segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os poetas não morrem


Não suportei, tive que interromper meu afastamento do Blog para fazer um registro histórico para a Rainha da Borborema. A morte de seu filho mais ilustre, no último sábado, Ronaldo Cunha Lima, vítima de um câncer no pulmão. Ronaldo; que foi vereador, deputado estadual, deputado federal, prefeito, governador e senador; foi um grande visionário e desenvolvimentista da cidade de Campina Grande. Após sua administração a cidade adquiriu projeção nacional e passou-se a viver o que se chama de campinismo. Político carismático conseguiu, mais do que eleitores, seguidores, fãs. Dono de frases de efeito, protagonista de histórias que sempre farão parte do imaginário campinense – como seu famoso habeas pinho, dependurado na parede do escritório da maioria dos advogados que conheço –, este é Ronaldo que conseguia se comunicar com eloquência no meio dos grandes, mas conseguia se fazer entender no meio dos mais humildes.
Não fui ao seu funeral, a pressão não ajudou e achei prudente acompanhar a cerimônia pela transmissão em TV Aberta. Uma verdadeira multidão lotou o Palácio da Redenção – em João Pessoa – e, depois a Pirâmide do Parque do Povo [sua principal obra], em Campina Grande durante o fim de semana. O Parque do Povo, que sempre foi sinônimo de festa e alegria, se revestia do luto de uma geração que fica órfã. Ah, nunca mais os filhos de Campina poderão ouvir Luzes daRibalta sem um aperto no coração, sem lembrar esta triste melodia ao fundo no velório do Poeta.
A saudade, ao estilo Campinense, como disseram alguns jornalistas, é a maior do mundo. Milhares de pessoas, com fotos, camisas, faixas de suas campanhas e; acima de tudo; com histórias do poeta se enfileiravam para prestar a ultima homenagem aquele que soube – como nenhum outro – fazer com que os filhos da Rainha da Borborema tivessem orgulho de si mesmos.
Um silêncio ensurdecedor tomava conta das ruas da cidade, as pessoas se entreolhavam e com um olhar triste e com um movimento de cabeça se faziam entender. Vi em algumas fachadas, fotos fixadas do poeta. Adversários históricos compareceram ao funeral em um gesto de grandeza e reconhecimento.
Ronaldo foi o último nome de uma geração de oradores que teve Felix Araújo, Vital do Rêgo e Raymundo Asfora, como nossos representantes. A política de nosso Estado talvez nunca produza outra geração de mentes brilhantes como essas.
No trajeto até o cemitério os populares jogavam flores sobre seu ataúde, gritavam seu nome, derramavam lágrimas, enfim, se despediam do maior líder político que a cidade já conheceu.
Morreu o homem, nasceu o mito. Morreu o escritor, ficou a sua obra. Morreu o político, ficou o seu legado. Foi-se Ronaldo, ficou uma saudade e um vazio que não há como saber quando e se cessará. Resta nos consolarmos com a frase de Cássio Cunha Lima: “Os poetas não morrem, após uma vida digna, o poeta descansou”.

domingo, 1 de julho de 2012

Férias da internet? Rá


Encerrados o São João, as convenções partidárias e o período letivo; resta-nos muito a falar, mas pouca disposição para fazê-lo, assim, tentaremos dividir os assuntos interessantes em mais de uma postagem. Por hora, nos deixamos vencer pela ressaca de um mês movimentado e pelo desânimo que, tantas coisas juntas, insistem em nos imputar.
Passo o mês de Julho longe do Blog para me dedicar exclusivamente a projetos pessoais que precisam ser tratados com profissionalismo e dedicação quase que integrais. Além, é claro, de cuidar da saúde que não poderá titubear nos próximos meses. Um dia eu volto, como disse Argemiro de Figueiredo: “ninguém se perde no caminho da volta” e espero voltar em um estado melhor do que o do ser que redige essas linhas.

Até breve!

Treze, um genuíno filho de Campina Grande


Nos últimos dias uma luta entre David e Golias tem se desenrolado na Justiça e, como em muitas ocasiões, o David é filho da Rainha da Borborema. Ah, o que têm esses filhos de Campina que fazem parecer possível vencer adversários que outros jamais ousariam desafiar? Trata-se do embate entre o Treze Futebol Clube e a poderosa CBF. No ano passado o Rio Branco FC entrou na justiça comum, antes de esgotadas todas as instâncias da justiça desportiva, para resolver um problema de mando de campo. O que fere os regulamentos da CBF e resultou na exclusão do time acreano das competições nacionais por um período de dois anos. Isso beneficiaria o Treze, uma vez que o time de Campina Grande havia chegado na quinta colocação da série D – no ano passado – e, mesmo que o regulamento só tenha previsto a ascensão dos quatro primeiros colocados, a vacância – após a exclusão de um dos clubes – foi preenchida, em anos anteriores, com o clube da divisão inferior mais bem colocado. De modo que, mesmo não havendo previsão em regulamento, estamos falando de jurisprudência e a Paraíba não poderia ser tratada diferente dos demais estados.
Mas a CBF realizou um acordo ilegal, “retirando” a punição do Rio Branco, mantendo-o na série C e se comprometendo a não comunicar o fato a FIFA. Tudo certo, tudo fechado... A Entidade máxima do futebol nacional só esqueceu  um detalhe: Do outro lado havia um filho de Campina Grande sentindo-se injustiçado.
O Treze passou pelas instancias da Justiça Desportiva e, só então, ingressou na justiça comum, enfrentando CBF, STJD, Dirigentes de outros clubes e uma imprensa que reproduzia o discurso da CBF, tentando  - e até conseguindo – jogar os torcedores dos outros clubes contra o Galo da Borborema.
Mas, foi-se o tempo aonde um coronel vencia a questão com um murro na mesa. Foi-se o tempo aonde um pequeno tinha que se submeter aos desmandos de um grande e, enfim, foi-se a era em que o arbítrio e a truculência prevaleciam sobre a lei.
A Justiça comum deu ganho de casa ao Treze e, ainda, ameaçou CBF com punições como a intervenção e prisão de dirigentes. Repito aqui a frase do Presidente do clube, Fábio Azevedo: “Falam em força da CBF, mas eu acredito na força do Estado”, e foi esta que prevaleceu, o aguerrido Galo do São José venceu em duas instâncias e obteve vitórias em liminares na terceira instância. De modo que ouvir dirigentes e torcedores adversários esperneando é duvidar da capacidade dos tribunais.
É bom que se registre o desrespeito da CBF à Magistratura paraibana quando sugeriu que o processo teria resultado diferente se julgado fora do Estado, ora nossos juízes são parciais? Nosso judiciário é incapaz? Sugiro a quem pensar assim que formule uma denuncia ao Ministério Público e pare de falar bobagem na imprensa. Assim como espero que nossos magistrados reajam a esta afronta a nossa independência e respeitabilidade.
A entidade mexeu em um vespeiro. Esta semana um advogado de Campina Grande, e diretor do CCJ da UEPB, Cláudio Lucena, entrou com uma representação contra a CBF por ter descumprido o regulamento da FIFA ao deixar de comunicar a infração do Rio Branco. Vi o documento e aguardamos despacho.
O Treze venceu, e, sabemos que a dura missão está só começando, afinal a CBF, em nota, praticamente declarou guerra ao time de Campina Grande, de modo que podemos esperar os mais diversos expedientes contra o Treze, mas, independente do futuro, o alvinegro da Rainha da Borborema marcou história e se atreveu a estar de pé, quando todos estavam de joelhos. Espero que este processo seja um divisor de aguas e que isso redunde na democratização das federações estaduais e da CBF.
Um amigo do Rio de Janeiro, informado pela imprensa CBFeana, me perguntou sobre o caso, após esta explicação, simples, ele aderiu ao ideal galista, mas, temeroso, me questionou: “Como o Treze tem coragem de peitar a CBF? Não tem medo da perseguição? A CBF pode prejudica-lo depois?” Ao que respondi: “Não se preocupe, isso é coisa de filho de Campina Grande".