sexta-feira, 22 de março de 2013

Navegar é preciso. Viver não?


Esses últimos dias têm sido um tanto pesados. Nunca imaginei que estudar documentos voltados à educação fosse, para mim, mais complicado do que a compreensão dos códigos que regem o direito. Temos empreendido esforços nestes documentos no intuito de pleitear uma vaga em concurso público. O fato é que os dias têm se passado de forma rápida, minhas manhãs tem quase encostado uma na outra enquanto estou, no quarto, buscando compreender planos decenais e concepções modernas e ultrapassadas, pedidas em edital.
Não penso que isso é um "privilégio" meu, afinal, conheço pessoas que estudam muito mais do que André Macedo. Esta parece ser uma das chagas de nossa geração!  A competição, a luta pelo mercado – que é uma metáfora da luta pela própria sobrevivência –, tem nos impedido de fazer coisas simples como nos sentarmos em um banco de praça e jogar conversa fora [ou milho aos pombos].
Mesmo os nossos momentos de lazer são em função do pandemônio em que vivemos. É como se precisássemos carregar as baterias para voltar ao ringue. É como se, como dizem alguns adeptos da teoria da conspiração, o domingo fosse um descanso não pela “piedade” do sistema, mas uma forma de fazê-lo render mais na segunda-feira.
No final das contas, quando nossas vísceras estiverem debaixo de sete palmos, de que valerá toda esta correria? Não sei... Mas, certamente, hoje, ela [a correria] nos promete mais do que a inércia! O fato é que corro agora, para diminuir o ritmo um dia, de preferência, em um Pub em Amsterdam [Um antigo sonho].

domingo, 17 de março de 2013

Palhinha

Em nossas peregrinações pós-lei seca, fomos apresentados à Tenda Mundo. Um espaço interessante, arejado e com boa música. Em um dado momento, toquei algumas músicas; tudo registrado pela lente do amigo Flávio Evangelista.

Enfim, deixo-vos o link: http://www.youtube.com/watch?v=F5APAGn9IZo&feature=youtu.be


sábado, 16 de março de 2013

Oz – Mágico e Poderoso


Quarta-feira, saturado de meus doze trabalhos, resolvo ir ao Cinema como forma de encurtar o dia. Em cartaz, dentre farraparias e esplendores, o filme “Oz – Mágico e Poderoso”, fui desarmado, não deu tempo ler nenhuma crítica acerca da produção, o que de certo modo é bom.
Os efeitos 3D do filme são muito bons e, na minha humilde e leiga opinião, superou os efeitos de badaladíssimas produções como, por exemplo, Imortais. De modo que recomendo que se gaste um pouco mais, não assistindo a cópia em 2D, disponível em uma das salas.
A trama em si não traz muita coisa nova. A trajetória do herói, do teórico Campbell, é visualizada até por leigos, chegando ao ponto em que, com um pouco de vivência com filmes, se é possível à antecipação de cenas por parte do espectador. Mas o filme não é ruim: metáfora da maçã e morte espiritual, embora batida, deu certo tempero à trama; assim como determinadas mudanças de direção que, embora poucas, fizeram a diferença.
Quem me conhece e assistir Oz, certamente saberá que me apaixonei pela Menina de Porcelana.
E peço a quem assistir que me tire uma dúvida: O personagem principal, tecnicamente, ensina aos nativos como obter a pólvora, não é? E, entretanto, a Bruxa Boa, ao ver seus efeitos, exclama: “Fogos de artifício” [ela não poderia saber o que eram fogos]... Como ela é um personagem em dois planos, eu posso ter deixado passar a “ligação dela nos dois mundos”. Ou, o roteirista fez besteira e quebrou o chamado Tratado de Veridicção.
Enfim, recomendo o filme. A tal trajetória do herói, embora recorrente em muitos filmes, sempre nos faz pensar acerca de nossos próprios valores e, em última análise, obter a sonhada e purificadora Catarse.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sobre Marco Feliciano e a Cidadania de Ocasião


Nos últimos dias, tenho acompanhado protestos de alguns “ativistas dos direitos humanos” contra a escolha do Deputado Pastor Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Quanto à pessoa do Feliciano, eu não tenho nenhum interesse e não perderia tempo com a aquisição de conhecimento de algo dessa natureza; quanto ao teólogo, acho suas teses ridículas e não depreciarei meu teclado comentando nenhuma neste Blog; quanto ao político, este, infelizmente, precisa nos interessar, principalmente quando o homem e o teólogo, certamente, interferirão nos seus julgamentos.
Eu, favorável à permanência dele? De forma alguma. Não vejo em que ele possa representar os Direitos Humanos e, a menos que alguém me mostre em sua biografia algo que o qualifique para tal, não mudarei meu julgamento.
Entretanto, é bom que se diga que os mesmos paladinos da justiça que bradam contra Marco Feliciano se emudeceram quando da eleição de Renan Calheiros para presidir a casa alta do Congresso Nacional.  “Ah, mas isso já faz tempo” – me dirá algum dos guerreiros da democracia.  Fingindo que acreditamos nesta tese, então, falaríamos do presente. Assim como Feliciano foi indicado pelo partido para presidir a comissão supracitada, os condenados pelo STF José Genoino (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP) foram indicados, pelo PT, como membros da Comissão de Constituição e Justiça, talvez, a mais importante da Câmara. E não esqueçamos o deputado Paulo Maluf, membro da mesma comissão.
Enquanto esta cidadania de ocasião fizer com que nos indignemos contra algumas coisas e fechemos os olhos para outros acontecimentos de igual magnitude, nunca deixaremos de ser a pequena Ilha de Vera Cruz.
Este tipo de cidadania; que escolhe alguns indivíduos contra quem protestar e entrega, nas mãos de outros, um salvo-conduto quanto à ética e à moralidade; gera um maniqueísmo que divide o país, não entre bons e maus, mas entre os que podem cometer crimes e os demais. Seguindo neste ritmo, não demoraremos muito a estar como a nossa vizinha Venezuela e, o pior, com o apoio de uma maioria de fantoches, para a alegria de uma minoria de ventríloquos.

Um Papa Jesuíta


Saindo do cinema, dou de cara com o atleta Pezão [lamentei não ter levado uma câmera fotográfica, nunca esquecerei o gesto com a bandeira paraibana], repentinamente, me pego andando com pressa em direção à parte externa do shopping e penso: “para que a pressa?” Olho, então, às notícias da internet [solvendo deliciosos goles de café] e me deparo com a fumaça branca no Vaticano.
A indicação do cardeal argentino deve ter sido uma surpresa até para o camerlengo [ou não]. E alguns dos “sinais” dão conta de novos tempos na condução da “Barca de São Pedro”. O Papa do Novo Mundo inicia seu pontificado, sob o ponto de vista político, em um ambiente menos abalado do que assumiu o seu antecessor. Substituir João Paulo II [unanimidade até mesmo entre os não-católicos], talvez tenha tornado o fardo de Bento XVI ainda mais pesado. Francisco assume uma igreja que está passando por crises, é fato, mas nada que se compare à perda daquele, talvez, tenha sido o melhor de todos os Papas.
Francisco é Jesuíta. Pensar nisso, remete à nossa colonização e ao processo de evangelização da América Latina. A própria escolha do nome Francisco, talvez, remeta a uma proximidade maior com os pobres, o que se confunde com o próprio estilo de vida do Cardeal Bergoglio que se locomovia de ônibus e cozinhava sua própria comida. Humildade, evangelização... Seria disso que a Igreja está precisando?
Enfim. Desejo sucesso ao Papa Jesuíta e espero que a Igreja, dirigida por ele, possa resolver suas questões internas. E, quanto às piadinhas infames, o que se pode fazer é ignorar esses iconoclastas que fazem piada de tudo. Não sou católico, mas me indignei com algumas delas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Somos Infelizes?


Esses dias, entre uma obrigação e outra, estava relendo os “Pensées” de Blaise Pascal e achei interessante sua argumentação acerca da “miséria do homem”. Ora, se buscamos recreação é para fugir de um estado de não-recreação, estado normal [Jura, Pascal?], mas, partindo deste ponto ele conclui que se fossemos deveras felizes, não precisaríamos correr atrás de sensações diferentes das que o nosso estado natural nos proporciona.
Assim, os divertimentos seriam uma forma de não pararmos para pensar em nós mesmos. Eis a razão, afirma o filósofo, por que os Reis contam com pessoas cuja única função é entretê-los da hora em que acordam até a hora em que forem deitar. Afinal, seria mais feliz um plebeu que se diverte do que um rei inerte. “Não podendo curar a morte, a miséria, a ignorância, os homens tomam o partido de não pensar nessas coisas para ser feliz”, completa.
Sem o divertimento, seriamos levados a um terrível estado de tédio e, uma vez assim, buscaríamos uma maneira de dar um fim a nossa vida, que é regida pelo movimento.
É bom que se diga que quando falamos em movimento, estamos acrescentando à carreira. Mergulhar por inteiro em um projeto, portanto, pode significar infelicidade nos outros campos da vida [além de desequilíbrio].
Mas nosso filósofo não é maniqueísta e – portanto –  não pretende fechar a questão com, apenas, duas assertivas. Afinal “o erro não está em buscarem o tumulto, se o buscam apenas como um divertimento, mas em buscá-lo como se a posse das coisas que almejam devesse torná-los verdadeiramente felizes”.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sobre o que falar?


Hoje seria um dia interessante para escrever alguma coisa sobre a visita da presidente Dilma à Paraíba, suas gafes e falhas... Poderíamos, igualmente, falar sobre a morte de Hugo Chávez, que me deixou – particularmente – triste; afinal os caudilhos deveriam viver para sempre ou, ao menos, tempo suficiente para ser pisoteados pelas galochas da história. Mas, hoje não é o dia de falar em coronéis. Poderíamos, ainda, falar da brilhante assessoria do (ex)prefeito de Itatuba que teve, hoje, suas contas reprovadas pelo TCE, por contratar – somente – um milhão em obras sem licitação durante o exercício de 2010...
Porém, hoje estou enjoado da chamada política partidária... Houve uma época em que os manuais de Maquiavel e Sun Tzu eram necessários na conquista e na manutenção do poder. Hoje, se dá um murro na mesa, um grito no microfone e a multidão, beirando o Êxtase de Santa Teresa, segue o “líder”. Mesmo que este cometa crimes e condutas imorais, seus seguidores sempre arranjarão uma forma de justificar, de dizer que é uma “invenção da mídia golpista”.
Não tenho medo de criticar o suposto lado em que eu esteja. Afinal, no protestantismo clássico, aprendi a ser vassalo – somente – de Deus e de minha consciência. Ando frustrado com o meu voto para a vereança [aguardo os cem dias de mandato para me manifestar sobre isso] e não seria capaz de negá-lo em nome de uma vaidade pessoal.
Enfim, vivemos em um país de pelegos e, enquanto o pão e o circo forem suficientes para calar a maioria, nunca chegaremos aos grandes debates que, de fato, interessam a nação.

sábado, 2 de março de 2013

Eu e o Calçadão da Cardoso Vieira


Hoje, pela manhã, resolvendo questões de cunho pessoal, gastei alguns minutos no Calçadão da Cardoso Vieira... Ah, vez por outra gosto de sentar naquele café e ver a vida passar, enquanto supro a necessidade de cafeína do meu corpo.
Praticamente, todas as classes sociais de Campina Grande estão representadas no Calçadão, assim, o espaço serve como uma espécie de coração da Rainha da Borborema. É possível se discutir os mais variados temas enquanto seus sapatos são engraxados; desde a política local ao assassinato ocorrido na cidade vizinha. E você não precisa conhecer seu interlocutor... Não! Hoje, por exemplo, enquanto eu repensava e resolvia assuntos bem meus, fui inserido em uma conversa [de desconhecidos] acerca do preço de uma bandeja de prata que um dos palestrantes havia se interessado em adquirir. “Ah, mas três mil reais é muito dinheiro para uma bandeja, não é, mago?”
Em que feira do mundo se comercializa pamonha, aguardente e churrasco, manteiga natural, café, cerveja, literatura de cordel, cascas de madeira para chá, cópias de chaves, medicamentos, revelação de fotografias; dentre outras coisas; em um espaço de menos de cem metros quadrados? No Calçadão é possível ver isto e muito mais... Rapozeiros e Galistas, lado a lado, fazendo anedotas um com o time do outro, engraxates se acotovelando diante de seus sapatos, gente evangelizando e, as vezes, até pequenos shows de trios de forró ou bandas andinas... Enfim, o Calçadão é o mundo e, em última análise, o mundo inteiro parece estar na Cardoso Vieira.
Existem algumas coisas que me fazem sentir, de fato, Serrense da Borborema como: em uma madrugada de São João, no Parque do Povo, olhar em direção aos altos prédios e não ver determinados andares, cobertos pela névoa. Caminhar, ou mesmo correr, ao redor do Açude Velho, jogar conversa fora em uma “birosca” [como definiu minha amiga Luana Caluête] nas proximidades deste Açude e, mais do que qualquer outra, solver goles de café no Calçadão da Cardoso Vieira.
Ai, Campina, como eu te amo e, mesmo que as circunstâncias me levem para longe de ti, nunca deixarei que te levem de dentro de mim.