quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cena II

Sete e meia, oito horas
Maquiagem discreta, olhos indiscretos
Palavras? Sem palavras, cem palavras
Bocas que não se tocavam, tristonhas
Promessas inteiras feitas em gestos,
Porém, passos em direções contrárias,
Fazem subir legendas!

Arquisonho

...acordou em aposentos que não eram os seus, contido por braços que nunca o contiveram antes... Tomaram café se entreolhando, criando mil prelúdios a cada gole, a cada olhar... Carinhos de irmãos, carícias de amantes, banho quente... E ele acorda só, desta vez de verdade.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sobre o Amigão e as Privatizações

Há anos os torcedores paraibanos aguardam por um estacionamento descente no Estádio Governador Ernani Sátyro: O Amigão. Imagino que este tipo de investimento não seja prioritário quando temos graves problemas de saúde e de educação aguardando solução. Este fato faz levantar duas questões importantes: 1ª Porque odiamos a idéia de privatização? 2ª Porque elas seriam uma solução viável para os problemas estruturais dos nossos estádios?


O Governo FHC, dentre outras coisas foi marcado pelo alto número de privatizações. Seus opositores, sob os brados ensurdecedores de que “estão vendendo nossas riquezas” ou “estão ‘dando’ o patrimônio nacional a grupos estrangeiros comprometendo nossa soberania”, convenceram a população de que as privatizações eram atitudes antinacionalistas. Alguns destes, sem perceber, viram a Vale do Rio Doce tornar-se uma das maiores empresas do mundo e, é claro, tem acesso a mais de uma linha de telefone celular, algo impensável antes das privatizações. Este processo significa a modernização do Estado, tanto que o ex-presidente Lula, que se elegeu com um discurso contra esta prática, privatizou cerca de 2,6 mil quilômetros de rodovias federais, sem falar nas concessões no setor energético, de ferrovias etc.


Com a aproximação da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 começam a se especular outras privatizações, a dos aeroportos e a dos estádios. O primeiro deles é o Maracanã. O Governador já anunciou sua privatização para depois das reformas [isso mesmo, reformar com dinheiro público e entregar sua administração ao setor privado], sem nos aprofundarmos no mérito da questão, podemos refletir: Independente de competições internacionais, nosso Amigão não estaria bem guardado nas mãos de empresários?
Não me importaria em gastar R$ 5,00 a mais na entrada se fosse garantida segurança e estacionamentos de qualidade. Os times, certamente protestariam contra a “divisão” dos recursos, entretanto se o espetáculo não é elaborado pensando no público, perde a razão de ser. No passo que estamos, nossa população ainda demorará para compreender as vantagens de uma privatização a ponto dos governos a perceberem a viabilidade de seu debate. Por hora, estacionemos na lama e nos arrisquemos pela paixão ao esporte.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Imposto sobre a Maconha

A relação entre tráfico e a liberação das drogas culturais faz levantar uma questão interessante. Como disse na postagem anterior o tráfico não será exterminado com a liberação da maconha, assim como ocorre com o tabaco.
Entretanto, mesmo com o tráfico exorbitante em nossas fronteiras (e mesmo com toda uma campanha que é feita contra o fumo) a Souza Cruz é uma das empresas que mais pagam impostos ao Governo.
Embora não acabe com o tráfico, a descriminalização da Maconha geraria receita para o Estado, receita esta que hoje é arrecadada cem por cento pelo tráfico. O imposto sobre a maconha poderia, por exemplo, financiar o modelo de narcossalas aplicado com sucesso em tantos países e que poderia ser mais eficaz do que a propaganda institucional contra as drogas.
Independente deste debate os usuários da erva vão continuar fumando. Que o dinheiro venha para comprar armas para o exercito, não para o crime!