terça-feira, 26 de julho de 2011

Ruinas

Conta gotas
Conto insípidas horas e salgadas gotas...
Doce, só a voz agora ausente

Soldado com as pernas dilaceradas,
não há um dia em que não pergunte
por que sobrevivi...
Árvore estéril a refletir:
Porque não me arrancam?

Conto gotas, conto horas
E os dias passam se arrastando,
me arrastando pelas esquinas, a esmo
Rumo as ruinas e ao entulho
de mim mesmo!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Leituras

No auge de atordoadora e ávida sanha
Leu tudo, desde o mais prístino mito
Por exemplo: o do boi Ápis do Egito
Ao velho Niebelungen da Alemanha
(Augusto dos Anjos)



Dias de intensa leitura e reflexão. Pensar não faz bem [comentários metafóricos xiitas em 3...2...1...]. O bom é voltar a ter ritmo de leitura, ritmo que – diga-se de passagem – tem me espantado, mais dois romances e estarei pronto para encarar as centenas de páginas de A montanha Mágica que me restam.
Em uma de minhas saídas do quarto prestigiei a Feira de Artesanato Mundial, que ocorre no prédio da FIEP entre os dias 15 e 24 de julho, na Rainha da Borborema. Me deparei com peças de um bom gosto ímpar, fiquei encantado com a tapeçaria, com a perfumaria e com os Instrumentos Musicais [ainda compro alguns]. Saindo de lá, discutimos sobre legislação de trânsito, administração municipal, cinema...
Voltei ao quarto... Leituras me aguardavam!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Lucena

Mais do que qualquer outra coisa, preciso de um retiro... Ou dele ou de uma forca, antes de ouvir sermões advirto que fiquei com a primeira opção. Segunda-feira, parto para a cidade de Lucena e espero que o clima colabore, antes de escutar outros sermões, advirto-os de que a casa fica em um lugar alto. Temos algumas caminhadas programadas na companhia de um amigo que, desde 1997, tem me acompanhado em momentos bons e ruins sem me sufocar.
Botar as idéias em ordem, carregar as baterias para enfrentar o demônio nosso de cada dia, mudar um pouco de cenário, só não será tão bom quanto na residência dos Procópio em João Pessoa, mas, por razões diversas é um passeio necessário.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Valsa

Dias oscilando entre tranquilos e caóticos, em uma inconstância oceânica. Preciso urgente de umas voltas ao longo do Epitácio Pessoa, mas, com essas chuvas, anda perigoso e a visita a Boqueirão terá que esperar. Então fico com esta cara feia, ouvindo opiniões (não pedidas) dos doutores em tudo... Em dias de paz dá para escutar a Second waltz, saboreando vinho e olhando para o nada, com a feição calma, com o coração calmo. Mas nos dias maus nada tem gosto, a incompletude da instância parece mais retumbante, então olho para dentro e o que agrada é pouco.
O fato é que preciso me desligar um pouco de tudo que me perturba, bem, assim, busco o choque de gestão!
Peço a Deus que cheguem meus dias de valsa, que as coisas passem a caminhar no ritmo de uma orquestra e que, ao invés de Очи чёрные, minha música tema possa ser a bela Second Waltz (Ah, como eu sonho em dançá-la)...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Desencontro

Se foi, olhando para trás
Como quem queria ficar...
Calou-se, com os lábios trêmulos
como quem queria falar!
Despediu-se, enfim, segura
como quem quer voltar!

sábado, 9 de julho de 2011

Deu errado, deu certo

É chuva que não se acaba mais... Passei a levar um estilo de vida mais calmo, o que me mantém mais tempo em casa e me permite a contemplação de certas coisas... Hoje fugi da clausura, fui ao Teatro ver o encerramento do Festival, devido a grande demanda não consegui lugar na plateia, mesmo chegando com uma hora de antecedência. O jeito foi apelar para o bom e velho cinema, o único filme que batia com o meu horário era o filme do Jim Carrey, Os pinguins do Papai, confesso que me distrai em dois ou três momentos do filme, mas se você precisa de algo leve para assistir, ou busca o deleite pelo deleite (e não tiver nada melhor pra fazer com seu dinheiro) recomendo...No caminho ainda vi uma cena de crime, carros de polícia e do IML já estavam no local... se eu fosse jornalista...
Nestes intervalos tomei umas três chuvas em momentos distintos que, somadas a de ontem, criam uma grande possibilidade de gripe. É bom aproveitar enquanto estou de férias, brincadeira, não posso ficar doente agora, tenho duas mil coisas para colocar em ordem, nas quais arrolo o concurso de amanhã. Viajo às 06:00 para fazer uma prova às 08:00, vou com o ânimo oscilando entre ceticismo e otimismo, enfim, sei da dificuldade da missão, mas, como quem morre de véspera é peru de Natal, vou-me! E seja o que Deus e a Exames e Consultoria quiserem.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vida e Catárse

Hoje os jornais me trouxeram péssimas notícias, evito comentá-las para fugir dos sermões ortodoxos dizendo que “Deus agirá no momento certo” ou coisas do gênero... O fato desanimador é que quando se imagina que a vida não pode piorar ela piora, quando se pensa que a única coisa que o acaso tem a fazer é oferecer-lhe a mão, ele arremessa a última pá de terra. Como se não bastassem todas as outras coisas dando errado, tenho que lidar com mais esta.
Ou me suicido ou tento me distrair com a arte, ontem fui ao Teatro Municipal Severino Cabral, ainda não havia entrado no mesmo após a reforma. Dois fatos me chamaram atenção: 1 – Porque a reforma durou quase dois anos? 2 – Após dois anos de reforma ainda somos a 5ª melhor acústica do país? Fora isso, o teatro se encontra estruturalmente bom e a cultura da cidade agradece.
Sobre o emergente público campinense de música erudita fiz observações importantes. Dispomos de um público heterogêneo. Pude ver menininhas de All Star e senhores agasalhados, vi – também – muitos casais de diferentes faixas de idade. Nosso público, embora numeroso, ainda não sabe se comportar em eventos desta natureza e não falo de convenções que regem os grandes espetáculos, mas do básico... Entretanto, penso que estamos no caminho.
Os gregos sabiam o que estavam fazendo quando criaram o teatro para tirar um pouco do peso da existência, passei horas mágicas ao som de belíssimas peças de Liszt e outros executadas ao piano e às cordas friccionadas com arco... Lamento profundamente não poder passar esses meus dias no teatro...

terça-feira, 5 de julho de 2011

E haja fôlego

Em meio a uma série de chuvas, encerram-se os festejos juninos a Rainha da Borborema, festejos marcados por polêmicas envolvendo os virtuais candidatos ao Palácio da Redenção em 2014 [Eles antecipam mesmo as coisas]... Saio deste São João com um saldo considerável por razões diversas que, certamente, não interessam ao leitor... Os eventos em Campina Grande não param, ontem teve início à segunda edição do Festival Internacional de Música, este ano no Teatro Severino Cabral [já que a reforma durou quase dois anos]. Ainda em Julho teremos o Festival de Inverno que, este ano, deve melhorar incomensuravelmente já que reabriram o teatro e sua coordenadora, Eneida Agra Maracajá, assumiu a secretaria de cultura do Município.
Uma série de projetos me impede de viver a plenitude de tais eventos, que – diga-se de passagem – tanto gosto, espero que o futuro me diga que valeu a pena renunciá-los. Ansioso pelo fim das férias e, ao mesmo tempo, feliz pelas mesmas... Isso é possível? Ou é ou estou perdendo o pouco de juízo que me resta...

Era deus

Era deus e, há muito, não chovia
Chegou, trouxe consigo a tempestade
Encheu os campos de felicidade
E a terra, outrora estéril, produzia

Era avatar, e os dias eram maus
Chegou, trouxe consigo a liberdade
Mudou praças, hotéis – enfim – cidade
Pôs fim a um ciclo de medo e caos

Novo tempo se instala e a esperança
Dos que antes não criam na mudança
Renova tudo e, contudo, um dia

A su’atra natureza de deus
A leva daqui pra junto dos seus
E voltam a seca, o caos, a agonia!