segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Descanse em paz, 2012.


Sempre fico encantado e assustado com fins e inícios de ciclos. Aniversários, fins de ano, fins de cursos... Qualquer coisa que faça um corte no tempo gera reflexões. Pensar nos resultados do ano. Não, não posso fazê-lo! Afinal alguns fatores externos contribuíram para que estes fossem poucos. Tive minha parcela de culpa? Claro! Mas, mesmo sempre sendo severo demais comigo mesmo, não posso levar este peso todo sozinho.
Mas, quanto aos processos, estes sim me deixam orgulhoso! Não, não sou Hare Krishina para “me empenhar sem pensar nos frutos”, mas lutar valorosamente é mais importante do que certas vitórias.
Este ano, lembramos os dez anos da morte de Pedro Macedo, inspiração maior e norte nos momentos de incerteza. Ampliamos nosso rol de amigos, consolidamos algumas amizades ainda frágeis e, em última análise, foram estes quem evitaram minha insanidade!
Olho para o ano que se finda com um gostinho de “poderia ter sido melhor” e, para dois mil e treze com um pouco de medo. Afinal, sempre dizemos a nós mesmos que tudo vai mudar, que as coisas vão melhorar e – ano após ano – nos pegamos dando com a cara no muro.
Mas, querendo eu ou não, 2013 vem! E vem soberano, sepultando tudo aquilo que 2012 foi e, principalmente, tudo que 2012 não foi capaz de ser. Assim; comamos, bebamos e tomemos partido de não pensar...

domingo, 23 de dezembro de 2012

Depois do Sarau


As brasas ainda estalam, o Sol nasce
Solvemos as últimas taças cheias
Corpos ébrios deitados nas areias
Que a vida, em Ponta de Seixas, não passe!

Oh soberano Sol, não nos desgrace
com a realidade da alvorada,
permita-nos viver na madrugada
aonde a etérea fantasia dá-se!

Seguros, em ilusões desmedidas,
o monstro do opróbrio de nossas vidas
não tem poder pra nos atormentar

E, então, talvez quando o corpo morrer
Possamos sentir paz no amanhecer
E possa a verdade se revelar!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Caso o mundo acabe: Entrando para a história


Para os seres unicelulares que vierem a evoluir e, através de satélites ou outra tecnologia, puderem recuperar destes dados... Deixo algumas informações: [Imagino que os HDs serão os fósseis daqui a milhões de anos, em vossa era]. Sim, Nibiru avacalhou o Sistema Solar [Sol = corpo celeste ao redor do qual nosso planeta gravitava]e extinguiu uma raça chamada humana. Acreditem, vocês não perderam muita coisa. Mas sugiro que rastreiem o local de origem desta mensagem e procurem por uma antiga cidade chamada de Campina Grande [capital do mundo e centro de irradiação cósmica do universo]. Há quem diga que foi a força de atração eletromagnética de Campina que atraiu Nibiru [ainda carece de comprovação].
Nossa bandeira continha três espadas [instrumentos cortantes], representando às três principais revoluções em que foi derramado sangue de nossos filhos [Não, nenhuma delas foi a revolução francesa, não entrávamos em batalhas pequenas]. Em Campina Grande havia a maior equipe de futebol [ler artigos sobre esportes] do mundo, o Treze Futebol Clube, tão competente que venceu toda uma confederação, mas isso é outro assunto. Na referida cidade, acontecia o maior festival do mundo, 30 dias de festa em homenagem a São João (com exceção dos Romanos, ninguém mais fazia festivais com este tamanho... Se bem que os Romanos eram meio que bárbaros e nós, civilizados).
Como vocês poderão ver no texto de Horácio de Almeida Lima [um cronista contemporâneo nosso], até o cataclismo do fim dos tempos foi “o maior do mundo” por aqui.
Se vocês não quiserem passar pela catástrofe que nos baniu da face do espaço, construam templos para um deus, que habitava estas terras, chamado André Macedo, o deus da força, da virilidade, da justiça e que evita pequenos resfriados.

domingo, 25 de novembro de 2012

Encantado com Areia


Usei o argumento da produção da revista para visitar a cidade de Areia. Uma das mais lindas cidades da Paraíba. Já havia ido ao município outras duas vezes, mas, em nenhuma das duas havia podido explorar com calma certos pontos da cidade, os quais a muito tempo eu desejava.
Apesar das duas matérias sob minha responsabilidade, na ocasião, terem sido épicas, pude andar com certa calma. Visitei os três museus: senti-me encantado na antiga Casa de Pedro Américo, na exposição de arte sacra do Museu Regional de Areia e, mais ainda, no Museu da Rapadura. Todos os paraibanos deveriam fazer esta rota.
Fui ao Teatro Minerva, primeiro teatro construído na Paraíba, e, em meio às anotações e fotografias, sentei-me em seus bancos e imaginei como se comportava o público de 1858, quando este foi erguido.
Como ir a cidade dos Engenhos e não visitar um? Como não sei a resposta para esta pergunta, fui ao Engenho Triunfo. A cachaça produzida por lá está entre as Top 10 do Brasil, [o detalhe é que, empatadas em primeiro lugar estão outras duas cachaças paraibanas]. Vi de perto como a bebida é produzida e como todas as partes da cana de açúcar são aproveitadas no processo, desde o bagaço até a chamada “cana de cabeça”, imprópria para o consumo.
No fim, me deliciei com a degustação. Provei cachaças envelhecidas em barris de umburana, carvalho, canela e a famosa bidestilada, uma das melhores que já provei. Na loja do engenho não pude deixar de comprar um souvenir, são coisas tão bonitas e saborosas que dá vontade de trazer tudo, e mais de um de tudo.
Volto para Campina encantado com o que vi, com a arquitetura das casas que faz com que você se transporte para outro século enfim, com o clima desta maravilhosa cidade. Voltarei? Claro! Tenho outros engenhos para conhecer, tenho mais de Areia para saborear, tenho, enfim, muito da Paraíba e de mim mesmo para explorar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

João Pessoa, sua linda...


Depois de quase um ano volto a Capital sem a correria que sempre marca minhas passagens pela Parahyba. Diferente do ano passado estava em paz, embora minha ida àquela cidade envolvesse uma prova de concurso. Sem a metade do peso que carregava em 2011, e agora com um sem número de amigos naquelas bandas, minha estadia foi uma das melhores deste ano, mesmo curta e muito breve. Com exceção de alguns pequenos atropelos que sempre ocorrem quando deixo a Rainha da Borborema, pude dar algumas risadas. Logo na chegada, encontrei um primo de Campina Grande com a sua noiva, o detalhe é que mal nos vemos na Serra, mas nos encontramos em João Pessoa, não só ele, mas a cada dois passos era possível se esbarrar em algum campinagrandense [o que, é claro, é sempre motivo de piadas por parte de meus amigos da capital].
Pude conversar com Jorge Procópio sobre a política estadual e do Cariri, coisa que gosto um bocado; pois ele entende do assunto, pude por os papos em dia com o meu grande amigo Filipi Correia, além de estar com meus parentes pessoenses, que são os melhores anfitriões que conheço. Fiz uma prova razoável, com o tempo a gente termina aprendendo certos atalhos, não sei se desta vez, mas sei que minha ascensão está próxima, basta que continuemos com o trabalho sério e constante que estamos desenvolvendo.
Por fim, pude me esparramar na cadeira de praia, de frente às calmas ondas da praia de Cabo Branco; enquanto belas jovens iam e vinham. Neste cenário, tomei partido de não pensar ou, dando uma de Alberto Caeiro, tentar “sentir o instante” sem pensar nele ou no que viria depois. Sim, o hoje é uma dádiva e, como uma bebida que só pode ser bebida quente, temos que solvê-lo com certa urgência. Agora; de volta à Serra; lembro dos amigos, do sol, das belas transeuntes e  tenho a certeza de que os dias de agonia terão uma recompensa.
Fico com o conceito de Ingrid Betencour de que “não há noite que dure para sempre” e com as sábias palavras de Érico Veríssimo, que diz que “a vida nos proporciona momentos incríveis que compensam a dor de viver”.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vinte e nove


Aquele menino magrelo e com olheiras tornou-se um homem magrelo e com olheiras... Às vezes imagino o que aquele menino diria se me visse hoje. Sou tentado a acreditar que ele não se agradaria da imagem. Afinal, ele não saberia das intermitências por que passei, não saberia dos impedimentos, dos adiamentos, das esperanças dilaceradas...
Poucos dos planos que aquele menino fez, foram realizados. Poucos dos mundos fantásticos vislumbrados, pelo infante, foram explorados e muitos de seus medos se materializaram.
Vinte e nove primaveras. E, diferente dos anos anteriores, tenho evitado refletir sobre elas... “Pensar faz mal”. O fato é que já se passou mais de um terço de meus dias e, diferente daquele menino, não posso mais me dar ao luxo de espernear pelo que saiu errado.
Troco alguns dos sonhos de menino pelas desventuras do adulto. E tento – a todo instante – me ocupar para não pensar nelas. Mas, resta-me o consolo de que sempre buscamos o caminho mais correto possível. Resta-nos a alegria de termos sido leais, quando a deslealdade parecia mais tentadora e de termos dignidade suficiente para olhar no rosto de amigos e desafetos, sabendo que gozamos do respeito dos dois grupos.
Não... Hoje é um dia de celebração! Prefiro, então, alimentar a esperança de que o menino me daria um abraço e diria:


 - Parabéns. E, quando eu crescer, quero ser parecido com você...


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O vento


Às vezes, eu – triste – invejo o vento
o qual, em sua incoercível ira,
sobre os seus inimigos se atira
e não há quem lhe chame “violento”

Enquanto em minhas pernas me sustento
Ele o chão, o mar e o céu, revira
Não há espada ou verbo que o fira
e eu cá na terra ferido e sedento!

Um dia, imerso em prantos – lhe falei
“Confesso que te invejo, mas eu hei
de domar-te e dar-te direção”...

 – Pobre mortal – me respondeu o Vento –
Mas como alcançarás a tal intento
Se eu, livre, te observo na prisão?

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Maceió, minha sereia


De certo modo, ainda estou pensando na desarrumação da bagagem e na arrumação da semana que, queira eu ou não, se inicia nesta manhã. Mas trago, mais uma vez, boas coisas da terra dos Marechais. Em cinco anos Maceió mudou um bocado e eu sou quase a mesma pessoa que desembarcou naquelas terras em 2007, com alguns cabelos brancos a mais e algumas convicções a menos; mais dúvidas do que certezas, porém as poucas certezas mais concretas e sistematizáveis do que as de outrora.
Como sempre, vivi umas situações curiosas: Entram no ônibus uma menina bonita e um velho roncador, quem senta na poltrona ao lado? Acertou quem votou no segundo ser. O mesmo se deu na volta [God is Good]! Uma mulher me para, no Shopping, para pedir informações ao que respondo: “I'm sorry. I can't understand you”. Ela, arregalou os olhos e saiu me olhando com um misto de encanto e espanto até que eu saísse de seu raio de visão. Falando em informação, ao terminar a prova, eu não havia andado cem metros quando um senhor me parou para pedir intruções, por conta de um alinhamento entre Marte, Júpter e a lua [durante o fenômeno Blue Moon], ele queria chegar ao prédio de onde eu acabara de sair. Então, me sentindo o próprio cicerone das Alagoas, indiquei-lhe o caminho...
Pude pôr os papos em dia com minha amiga, Mara Carol, com uma variação de temas que versaram da geopolítica boqueirense à mitocrítica e o imaginário literário [passando pelas marcas de cerveja alemãs... srsrs].
Na rodoviária, conheci um grupo que fizera a prova para analista. Um pessoal que, certamente, tem sonhos parecidos com os meus. O que, em uma hora de conversa, fez valer a viagem.
A prova, no bom estilo CESPE, me pregou algumas peças. De modo que não sai otimista da terra de Fernando Collor, mas pude ver que estou evoluindo, não foram poucos os temas que caíram antecipados por mim, nos estudos. O que nos abre boas perspectivas futuras, mas – é claro – não apaga a frustração deste aparente insucesso.
Só o tempo me permitirá saber o que esta viagem me acrescentou, por enquanto não posso namorar Maceió, então que eu “fique” com a bela sereia, na perspectiva de um dia ficar, no sentido de permanecer.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Lições de uma menina no ônibus 303...


Tenho me furtado de fazer certos tipos de comentário para não ser aquela senhora que, quando alguém lhe diz que o dia está lindo, responde “Menos para Sebastião, que morreu de câncer”... Entretanto, acredito que posso falar minimamente sem que seja o suficiente para receber a alcunha de “ave negra do agouro”.
Hoje, a caminho da UEPB, todos nos entreolhávamos no Calvário da linha 333, sem forças suficiente para proferir palavra. Quando uma menina de colo fez uma constatação óbvia, cuja obviedade mais pareceu uma teoria científica bem testada do que o opróbrio do senso comum, e – em um ato de revolta infante no qual individuava o incômodo de todos os presentes – disse: “Mas isso aqui está muito cheio”.
Invejei a condição de infante daquela menina, sua não necessidade de conter protestos e, acima de tudo, o fato de acreditar que haveria quem resolvesse o seu clamor. Continuei em minha jornada, quase como o poeta Virgílio atravessando os sete níveis do inferno dantesco, desejando – como aquela criança – poder espernear sem ser tido como louco, poder, enfim, dar vazão aos sentimentos animais que assolam o coração de todo aquele que é tratado como tal.
Mas, adulto que sou, me contive. Concentrei-me no que ocorreu durante o dia e cheguei na minha amada UEPB. Esta instituição que eu amo, como um príncipe ama a sua prometida. Mas, que – infelizmente – para vê-la, precisa matar todo dia o dragão, chamado 333, que cerca o castelo. 
Que nosso problema seja resolvido como, aliás, vem sendo aos poucos, e que aquela menina nunca seja como eu.

sábado, 11 de agosto de 2012

Na Terra de Djavan


Estamos em um ritmo alucinante de estudos para o concurso do TJ de Alagoas. Não posso dizer que vou com a fé dos últimos concursos, mas – dentro de nossas possibilidades – estamos nos preparando. Será um motivo de muita alegria voltar à terra do Marechal Deodoro da Fonseca. Minha ida aquele estado, em 2007, foi um divisor de águas em minha vida. Deixei lá algumas convicções; trouxe muito conhecimento, amigos e outras coisas que levarei para sempre.
Esforço-me para que esta nova “visita” a Maceió signifique “um novo divisor de águas”. Sim. Tenho tentado dar o que chamo de choque de gestão em minha vida e espero que seja este o pontapé inicial. Não tenho tido tempo para me dedicar as demais atividades, em nome de uma boa preparação. Universidade, inglês... Tudo tem sido deixado em segundo plano e o que me incomoda é que eu gosto dessas outras atividades, elas me fazem ser eu. Entretanto é hora de concentrar esforços em busca de redenção.
Que a Terra de Djavan me traga inspiração e que, finalmente, eu possa voar com asas próprias.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os poetas não morrem


Não suportei, tive que interromper meu afastamento do Blog para fazer um registro histórico para a Rainha da Borborema. A morte de seu filho mais ilustre, no último sábado, Ronaldo Cunha Lima, vítima de um câncer no pulmão. Ronaldo; que foi vereador, deputado estadual, deputado federal, prefeito, governador e senador; foi um grande visionário e desenvolvimentista da cidade de Campina Grande. Após sua administração a cidade adquiriu projeção nacional e passou-se a viver o que se chama de campinismo. Político carismático conseguiu, mais do que eleitores, seguidores, fãs. Dono de frases de efeito, protagonista de histórias que sempre farão parte do imaginário campinense – como seu famoso habeas pinho, dependurado na parede do escritório da maioria dos advogados que conheço –, este é Ronaldo que conseguia se comunicar com eloquência no meio dos grandes, mas conseguia se fazer entender no meio dos mais humildes.
Não fui ao seu funeral, a pressão não ajudou e achei prudente acompanhar a cerimônia pela transmissão em TV Aberta. Uma verdadeira multidão lotou o Palácio da Redenção – em João Pessoa – e, depois a Pirâmide do Parque do Povo [sua principal obra], em Campina Grande durante o fim de semana. O Parque do Povo, que sempre foi sinônimo de festa e alegria, se revestia do luto de uma geração que fica órfã. Ah, nunca mais os filhos de Campina poderão ouvir Luzes daRibalta sem um aperto no coração, sem lembrar esta triste melodia ao fundo no velório do Poeta.
A saudade, ao estilo Campinense, como disseram alguns jornalistas, é a maior do mundo. Milhares de pessoas, com fotos, camisas, faixas de suas campanhas e; acima de tudo; com histórias do poeta se enfileiravam para prestar a ultima homenagem aquele que soube – como nenhum outro – fazer com que os filhos da Rainha da Borborema tivessem orgulho de si mesmos.
Um silêncio ensurdecedor tomava conta das ruas da cidade, as pessoas se entreolhavam e com um olhar triste e com um movimento de cabeça se faziam entender. Vi em algumas fachadas, fotos fixadas do poeta. Adversários históricos compareceram ao funeral em um gesto de grandeza e reconhecimento.
Ronaldo foi o último nome de uma geração de oradores que teve Felix Araújo, Vital do Rêgo e Raymundo Asfora, como nossos representantes. A política de nosso Estado talvez nunca produza outra geração de mentes brilhantes como essas.
No trajeto até o cemitério os populares jogavam flores sobre seu ataúde, gritavam seu nome, derramavam lágrimas, enfim, se despediam do maior líder político que a cidade já conheceu.
Morreu o homem, nasceu o mito. Morreu o escritor, ficou a sua obra. Morreu o político, ficou o seu legado. Foi-se Ronaldo, ficou uma saudade e um vazio que não há como saber quando e se cessará. Resta nos consolarmos com a frase de Cássio Cunha Lima: “Os poetas não morrem, após uma vida digna, o poeta descansou”.

domingo, 1 de julho de 2012

Férias da internet? Rá


Encerrados o São João, as convenções partidárias e o período letivo; resta-nos muito a falar, mas pouca disposição para fazê-lo, assim, tentaremos dividir os assuntos interessantes em mais de uma postagem. Por hora, nos deixamos vencer pela ressaca de um mês movimentado e pelo desânimo que, tantas coisas juntas, insistem em nos imputar.
Passo o mês de Julho longe do Blog para me dedicar exclusivamente a projetos pessoais que precisam ser tratados com profissionalismo e dedicação quase que integrais. Além, é claro, de cuidar da saúde que não poderá titubear nos próximos meses. Um dia eu volto, como disse Argemiro de Figueiredo: “ninguém se perde no caminho da volta” e espero voltar em um estado melhor do que o do ser que redige essas linhas.

Até breve!

Treze, um genuíno filho de Campina Grande


Nos últimos dias uma luta entre David e Golias tem se desenrolado na Justiça e, como em muitas ocasiões, o David é filho da Rainha da Borborema. Ah, o que têm esses filhos de Campina que fazem parecer possível vencer adversários que outros jamais ousariam desafiar? Trata-se do embate entre o Treze Futebol Clube e a poderosa CBF. No ano passado o Rio Branco FC entrou na justiça comum, antes de esgotadas todas as instâncias da justiça desportiva, para resolver um problema de mando de campo. O que fere os regulamentos da CBF e resultou na exclusão do time acreano das competições nacionais por um período de dois anos. Isso beneficiaria o Treze, uma vez que o time de Campina Grande havia chegado na quinta colocação da série D – no ano passado – e, mesmo que o regulamento só tenha previsto a ascensão dos quatro primeiros colocados, a vacância – após a exclusão de um dos clubes – foi preenchida, em anos anteriores, com o clube da divisão inferior mais bem colocado. De modo que, mesmo não havendo previsão em regulamento, estamos falando de jurisprudência e a Paraíba não poderia ser tratada diferente dos demais estados.
Mas a CBF realizou um acordo ilegal, “retirando” a punição do Rio Branco, mantendo-o na série C e se comprometendo a não comunicar o fato a FIFA. Tudo certo, tudo fechado... A Entidade máxima do futebol nacional só esqueceu  um detalhe: Do outro lado havia um filho de Campina Grande sentindo-se injustiçado.
O Treze passou pelas instancias da Justiça Desportiva e, só então, ingressou na justiça comum, enfrentando CBF, STJD, Dirigentes de outros clubes e uma imprensa que reproduzia o discurso da CBF, tentando  - e até conseguindo – jogar os torcedores dos outros clubes contra o Galo da Borborema.
Mas, foi-se o tempo aonde um coronel vencia a questão com um murro na mesa. Foi-se o tempo aonde um pequeno tinha que se submeter aos desmandos de um grande e, enfim, foi-se a era em que o arbítrio e a truculência prevaleciam sobre a lei.
A Justiça comum deu ganho de casa ao Treze e, ainda, ameaçou CBF com punições como a intervenção e prisão de dirigentes. Repito aqui a frase do Presidente do clube, Fábio Azevedo: “Falam em força da CBF, mas eu acredito na força do Estado”, e foi esta que prevaleceu, o aguerrido Galo do São José venceu em duas instâncias e obteve vitórias em liminares na terceira instância. De modo que ouvir dirigentes e torcedores adversários esperneando é duvidar da capacidade dos tribunais.
É bom que se registre o desrespeito da CBF à Magistratura paraibana quando sugeriu que o processo teria resultado diferente se julgado fora do Estado, ora nossos juízes são parciais? Nosso judiciário é incapaz? Sugiro a quem pensar assim que formule uma denuncia ao Ministério Público e pare de falar bobagem na imprensa. Assim como espero que nossos magistrados reajam a esta afronta a nossa independência e respeitabilidade.
A entidade mexeu em um vespeiro. Esta semana um advogado de Campina Grande, e diretor do CCJ da UEPB, Cláudio Lucena, entrou com uma representação contra a CBF por ter descumprido o regulamento da FIFA ao deixar de comunicar a infração do Rio Branco. Vi o documento e aguardamos despacho.
O Treze venceu, e, sabemos que a dura missão está só começando, afinal a CBF, em nota, praticamente declarou guerra ao time de Campina Grande, de modo que podemos esperar os mais diversos expedientes contra o Treze, mas, independente do futuro, o alvinegro da Rainha da Borborema marcou história e se atreveu a estar de pé, quando todos estavam de joelhos. Espero que este processo seja um divisor de aguas e que isso redunde na democratização das federações estaduais e da CBF.
Um amigo do Rio de Janeiro, informado pela imprensa CBFeana, me perguntou sobre o caso, após esta explicação, simples, ele aderiu ao ideal galista, mas, temeroso, me questionou: “Como o Treze tem coragem de peitar a CBF? Não tem medo da perseguição? A CBF pode prejudica-lo depois?” Ao que respondi: “Não se preocupe, isso é coisa de filho de Campina Grande".

terça-feira, 19 de junho de 2012

Trinta moedas de prata


Um minuto e quarenta e três segundos... Convertido em moeda, menos impostos e taxas aduaneiras é a mesma coisa que trinta moedas de prata. Enquanto muitos querem comparar o ex-presidente de um país distante, do outro lado do oceano, com Jesus Cristo, permitam-me compará-lo a outro personagem bíblico. Na verdade, até aceito que comparem parte dele a Cristo, afinal, estamos falando de alguém que se apresentou como um Avatar, como o diferente, como aquele que poderia reivindicar para si o monopólio da ética.
Entretanto, escândalo após escândalo, aliança após aliança, foi desgastando-se diante dos poucos olhos críticos que ainda se atrevem a enxergar além do óbvio na política nacional. Traindo não só a sua parte messiânica, mas a população que o elegeu messias, somando-se a tudo aquilo que sempre atacou, fez valer a máxima do Brasil Império “Nada mais radical do que um conservador na oposição e nada mais conservador do que um radical no governo”.
Quiséramos que seu conservadorismo se desse, também, no plano ético. Mas este (o que foi um de seus dois ou três méritos) restringiu-se a política econômica que, diga-se de passagem, herdou do governo adversário.
Recentemente, este líder vendeu mais uma fração de sua alma messiânica, aliando-se a um político originário da ditadura que não pode sair do país, pois é procurado pela INTERPOL por crimes internacionais, em nome de um minuto e quarenta e três segundos a mais no guia eleitoral. Parece que vencer uma eleição é mais importante do que manter-se coerente com a história, parece que para se conquistar o poder não necessariamente se precisa de pudor. Este é o grande líder do referido país? Que faça ao menos o trabalho de Judas completo e, depois de receber as trinta moedas, caia em si e...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Dez anos sem Pedro Macedo


Há dez anos morria uma das pessoas mais importantes de minha vida, o Sr Pedro Macedo. Um homem marcante de tal forma que, uma vez cruzando o seu caminho, era impossível ser indiferente à sua existência. Com suas opiniões e temperamento fortes, colecionou amigos e uns poucos desafetos. Mas, mesmo estes, tinham por ele respeito. Como todo ser humano, tinha seus defeitos e algumas pessoas, inocentemente ou maldosamente, tendem a medi-lo por eles, - entretanto - quando se fala em Pedro Macedo, penso em um jovem que não conheci, mas de quem ouvi falar, trabalhador que tornou-se empresário. Penso no rapaz que, ao lado do prefeito João Hermínio, iniciava sua vida na política, sendo escolhido pelo povo o primeiro vice-prefeito da cidade de Boqueirão, recém-emancipada.
Penso no honrado agente fiscal (este eu já conhecia), que não aceitava favores e sempre pode – com autoridade – dizer a seus filhos que se apossar dos bens alheios era uma atitude reprovável. Penso no homem generoso que ajudava todos quantos o procurassem; penso no avô severo, porém justo. Penso, enfim, nesta força da natureza com a qual tive o privilégio de conviver por 18 anos.
Tenho muitas coisas dele, entre elas, a intensidade que tanto o fazia forte como vulnerável. Tenho, também, sua inquietude e, como ele, muitas vezes, perco o sono – na madrugada – fazendo vãs conjecturas. Mas não sou como ele, Pedro Macedo me foi algo grande demais para que eu almeje alcançá-lo, meu avô estava longe demais para que eu pudesse imaginar chegar ao menos perto do que ele foi: “Estavas longe nas andanças tuas/ quando eram vacilantes os meus passos/ Quando eram limitados meus espaços/Os teus já tinham estrelas, sóis e luas”.
Só posso concluir esta singela homenagem de seu neto e admirador, dizendo que sempre tentarei honrar seu nome e que, na vida, conheci muitos homens grandes, mas só um foi colossal.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

São João tá Diferente, tá melhor!


Ainda não havia falado das festas juninas. Em geral ocupo este espaço para fazer críticas à Administração Municipal, porém precisamos ser justos e dar o devido reconhecimento quando fazem por merecer e na exata medida em que merecerem. A reforma do Parque do Povo merece uma nota próxima da máxima, lógico, ainda aguardamos pelas chuvas para que se teste o sistema de drenagem, mas acredito que este funcionará perfeitamente.
Não só isso, a disposição das barracas - neste ano - assim como dos camarotes dá a impressão de um Parque do Povo maior, que comporte multidões, como tem sido o caso dos fins de semana, dando-lhes maior mobilidade.
O que faltou em atrações popularescas sobrou na organização e na logística do evento. Crimes sempre ocorrerão, claro, mas a Polícia Militar tem feito um belíssimo trabalho, dando batidas, evitando parte significativa dos crimes, assim como tumultos.
Esses e outros fatores colocam o São João de Campina Grande entre os quatro maiores eventos do Brasil. Parece pouco, mas se pensarmos que, entre os outros estão o Carnaval do Rio de Janeiro e a Festa do Boi de Paritíns poderemos perceber a grandeza da festa da Rainha da Borborema.
Em 2014, Campina Grande terá o São João da Copa, ou seja, os turistas que vierem ao Brasil receberão material de divulgação de nosso Biggest St. John of the world. Um orgulho para todos os filhos desta cidade guerreira. Ainda restam 15 dias de festa, irei em uns três ou quatro, assim, desejo a todos boas festas juninas e, com todo respeito a meus amigos de Caruarú, mas – nas palavras do poeta Ronaldo Cunha Lima – temos o Maior São João do Mundo.

domingo, 10 de junho de 2012

A TPM de Lula


Ando um tanto afastado do Blog, por razões diversas, assim como ando afastado de uma série de coisas que usualmente fazia. Metas novas, alguns sacrifícios dentre outras coisinhas.
Os últimos acontecimentos da política nacional têm deixado nauseantes até mesmo aqueles que têm estômago de hiena. Aliás, nos últimos anos, quase nada em nossa política tem sido digerível. De modo que, quando a oportunidade do soco tem surgido, continuamos – nas palavras de Fernando Pessoa – agachados, fora da possibilidade do soco.
Lama tem escorrido nos bastidores da CPI de Carlinhos Cachoeira, a população – imersa em desesperança – sequer clama mais por justiça e se resigna a um silêncio sepulcral, silêncio este que só não é mais incômodo do que o dos depoentes que conseguem zombar de nossas instituições sem proferir uma só palavra.
Para completar, o ex-presidente Lula, que começa a dar sinais de que disputará as eleições de 2014, começa a mostrar sua verdadeira face caudilha. O ex-presidente tem se mostrado como um conselheiro cujas sugestões têm força de lei. Vale salientar que, os problemas enfrentados pela Presidente Dilma com sua base no congresso, residem no fato da mesma estar cortando “vícios” adquiridos na gestão de seu Padrinho Eleitoral.
A última notícia veiculada sobre Lula, diz respeito às acusações do Ministro Gilmar Mendes, dando conta de que o líder caudilho lhe fizera uma proposta indecorosa, em troca de blindar o Ministro na CPI do Cachoeira aquele providenciaria o adiamento do julgamento do processo do Mensalão que está no STF.
Diferente do ministro, não tenho prerrogativa de foro. Então, o que posso dizer é que seria de se compreender a forma arrogante com que o ex-presidente ataca a oposição e a forma mais arrogante ainda com que ele se comporta ante as instituições, afinal, ele estaria apenas com TPM, Tensão Pré Mensalão. E nós, tolerantes que somos, esperaremos o chefe melhorar de seus males.

sábado, 14 de abril de 2012

Novo Pacto Federativo vs Velhos Costumes

Dizer que o atual pacto federativo privilegia o poder central é navegar nas tranquilas águas do óbvio. Afinal, o que é possível se perceber é que os políticos locais se acotovelam estendendo seus pires na direção do todo poderoso Leviatã, que observando, em algumas ocasiões, aspectos políticos, “dão a devida esmola” às unidades federativas, gerando fatos curiosos.
Quem não se lembra de governadores tucanos, a exemplo de Cássio Cunha Lima e Aécio Neves, tentando convencer suas respectivas bancadas a manter a CPMF? Quem não se recorda, com náuseas, o anuncio de uma usina de biodiesel em Campina Grande que, curiosamente, não chegou a ser construída? De modo que há até quem imagine que foi perseguição de Lula pela derrota de seu candidato.
Esses e outras dezenas de acontecimentos deixam muita gente a pensar: E se os Estados e Municípios recebessem mais recursos, será que “os presidentes” continuariam com as insígnias de semideuses? Afinal, somos expostos a uma carga tributária cruel e toda submissão e poder de barganha advêm da concentração destes recursos. Como sempre tem quem me ache exagerado, não me importo mais que isso, e diria que vivemos um sistema feudal moderno, no qual as unidades da federação abrem mão de parte significativa de seu prestígio e os entregam nas mãos do Senhor Feudal.
Esta vassalagem tupiniquim cria regimes personalistas, dificulta o aparecimento de novas lideranças, permite que o poder central engesse administrações de cidades menores em benefício de localidades maiores que recebem um volume desproporcional de recursos (não poucas vezes, enviados pela canetada de um conterrâneo ou correligionário).
Tudo isso me faz levantar duas questões: Sobreviveria o lulismo em um país com uma distribuição de recursos mais justa? E até quando os chefes do executivo continuarão atirando com a pólvora alheia e exibindo a caça com a arrogância de um exímio caçador?

terça-feira, 10 de abril de 2012

O que eles veem que nós não vemos?

A saída de Luciano Agra das eleições de 2012 fez nascer as candidaturas de Estelizabel Bezerra e Nonato Bandeira, além da pré-candidatura de João Gonçalves. Há de se compreender a postulação da primeira, afinal, o partido precisava dispor de um nome por ser João Pessoa uma importante base para o projeto Girassol no Estado.
Entretanto, sem querer desmerecer ninguém, quando se coloca na balança as candidaturas de Luciano Cartaxo, Nonato Bandeira, além da pretensão de João Gonçalves, o cenário passa a ficar menos inteligível. Não que os caciques não sejam dotados desta dádiva da natureza, pelo contrário, o são e não é pouco. Só que nossas mentes de meros mortais precisam se esforçar um bocado para compreender o Ás na manga dos postulantes.
O que faria Nonato Bandeira deixar a segurança da pasta das comunicações no Governo do Estado? O que faria às prévias do PT chegarem às vias de fato, com direito a xingamentos e empurrões em nome da tese de candidatura de Luciano Cartaxo? O que faria João Gonçalves querer enfrentar na convenção o presidente do seu partido que, diga-se de passagem, aparece muito bem em todas as pesquisas?
Deve existir alguma equação pitagórica que explique esses questionamentos. Por hora, uso meu espaço para supor o óbvio. “E se”, assim como José Maranhão, Cícero Lucena fosse impedido de concorrer à prefeitura por conta de seus processos na Justiça? Ora, sem o atual prefeito, com altos índices de aprovação, e sem os dois ex-governadores a disputa fica mais equilibrada, as possibilidades de se ir a um segundo turno seriam praticamente divididas por igual. Lógico que a candidatura de Estelizabel seria turbinada pelo Governador e pelo Prefeito, mas, em um segundo turno, novas alianças são construídas e, pode-se dizer que, é – praticamente – uma nova eleição.
Mas, é claro, falo apenas de hipóteses, certamente os candidatos têm motivos mais eloquentes e razões para acreditar em vitória, afinal, alguns deles – como diz certo blogueiro – são capazes de ensinar rato a subir azulejo molhado, de costas.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Contas Rejeitadas: E Agora, José?

Esta Semana Santa, será marcada por sabores diferentes para a classe política paraibana. A notícia do possível impedimento de José Maranhão concorrer à prefeitura da Capital, devido à reprovação de suas contas de campanha, referentes ao último pleito, entristeceu alguns PSDBistas e devolveu às esperanças a alguns PMDBistas... A afirmação seria absurda se não soubéssemos que setores do próprio partido do ex-governador não estão/estavam satisfeitos com a sua postulação, a exemplo do deputado Manuel Jr que pleiteia a vaga. Do mesmo modo, correligionários do senador Cícero Lucena viam em uma aliança com o PMDBista uma possibilidade maior de “retomar” a chefia do executivo municipal, além disso, ele seria mais um atacando a atual gestão nos debates.
Não será absurdo, também, se José Maranhão conseguir reverter sua situação de inelegibilidade, visto que, esta lei da Ficha Limpa é uma verdadeira colcha de retalhos, dando margem a interpretações diversas. Mas, resistiria, sua candidatura, aos gritos de Ficha Suja? Suportaria, ele, passar pelo mesmo calvário que Cássio Cunha Lima passou na última campanha?
É inegável que, mesmo sem a possibilidade da aliança, em longo prazo, Cícero Lucena ganha força. Assim como e inegável o poder que a família Vital passa a ter dentro da legenda com a “queda” de José Maranhão.
Imagino que esta não será a melhor das Semanas Santas para o ilustre filho de Araruna. Sem mandato, vendo a possibilidade de concorrer ameaçada, vendo correligionários preparados para substituí-lo e sem poder de uma reação imediata. Há até quem brinque com suas contas dizendo: “O nome dele vai para o SPC”... Mas, como estamos falando de um político experiente, imagina-se que ele possa vá tirar um coelho da cartola. Assim: E agora, José?

domingo, 1 de abril de 2012

Futebol: Como Cristãos e Mouros

Que o estádio é a versão moderna do Coliseum Romano eu nunca duvidei. Embora nossos gladiadores recebem salários (alguns bem altos) e não necessariamente se vejam obrigados a se matarem entre si, a função social é praticamente a mesma. Eu, que não me arrogo de estar acima das convenções sociais, também compareço ao estádio, esqueço, assim como os romanos, da corrupção do senado, da ineficácia do Governo Central e não me insurjo contra o sistema... Perfeito!
Mas, parece que as torcidas ainda estão embebidas pela crueldade romana, pior que isso – pois, os romanos, ainda eram “civilizados” – nossos espectadores parecem anacronicamente transportados da barbárie para os tempos modernos.
Esta semana torcedores foram assassinados, invadiram o campo de jogo e, como o barbarismo é universal, nossa Paraíba não ficou de fora. Lamentável o enfrentamento das torcidas após um Clássico [tudo bem que, hoje, a polícia não soube como proceder agindo – curiosamente – de forma atípica].
Não fui ao Estádio hoje [me baseio em relatos e na previsibilidade das torcidas], mas nos últimos anos já presenciei brigas em estacionamentos, chuvas de pedras e outros atos de vandalismo desses verdadeiros marginais travestidos de torcedores.
Saber perder/saber vencer... Sou da opinião que quem vence deve ir às ruas comemorar e quem perde deve voltar para casa, calado e de cabeça inchada. Ai senhores torcedores, o futebol já existe para evitar estas tensões sociais, ou vocês acham que os governos militares construíram estádios [ao invés de universidades] em todas as grandes cidades por que razão?
Cumpram seu papel, gritem, brinquem (a rivalidade é sadia) e, se forem travar enfrentamento físico, busquem um adversário que valha a pena. A saber, àquele que não aplica seus impostos adequadamente...Somos muito mais do que os cristãos e mouros medievais ou, ao menos, deveríamos ser.

terça-feira, 20 de março de 2012

Política, Futebol e Religião

A filosofia tupiniquim ensina que “sobre política, futebol e religião não se deve discutir”. Afinal trata-se de assuntos individuais, certo? Na verdade, não! Quer assunto mais relevante, para o interesse público, do que a política? Ou vão dizer que é errado filosofar sobre aquilo/aqueles que regem os destinos da nossa sociedade? Vão negar, também, que foram as “discussões” acerca do futebol que derrubaram Ricardo Teixeira?
Política e futebol já são discutidos em nosso país, de poucos caciques mandando e milhões de índios correndo atrás de uma bola, mas por que quando o assunto é religião mais pessoas se esquivam do debate e, na maioria das vezes, as pessoas sérias?
O debate acerca da religião no Brasil é feito, via de regra, por apaixonados por seus seguimentos que preferem falar no Tribunal da Santa Inquisição, no Tribunal de Genebra, nos pastores corruptos e nos padres pedófilos do que nos Hospitais Presbiterianos, nas chamadas Santas Casas de Misericórdia, nos colégios adventistas, nas PUC’s, nas Obras Sociais Baptistas, nos Centros de Recuperação de Viciados, nas obras de caridade espíritas...
Não digo que os primeiros temas são desnecessários, entretanto, é ridículo utilizá-los como desculpa para hostilizar este ou aquele seguimento. É paupérrima a observação apenas daqueles para se dizer ateu publicamente (muitas vezes somente para parecer intelectual) e/ou criar teorias como as que ligam o fato de se ter uma religião (ou pensar diferente) à falta de sapiência, à ignorância.
O mote mais recente dos arreligiosos tem se voltado para a sanha envolvendo Valdomiro Santhiago e Edir Macedo. E mais uma vez, a paixão tem vencido a razão dos analistas. Não tomarei partido (não agora), mas alguns dados mereciam reflexão por parte dos intelectuais das redes.Ambos não representam, em quantidade, a maior igreja protestante do país, ou seja, a maioria dos protestantes não estão sob a égide desses dois líderes. Os protestantes são, hoje, 25% do país e, tomar uma minoria como parâmetro é – no mínimo – irresponsável. Não sei se os gênios perceberam, mas a briga tem um caráter mais pessoal do que propriamente religioso.Se esta briga se torna pública é justamente pelos costumes luteranos de não varrer o lixo para debaixo do tapete e de poder discordar de outras correntes.
Existem outros interesses, mas, hoje, paro por aqui com a máxima de que política, futebol, religião e tudo mais quanto seja do interesse público deve ser discutido, mas com os argumentos certos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ricardo Teixeira: O meu medo são as metástases

Parece que a Primavera Árabe anda surtindo efeitos, também, na América Latina [infelizmente não estou falando ainda na queda de Chàvez]. A licença médica de quinta-feira era apenas um prenúncio da renuncia de Ricardo Teixeira que, durante 23 anos, comandou os destinos do Futebol Nacional.

Sob uma enxurrada de denuncias – entre elas crises da arbitragem, muamba trazida em voo da Seleção (em 1994) e o famoso recebimento de propina denunciado pela BBC de Londres - o dirigente canarinho viu-se isolado e, acuado, viu sua permanência à frente da Confederação tornar-se insustentável.

Havia um sentimento geral de mudança. Não foram apenas o técnico Leão, o presidente da OAB do Rio de Janeiro e a cúpula da Record. Antes, em todo país havia manifestações contra o dirigente nos estádios, nas redes sociais, nas conversas de esquina...
E o pedido de Lula para a permanência do dirigente? Não consigo compreender. Exceto pelo adágio popular que ensina que os iguais se atraem.

Teixeira, Teixeira... Quem te viu e quem te vê! Quem não se lembra da polêmica entrevista da Revista Piauí? Quem não se lembra da fala: “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.”. Quem diria que ao autor da frase acima seria capaz da frase: "A mesma paixão que empolga, consome. O espírito é forte, mas o corpo paga a conta e me exige agora cuidar da saúde".

Agora, o cartola terá que lutar contra a fúria do PRB, a justiça Suíça que exige que a FIFA divulgue certo dossiê [que, supostamente, comprovaria o recebimento de propina por parte de determinados dirigentes], a justiça brasileira e tudo isso sem o poder de fazer “a maldade mais elástica”.

Quanto à entidade não se pode dizer exatamente o que esperar. É cedo para, como disse o deputado Romário, afirmarmos que “exterminamos um câncer do futebol brasileiro”. Afinal José Maria Marín, que assumiu a direção da CBF, prometeu continuar o “estupendo trabalho” de Teixeira. Mas a minha torcida é que a saída de Ricardo Teixeira seja um divisor de águas, de modo que haja mais transparência nos gastos assim como na condução da entidade. Podemos até ter eliminado o câncer, mas o problema desta doença são as metástases.
Em tempo... E nossa Rosilene Gomes, quando seguirá o exemplo do mestre?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Feliz Ano Novo: Volta às aulas na UEPB

A partir de hoje, Campina Grande ficará mais movimentada, estudantes de outros estados retornam às suas repúblicas e o fluxo de pessoas do Compartimento da Borborema, e mesmo de regiões mais distantes, volta a movimentar o comercio e a vida da Cidade. Sim, as aulas da UEPB retornam, este semestre – por razões logísticas – tardiamente. Este ano a volta às aulas é mercada por uma greve dos funcionários do quadro administrativo. Greve esta um tanto confusa, afinal, o que reivindicam os grevistas? Salários melhores? Repasses maiores do Governo do Estado? Desta vez, não fui às Assembleias [e não mais irei enquanto estudante], afinal é ano de eleição para a Reitoria e para a Câmara Municipal e, não raras vezes, nessas assembleias, aparecem pré-candidatos bradando como verdadeiros paladinos da justiça. Não, não tenho mais vinte anos para passar por isso pacientemente...
Mas, torço para um semestre produtivo, mesmo sem me dedicar muito a pesquisa em 2012, pretendo exercer minhas atividades com responsabilidade e ser capaz de vencer esta batalha, assim como as lutas paralelas que se avizinham.
Que este ano tão complicado de eleições municipais e eleições da reitoria [este calendário eleitoral deveria ser revisto] não atrapalhe a vida na Instituição.
Minhas boas vindas aos calouros, meu abraço aos veteranos e beijos nas meninas...

sábado, 3 de março de 2012

Sobre Saudade, Escapismo e Inveja

Mais uma noite de sábado. Descanso da caminhada da tarde escutando um pouco de Elvis Presley. Por razões diversas, tento não pensar no agora... Tenho um sentimento estranho, poderia chamá-lo de saudade. Mas, seria possível sentir saudade daquilo que nunca se viveu? Bem, ouvindo Elvis penso em todos aqueles festivais que marcaram os anos 60 e 70. Penso na ebulição política pela qual passava o país, Fernando Henrique Cardoso e Lula engajados na mesma luta. Havia homens terríveis a serem enfrentados, é bem verdade, mas homens valorosos se encarregavam desta atordoadora sanha.
Havia oportunidades para se ganhar a vida descentemente, havia arte de verdade. Ah Presley, como diria Goethe: “Foste na frente e não perdeste muito”... Vivo em uma geração que não tem por que lutar, não tem heróis, não tem ideais e, mesmo cercada de modernidade, se pega praticando atos repudiáveis mesmo na barbárie.
Talvez não possa chamar este sentimento de saudade, mas não, não o diminuirei dando-lhe a alcunha de inveja.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um ponto de equilíbrio: Ricardo Coutinho, Nero e Prometeu

O ser humano tem uma habilidade fantástica em observar apenas os detalhes que lhe são convenientes, convertendo-se, suas impressões, na maioria das vezes, em iconoclastias ou em verdadeiras epopéias. No cidadão comum esta conduta é aceitável, entretanto torna-se nociva para a sociedade quando é aplicada pelos órgãos de imprensa. Ora, a imprensa tem não somente a função de informar a sociedade, como também, de fazer registros históricos. Portanto, nada mais honesto, com a sociedade atual e com a futura, do que buscar um ponto de equilíbrio.
Quem não mora na Paraíba, e se informa a respeito do Estado com determinados jornais, diria que a mesma é governada pelo imperador Nero. E o pior, não o Nero histórico, pois mesmo deste é possível se ler registros de ações positivas como avanços nas áreas do comércio e da diplomacia, por exemplo. Quando se observa determinados jornais, a impressão que se tem é a de caos, de desgoverno, de ditadura e, ao contrário de Nero, não há – nesses veículos – quem registre um avanço sequer.
Lendo outros veículos tem-se a impressão de que o Estado é governado pelo mítico Prometeu e que, o pobre governante, está sendo punido, pelos grandes, por “entregar o segredo do fogo aos homens”, ou seja, lutar para libertá-los da dependência que tinham daqueles, tornando-os capazes de lutar/pensar por si mesmos. Aqui o governante não apresenta defeitos e, em sua cruzada pelo bem comum, arremessa-se bravamente contra tudo quanto venha a ameaçar o interesse comum.
Soa fantasiosa a tese de um governo perfeito, assim como soa mais fantasiosa ainda uma administração que não tenha nada de bom para mostrar. O governo atual apresenta reveses? É obvio. Mesmo nos melhores governos que a Paraíba teve – e nos que ainda virá a ter – determinados setores serão desagradados. Entretanto, para que se diferencie jornalismo de assessoria de imprensa, é preciso que alguns setores parem com a idéia de caos e, mesmo continuando com as denuncias, tenham o espírito público de retratar os avanços da atual gestão.
A justiça, não poucas vezes, falha. Entretanto a história é implacável e haverá, sempre de fazer justiça aos injustiçados e denunciar os injustos, sejam agentes políticos ou mesmo jornalistas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

E o julgamento dos mensaleiros?

Hoje, em meio a uma rápida passagem pela Capital do Estado para resolução de assuntos de cunho acadêmico, fui surpreendido pela notícia da condenação de Marcos Valério a nove anos de prisão. Se ele vai ao cárcere ou não, a história é outra. Caso vá, o empresário ficará menos de cinco anos preso [e falo em cinco anos sendo severo]. Entretanto é importante para a sociedade ver [ou ter a impressão] que, no Brasil, empresários também são submetidos a julgamentos.
O problema é que esses mesmos brasileiros que assistem à tal condenação, perguntam: Onde está o julgamento dos Mensaleiros?
No ritmo que vai, antes do fim do julgamento, alguns destes criminosos terão suas penas prescritas. Imagine o que é, para um cidadão de bem, ver o processo bolando Supremo Tribunal Federal sem um desfecho. Imagine o que é, para este mesmo cidadão, observar que, em alguns casos, como dos ex-governadores da Paraíba e do Maranhão, em dois anos, passam por todas as instâncias, inclusive, com aplicação de severas penas. Ao contrário de outros que levam anos para ser julgados...
Não acredito que a Instituição de defesa de nossa constitucionalidade tenha dois pesos e duas medidas. Entretanto, caso este crime venha a prescrever, haverá um mal estar generalizado. Quase tão corrosivo quanto o mal é a aparência dele. Em nome do princípio da Moralidade toda a alcatéia mensaleira deve ser julgada!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Algo além do discurso

O inicio da gestão Ricardo Coutinho foi marcado por algumas crises. Para a oposição, culpa da ingerência do chefe do executivo; para o Governo, resultado de um choque de gestão que, entre outras coisas, desalojou algumas sanguessugas que se alimentavam de dinheiro público há décadas.
O fato inegável é que a crise existe. A mais retumbante de suas facetas é a quebra de braço com a UEPB. Por questões de foro íntimo e por falta de profundidade na questão, abstenho-me de comentar o mérito da sanha. Porém, a impressão que tenho é que as partes perderam a vontade de dialogar. Assim, sentam-se na mesa de negociações irredutíveis e, de lá, vão à imprensa trocar acusações.
Os representantes da situação negam qualquer existência de crise, os representantes da oposição bradam aos quatro cantos que estamos sob a égide de uma ditadura, mas ninguém aponta uma solução concreta para os problemas da Paraíba.
Nossa classe política, não poucas vezes, parece àquele ex-namorado que – inconformado com o fim do relacionamento – comete o que se chama de crime passional, dizendo: “Se ela não for feliz comigo não será com mais ninguém”...
Nossos representantes precisam parar com a mesquinharia, precisam ser menos arrogantes, precisam, enfim – nas palavras de Vieira – mostrar que ainda existem pessoas que, por amor do interesse comum, é capaz de meter debaixo dos pés seus interesses pessoais.
A justiça e as urnas, não poucas vezes, falham, mas a história é implacável com agentes públicos mesquinhos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Infortúnio

Sabe quando tudo no entorno entra em estado de saturação?
Imagine tudo em que você depositava esperança ruindo. Ou, pior, mostrando-se menor do que seus olhos julgavam-no... “Esperança, teus lençóis têm cheiro de doença”, disse certo poeta que não estava de um todo errado.
Conversar seria uma saída viável, certo? Mas e se todas as respostas para as suas perguntas são previsíveis? Não há nada pior do que, sempre, esperar àquelas receitas-prontas aplicáveis a qualquer situação [menos à vida do conselheiro]. Àquelas críticas com uma severidade, dificilmente utilizada no julgamento dos próprios dramas. Enfim, escutar, mais uma vez, que se deve aguardar o chamado tempo certo.
Cético demais para acreditar na mudança. Aguardo o dia de amanhã... Pois é quase certo que algo, que nada tenha haver com as queixas, me distrairá por determinado instante e me trará de volta com um pouco mais de serenidade e ainda mais distante do final do túnel. E, assim... De infortúnio em infortúnio empurra-se a vida, o maior de todos os infortúnios...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O fim de uma era

Parece que a política paraibana entra em fase de decadência. As eleições municipais se aproximam e quem podemos ver se “armando” para o debate? Aliás, que nível de debate devemos esperar para as cidades de Campina Grande e João Pessoa? Houve um tempo em que Ronaldo Cunha Lima e Antônio Vital do Rêgo se enfrentavam pela prefeitura e encantavam multidões com sua oratória e preparo para representar os campinenses. Ouve um tempo em que Felix Araújo levou tão a sério a missão de verear que foi assassinado por seus adversários.
E o grande Raymundo Asfóra? Este lutou com unhas e dentes pelo povo do Nordeste. Sua oratória fez com que o, também paraibano, Assis Chateaubriand dissesse: “Um orador assim não pede a palavra, ela se oferece”.
Ah... Quisera eu estar vivo em 1950 para assistir a disputa entre Argemiro de Figueiredo e José Américo de Almeida. Independente dos detalhes da disputa, tínhamos dois grandes nomes querendo voltar ao Governo do Estado, dois homens respeitados no Brasil inteiro, dois nomes, enfim, que faziam com que os paraibanos se orgulhassem de si mesmos.
O que esperar de 2012 para Campina Grande e João Pessoa? Trocas de acusação (como, aliás, já começaram)? Demagogia? Candidatos fazendo referência aos padrinhos políticos?
Parece que a fase áurea de nossa política passou... Digo como certo poeta da Serra: “A política não me encanta mais. Bom mesmo é tomar ‘birita’, paquerar mulher bonita, fazer versos e nada mais”.