespero na espera daquele que, com suas correspondências indiferentes, dava pistas de que não tencionava voltar aos seus braços.
A correspondência mostra uma mente passional, mas com um profundo conhecimento da escrita. Enclausurada no convento, as cartas funcionavam como uma espécie de escape para a moça. Nelas, se nota a submissão e o desprendimento com que ela se dá sem nenhuma espécie de reserva ao objeto de seu amor. A partir da conjunção entre eles, para a moça, ele passara a fazer parte de sua instância, deste modo, sua ausência a tornara incompleta. E, vendo a impossibilidade de se sentir completa mais uma vez, a autora  das cartas se desespera.
Durante anos, as Cartas Portuguesas permaneceram anônimas. Só em 1810 a freira foi reconhecida como autora e, hoje, cinco delas emocionam críticos literários e apaixonados ao redor do mundo. Assim como Abelardo e Heloísa, Tristão e Isolda e Romeu e Julieta, Mariana ousou amar, ousou mergulhar – sem garantia alguma – nos obtusos braços do desconhecido. Sofreu como poucos, mas, sentiu – de igual modo – o que poucos privilegiados sentem, afinal, como bem disse Hermann Hesse [Prêmio Nobel de Literatura]: “Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito”. Imitando um conterrâneo da notável autora, digo: Abram os umbrais dos céus e perguntem à senhorita Alcoforado se, mesmo sabendo das agruras por que passaria, ela abriria mão de fazer tudo da mesma maneira.
Que nos deliciemos com a leitura destas cartas e aprendamos com a jovem e bela monja.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sobre Maio e a Cachaça


Maio, quinto mês do nosso calendário. O nome é oriundo de uma deusa da mitologia grega chamada Maya, mãe de Hermes. Conforme a tradição católica, é o Mês Mariano, convencionou-se – de igual modo – que este seria o mês das mães, para outros o mês das noivas...
Este mês marca – também – algo importante para a economia nacional e para a identidade nordestina. O início da colheita da cana-de-açúcar. Ora, tal colheita nos remete aos tempos coloniais nos quais a economia da colônia girava – basicamente – sob a tríade monocultura/escravidão/latifúndio. Mas, passada esta época, a cultura da cana de açúcar das antigas capitanias ainda resiste no interior dos, agora, estados da Federação com outro direcionamento.
O pró-álcool, dos governos militares, fez com que grande parte de nossa plantação fosse não mais destinada aos engenhos, mas às usinas; mudança esta que afetou drasticamente nossa economia. Em alguns dos estados aonde a economia gira em torno das usinas, a concentração de renda quase que beira moldes coloniais, de modo que há quem afirme que os donos de usina são os senhores de engenho de nossa época e, levando-se em conta a forma de colheita e a influência política destes empresários, não é uma tese a se desconsiderar sem estudo.
Dos poucos engenhos que resistem, alguns se modernizaram e, no interior da Paraíba, produzem algumas das melhores cachaças do país, como a Volúpia – premiada por diversos órgãos como a número um do Brasil – fora isto, temos engenhos sustentáveis, como o da cachaça Triunfo, que utiliza o bagaço da cana e a chamada cana de cabeça [imprópria para o consumo humano] como combustíveis de sua produção. É como se os senhores de engenho tivessem se tornado empresários da cachaça e os empresários, senhores de engenho do combustível.
Mas eu, particularmente, ainda prefiro os engenhos mais rústicos; daquela cachaça, vendida nos bares do brejo paraibano, que não tem rótulo, que você respira perto dela e sente o cheiro da cana de açúcar, que você bebe e ao final do gole sente um gostinho de rapadura.
A safra dura até Setembro, ansioso pela produção da cachaça Rainha e de tantas outras da região dos engenhos paraibanos. Não, não sou um alcoólatra, longe de mim. Mas sou um degustador desta cultura que tanto influenciou e influencia às nossas vidas e movimenta à economia de nossa região.
Este é o Brejo, esta é a Paraíba... Bem vindo, Maio!