quarta-feira, 30 de julho de 2008

Festival de Inverno

Muitos dizem que o teatro nasceu na Grécia, mas, muito antes dos gregos, a senhora Eneida Agra Maracajá já organizava seus espetáculos artísticos. Brincadeiras à parte esta notável dama paraibana tem sido de uma importância fundamental para o desenvolvimento da arte local. A prova mais visível desta relação é o Festival de Inverno [criado e organizado pela mesma] que na sua 33ª edição leva pessoas das mais variadas faixas etárias aos locais de apresentação ou como disse uma colega da universidade, dá à Campina Grande dez dias gratuitos de arte. Fui à abertura e vi um belíssimo espetáculo de dança, fora isso peças teatrais, exibições de curtas e muita música. Os espetáculos musicais acontecem à noite na Praça da Bandeira, até agora assisti os Shows de Mundo Livre S/A, que junto com Chico Science e a nação Zumbi idealizaram o movimento Maguebeat [sobre o qual escreverei depois] e da banda paraibana Cabruêra que já é quase indispensável ao evento, contando com dezenas de admiradores. As expectativas agora se voltam para a apresentação do grupo Teatro Mágico e para o encerramento com Cordel do Fogo Encantado, se meu humor deixar marcarei presença. Enfim parabéns à dona Eneida e parabéns à Campina Grande. Ano que vem estaremos lá novamente.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ave César

Poucas vezes na vida um homem se sente um César. Principalmente quando não se tem a auto-estima em níveis normais [uma pessoa dita normal sente-se no máximo um Marcos Antônio]. Mas hoje tive meu momento de César, ao sair do Banco Real, quando fui ao Calçadão da Cardoso Vieira, e, sentado em um de seus bancos observava os passantes [certamente meus súditos] e um rapaz engraxava os meus sapatos. Não me via melhor que ele em nada, inclusive acredito que ele tinha mais dinheiro no bolso do que eu, mas alguma interferência cósmica fez com que ele fosse o prestador e eu o contratador do serviço. Sem contar que em tal serviço, enquanto o clieente [ou César] fica sentado [em seu trono], o trabalhador [ou servo] executa sua tarefa, prostrado, lembrando os costumes feudais. Durante dez ou quinze minutos tive meu momento Caio Júlio César, mas temendo que o senado me assassinasse, resolvi voltar a mim e pagar os merecidos três reais do rapaz e saí de lá com os sapatos brilhando e com o ego novamente contraído.

domingo, 6 de julho de 2008

Pegaram o Pombo

Três eventos ocorrem todo ano: mortes de torcedores em campeonatos de futebol [talvez para relembrar os mortos nas arenas romanas], enchentes em São Paulo [Como uma forma de relembrar, talvez, o dilúvio noêmico] e greve dos Correios [Quem sabe, para celebrar... O aniversário de uma greve que nunca se acaba, apenas cochila]. A que mais me perturba é esta última, visto que parte de minha vida é resolvida por correspondência [não se preocupem, não utilizo os correios para tirar carteira de habilitação, se trata de encomendas]. Acredito que os negociantes dos termos de fim de greve são incompetentes, pois sempre deixam uma lacuna grande o suficiente para motivar a greve do ano subseqüente, a greve dos Correios já deveria fazer parte do calendário nacional de eventos. Se tal órgão houvesse sido privatizado duvido que passássemos por tal transtorno [Louco é quem diz isso perto de uma das agencias credenciadas].
O engraçado é ouvir o sindicalista protestar contra a corrupção, os mensaleiros a desmoralização de legislativo... [com o tempo ele protestará contra o aumento da SELIC, contra os uniformes dos agentes de limpeza, contra o regime Talibã, contra a Noite de São Bartolomeu...] Na verdade ele deveria, nesses termos, propor uma terceira revolução ditatorial. Com representantes deste quilate, o que temos a esperar são greves, anuais.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Intensos

Acaba-se o São João [deste tenho excelentes lembranças], e agora? Como as pessoas esquecerão de sua miséria? Que trabalham quatro meses por ano para pagar impostos que são mal aplicados? As pequenas efemeridades desta vida tornam o duradouro suportável uma vez que desvia um pouco nossa mente dele, mas o efêmero dissipa-se com a mesma velocidade que chega e o que nos resta é a mísera constância, ou como diria o poeta Taciano Valério “o opróbrio de uma vida sã”.
Ah, temos ainda este ano o prelo político, que ao invés de fazer com que pensemos sobre a constância, nos oferece, em troca de nossos votos, o efêmero. Depois disso, é encher a cara no reveillon, fazer promessas de iniciar uma dieta, trocar de emprego, trocar de carro, trocar de móveis, trocar de cônjuge e aproveitar o momento, vivemos numa sociedade que talvez nem saiba quem é Horácio e que quando fala em Carpe Dien se refere a uma marca de perfume, mas vive como se não houvesse amanhã, não pelo prazer de viver os segundos, mas pelo medo de pensar no tempo vindouro, então empurremos com a barriga e deixemos tudo para o ano que vem, afinal para que sair do planejamento? Que nos venham as festas e que esqueçamos nossa miséria, os impostos e de nosso famigerado futuro...

Cíclo

Creio que estou começando a relaxar agora, tive um final de semana meio atípico, fui a Recife, fazer as provas da Caixa Econômica Federal, fora os três ônibus que quebraram nada aconteceu de esdrúxulo... Hoje finalmente sei o que querem dizer férias acadêmicas, se bem que minha pesquisa os estudos para outros concursos em pauta [e a falta de recursos para uma viajem decente] não permitem que os músculos do trapézio se descontraiam. O gozado é que não é um investimento de retorno certo, se não fizer isso provavelmente serei mais um que se acotovelam nas filas do Bolsa-renda daqui há alguns anos, mas por um outro lado se tudo isso der, circunstancialmente, errado irei para tal fila. Maquiavel disse que a preparação sem a oportunidade é tão inútil quanto a oportunidade sem a preparação, então vou me preparando para agarrar a oportunidade, mesmo sem saber se a mesma passará. O que tenho a perder além da juventude? Dos melhores anos de minha vida? Do apogeu de minhas forças? Enfim, Juntemos dinheiro para comprar os remédios da velhice...