terça-feira, 20 de março de 2012

Política, Futebol e Religião

A filosofia tupiniquim ensina que “sobre política, futebol e religião não se deve discutir”. Afinal trata-se de assuntos individuais, certo? Na verdade, não! Quer assunto mais relevante, para o interesse público, do que a política? Ou vão dizer que é errado filosofar sobre aquilo/aqueles que regem os destinos da nossa sociedade? Vão negar, também, que foram as “discussões” acerca do futebol que derrubaram Ricardo Teixeira?
Política e futebol já são discutidos em nosso país, de poucos caciques mandando e milhões de índios correndo atrás de uma bola, mas por que quando o assunto é religião mais pessoas se esquivam do debate e, na maioria das vezes, as pessoas sérias?
O debate acerca da religião no Brasil é feito, via de regra, por apaixonados por seus seguimentos que preferem falar no Tribunal da Santa Inquisição, no Tribunal de Genebra, nos pastores corruptos e nos padres pedófilos do que nos Hospitais Presbiterianos, nas chamadas Santas Casas de Misericórdia, nos colégios adventistas, nas PUC’s, nas Obras Sociais Baptistas, nos Centros de Recuperação de Viciados, nas obras de caridade espíritas...
Não digo que os primeiros temas são desnecessários, entretanto, é ridículo utilizá-los como desculpa para hostilizar este ou aquele seguimento. É paupérrima a observação apenas daqueles para se dizer ateu publicamente (muitas vezes somente para parecer intelectual) e/ou criar teorias como as que ligam o fato de se ter uma religião (ou pensar diferente) à falta de sapiência, à ignorância.
O mote mais recente dos arreligiosos tem se voltado para a sanha envolvendo Valdomiro Santhiago e Edir Macedo. E mais uma vez, a paixão tem vencido a razão dos analistas. Não tomarei partido (não agora), mas alguns dados mereciam reflexão por parte dos intelectuais das redes.Ambos não representam, em quantidade, a maior igreja protestante do país, ou seja, a maioria dos protestantes não estão sob a égide desses dois líderes. Os protestantes são, hoje, 25% do país e, tomar uma minoria como parâmetro é – no mínimo – irresponsável. Não sei se os gênios perceberam, mas a briga tem um caráter mais pessoal do que propriamente religioso.Se esta briga se torna pública é justamente pelos costumes luteranos de não varrer o lixo para debaixo do tapete e de poder discordar de outras correntes.
Existem outros interesses, mas, hoje, paro por aqui com a máxima de que política, futebol, religião e tudo mais quanto seja do interesse público deve ser discutido, mas com os argumentos certos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ricardo Teixeira: O meu medo são as metástases

Parece que a Primavera Árabe anda surtindo efeitos, também, na América Latina [infelizmente não estou falando ainda na queda de Chàvez]. A licença médica de quinta-feira era apenas um prenúncio da renuncia de Ricardo Teixeira que, durante 23 anos, comandou os destinos do Futebol Nacional.

Sob uma enxurrada de denuncias – entre elas crises da arbitragem, muamba trazida em voo da Seleção (em 1994) e o famoso recebimento de propina denunciado pela BBC de Londres - o dirigente canarinho viu-se isolado e, acuado, viu sua permanência à frente da Confederação tornar-se insustentável.

Havia um sentimento geral de mudança. Não foram apenas o técnico Leão, o presidente da OAB do Rio de Janeiro e a cúpula da Record. Antes, em todo país havia manifestações contra o dirigente nos estádios, nas redes sociais, nas conversas de esquina...
E o pedido de Lula para a permanência do dirigente? Não consigo compreender. Exceto pelo adágio popular que ensina que os iguais se atraem.

Teixeira, Teixeira... Quem te viu e quem te vê! Quem não se lembra da polêmica entrevista da Revista Piauí? Quem não se lembra da fala: “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.”. Quem diria que ao autor da frase acima seria capaz da frase: "A mesma paixão que empolga, consome. O espírito é forte, mas o corpo paga a conta e me exige agora cuidar da saúde".

Agora, o cartola terá que lutar contra a fúria do PRB, a justiça Suíça que exige que a FIFA divulgue certo dossiê [que, supostamente, comprovaria o recebimento de propina por parte de determinados dirigentes], a justiça brasileira e tudo isso sem o poder de fazer “a maldade mais elástica”.

Quanto à entidade não se pode dizer exatamente o que esperar. É cedo para, como disse o deputado Romário, afirmarmos que “exterminamos um câncer do futebol brasileiro”. Afinal José Maria Marín, que assumiu a direção da CBF, prometeu continuar o “estupendo trabalho” de Teixeira. Mas a minha torcida é que a saída de Ricardo Teixeira seja um divisor de águas, de modo que haja mais transparência nos gastos assim como na condução da entidade. Podemos até ter eliminado o câncer, mas o problema desta doença são as metástases.
Em tempo... E nossa Rosilene Gomes, quando seguirá o exemplo do mestre?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Feliz Ano Novo: Volta às aulas na UEPB

A partir de hoje, Campina Grande ficará mais movimentada, estudantes de outros estados retornam às suas repúblicas e o fluxo de pessoas do Compartimento da Borborema, e mesmo de regiões mais distantes, volta a movimentar o comercio e a vida da Cidade. Sim, as aulas da UEPB retornam, este semestre – por razões logísticas – tardiamente. Este ano a volta às aulas é mercada por uma greve dos funcionários do quadro administrativo. Greve esta um tanto confusa, afinal, o que reivindicam os grevistas? Salários melhores? Repasses maiores do Governo do Estado? Desta vez, não fui às Assembleias [e não mais irei enquanto estudante], afinal é ano de eleição para a Reitoria e para a Câmara Municipal e, não raras vezes, nessas assembleias, aparecem pré-candidatos bradando como verdadeiros paladinos da justiça. Não, não tenho mais vinte anos para passar por isso pacientemente...
Mas, torço para um semestre produtivo, mesmo sem me dedicar muito a pesquisa em 2012, pretendo exercer minhas atividades com responsabilidade e ser capaz de vencer esta batalha, assim como as lutas paralelas que se avizinham.
Que este ano tão complicado de eleições municipais e eleições da reitoria [este calendário eleitoral deveria ser revisto] não atrapalhe a vida na Instituição.
Minhas boas vindas aos calouros, meu abraço aos veteranos e beijos nas meninas...

sábado, 3 de março de 2012

Sobre Saudade, Escapismo e Inveja

Mais uma noite de sábado. Descanso da caminhada da tarde escutando um pouco de Elvis Presley. Por razões diversas, tento não pensar no agora... Tenho um sentimento estranho, poderia chamá-lo de saudade. Mas, seria possível sentir saudade daquilo que nunca se viveu? Bem, ouvindo Elvis penso em todos aqueles festivais que marcaram os anos 60 e 70. Penso na ebulição política pela qual passava o país, Fernando Henrique Cardoso e Lula engajados na mesma luta. Havia homens terríveis a serem enfrentados, é bem verdade, mas homens valorosos se encarregavam desta atordoadora sanha.
Havia oportunidades para se ganhar a vida descentemente, havia arte de verdade. Ah Presley, como diria Goethe: “Foste na frente e não perdeste muito”... Vivo em uma geração que não tem por que lutar, não tem heróis, não tem ideais e, mesmo cercada de modernidade, se pega praticando atos repudiáveis mesmo na barbárie.
Talvez não possa chamar este sentimento de saudade, mas não, não o diminuirei dando-lhe a alcunha de inveja.