terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vinte e nove


Aquele menino magrelo e com olheiras tornou-se um homem magrelo e com olheiras... Às vezes imagino o que aquele menino diria se me visse hoje. Sou tentado a acreditar que ele não se agradaria da imagem. Afinal, ele não saberia das intermitências por que passei, não saberia dos impedimentos, dos adiamentos, das esperanças dilaceradas...
Poucos dos planos que aquele menino fez, foram realizados. Poucos dos mundos fantásticos vislumbrados, pelo infante, foram explorados e muitos de seus medos se materializaram.
Vinte e nove primaveras. E, diferente dos anos anteriores, tenho evitado refletir sobre elas... “Pensar faz mal”. O fato é que já se passou mais de um terço de meus dias e, diferente daquele menino, não posso mais me dar ao luxo de espernear pelo que saiu errado.
Troco alguns dos sonhos de menino pelas desventuras do adulto. E tento – a todo instante – me ocupar para não pensar nelas. Mas, resta-me o consolo de que sempre buscamos o caminho mais correto possível. Resta-nos a alegria de termos sido leais, quando a deslealdade parecia mais tentadora e de termos dignidade suficiente para olhar no rosto de amigos e desafetos, sabendo que gozamos do respeito dos dois grupos.
Não... Hoje é um dia de celebração! Prefiro, então, alimentar a esperança de que o menino me daria um abraço e diria:


 - Parabéns. E, quando eu crescer, quero ser parecido com você...


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O vento


Às vezes, eu – triste – invejo o vento
o qual, em sua incoercível ira,
sobre os seus inimigos se atira
e não há quem lhe chame “violento”

Enquanto em minhas pernas me sustento
Ele o chão, o mar e o céu, revira
Não há espada ou verbo que o fira
e eu cá na terra ferido e sedento!

Um dia, imerso em prantos – lhe falei
“Confesso que te invejo, mas eu hei
de domar-te e dar-te direção”...

 – Pobre mortal – me respondeu o Vento –
Mas como alcançarás a tal intento
Se eu, livre, te observo na prisão?

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Maceió, minha sereia


De certo modo, ainda estou pensando na desarrumação da bagagem e na arrumação da semana que, queira eu ou não, se inicia nesta manhã. Mas trago, mais uma vez, boas coisas da terra dos Marechais. Em cinco anos Maceió mudou um bocado e eu sou quase a mesma pessoa que desembarcou naquelas terras em 2007, com alguns cabelos brancos a mais e algumas convicções a menos; mais dúvidas do que certezas, porém as poucas certezas mais concretas e sistematizáveis do que as de outrora.
Como sempre, vivi umas situações curiosas: Entram no ônibus uma menina bonita e um velho roncador, quem senta na poltrona ao lado? Acertou quem votou no segundo ser. O mesmo se deu na volta [God is Good]! Uma mulher me para, no Shopping, para pedir informações ao que respondo: “I'm sorry. I can't understand you”. Ela, arregalou os olhos e saiu me olhando com um misto de encanto e espanto até que eu saísse de seu raio de visão. Falando em informação, ao terminar a prova, eu não havia andado cem metros quando um senhor me parou para pedir intruções, por conta de um alinhamento entre Marte, Júpter e a lua [durante o fenômeno Blue Moon], ele queria chegar ao prédio de onde eu acabara de sair. Então, me sentindo o próprio cicerone das Alagoas, indiquei-lhe o caminho...
Pude pôr os papos em dia com minha amiga, Mara Carol, com uma variação de temas que versaram da geopolítica boqueirense à mitocrítica e o imaginário literário [passando pelas marcas de cerveja alemãs... srsrs].
Na rodoviária, conheci um grupo que fizera a prova para analista. Um pessoal que, certamente, tem sonhos parecidos com os meus. O que, em uma hora de conversa, fez valer a viagem.
A prova, no bom estilo CESPE, me pregou algumas peças. De modo que não sai otimista da terra de Fernando Collor, mas pude ver que estou evoluindo, não foram poucos os temas que caíram antecipados por mim, nos estudos. O que nos abre boas perspectivas futuras, mas – é claro – não apaga a frustração deste aparente insucesso.
Só o tempo me permitirá saber o que esta viagem me acrescentou, por enquanto não posso namorar Maceió, então que eu “fique” com a bela sereia, na perspectiva de um dia ficar, no sentido de permanecer.