quinta-feira, 17 de março de 2011

Poetrix (Canceroso)

Um dia encontrarei forças e confessarei todos os meus pecados...
Minutos depois morrerei, magro, pálido
e em paz!

segunda-feira, 14 de março de 2011

ying-yang

Penso que estou sendo vitimado pelo mais implacável de todos os algozes. O tempo. Minha paciência aos poucos está ficando mais curta. Não diria que estou me tornando uma pessoa má, mas é visível que sou menos-bom. Orgulho-me disso? Claro que não! Desespero-me? Menos ainda, essas coisas acontecem, nas Palavras de Augusto dos Anjos: “É Natural que este Hércles se estorça e que tombe, para sempre, nessas lutas. Estrangulado pelas rodas brutas do mecanismo que tiver mais força”. Duras palavras? Talvez, mas nem por isso irreais. Por hora luto contra mim mesmo para manter a essência, aquilo que há de mais André em mim, entretanto aos poucos perco a pretensão de ser deus e de desequilibrar o meu ying-yang.

sábado, 12 de março de 2011

Anacronia

Aos amigos Thiago Leão e Carlitos de Andrade

Tudo que sei é que você chegou
Não disse “oi”
Depois se foi, não disse “adeus”.
E agora não sei calcular
Quanto de você deveras voltou
Quanto de mim já se perdeu
Nunca mais as frases que não foram ditas
serão ditas...
E mesmo que o sejam, já não somos os mesmos!
[onde estou eu adolescente?]
Sinto falta do que não fui, do que não foi,
do que eu fui,
do que se foi!

Insônia II

Hoje minha insônia tem motivação egoísta. Pensando bem, que insônia não é narcisista? Uns dormem mal por acharem que mereciam um momento financeiro melhor, outros por pensarem merecer uma saúde mais constante... Penso como Mathias Aires, se soubéssemos as verdadeiras razões que moveram os grandes feitos não os consideraríamos grandes. Pois “Todos os grandes empreendimentos são movidos por razões mesquinhas”. Aires cita o grande Aquiles, protagonista da narrativa homérica sobre a Guerra de Tróia, mas que, na verdade atravessou o oceano somente em busca de glória e, depois, movido pelo ódio e pelo desejo de vingança venceu um combate contra Ector... Enfim, certamente fico acordado por não ser um deus ou coisa parecida, fico acordado por minha palavra não ser lei. O contista Taciano Valério diz que “mais valioso do que o ouro é o opróbrio de uma vida sã”... Bem, fico sonhando acordado com o dia em que receberei ao menos um dos dois!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Insônia I

Hoje queria escrever sobre o que sinto, mas pareço engasgado. Incapaz de traduzir para um código inteligível a sintaxe de minha alma. O bumerangue foi e voltou em minha testa, desnorteado [desnorteado: uma palavra interessante, afinal, roubaram, de fato, minha bússola. Para que lado fica o Norte?]... Como dominar a sintaxe da alma? Por hora dormir estava de bom tamanho, mas como dormir sabendo que acordaremos em um mesmo cenário onde a comédia de nossas vidas se desenrola? Se pensássemos na situação humana com mais seriedade dificilmente dormiríamos. Enfim, roubando a idéia de Renato Russo, “se minha voz fosse igual a angustia que sinto, meu grito acordaria a vizinhança inteira”... Por hora, sonho acordado com o céu que nunca será meu.

Quando?

Morte dura, dor sem cura
Noite escura que se fez
Frio dentro do coração
No peito a interrogação:
Quando será minha vez?