sábado, 21 de junho de 2008

Quem me dera ao menos uma vez...



Se nada der certo na minha vida eu, aproveitando os cabelos lisos e o sangue de minha avó paterna, me tornarei índio. Não, somente, pelo que diz a Rita Lee: “Viver pelado, pintado de verde, num eterno domingo, ser um bicho preguiça, espantar turista e tomar banho de sol”. Mas por ser tratado como o filho mais novo.
Ou seja, ter carta-branca para fazer besteiras, sem licitações, e ter a certeza da impunidade, sempre ouvindo: “Ah, mas o pobrezinho é só um... Índio”!
O que devem pensar a esse respeito os familiares de Ulisses Stefani, assassinado por índios em uma disputa de terras? O que devem pensar disso os familiares dos quatro mortos no Tocantins, assassinados por índios ao tentar recuperar um trator que aqueles haviam roubado?
Só está faltando mesmo o nosso brilhante governo criar o Bolsa-índio e Quotas para índios nas universidades públicas, dias atrás estive falando dos índios que atacaram o engenheiro da ELETROBRAS com facões, e o pior, a policia teve que permitir que os mesmos entrassem na palestra armados de facões, pois “o facão faz parte da cultura indígena”... Sendo assim, solicito aos índios que vão a uma audiência publica do Senado Federal armados de facões. Questionaria se os celulares que alguns deles andam fazem parte também da cultura indígena. Nada contra os índios, nem teria razão para tal, uma vez que sou neto de uma índia, mas tudo contra a violência desnecessária, tudo contra a impunidade, tudo contra passar a mão na cabeça de quem quer que esteja errado...
Não tenho certeza se terminarei meu curso, nem se meus investimentos darão certo, caso nada dê certo, procurarei uma tribo que me aceite.

Curta I

Ontem fui ao centro da cidade resolver umas coisas de minha mãe [ônus de ser o filho mais novo] e encontrei um amigo na porta do Hospital da Clipse:

- Tudo bem? – Perguntei eu
Ao que ele respondeu – Estou sim!
- Tens aproveitado o São João? – Insisti
- Homem, não me fale em São João para que eu não tenha raiva!
- O que houve? Casasse?
Disse ele – Você está louco, é só uma cirrose!

Agora pensarei duas vezes antes de casar [ou de ingerir álcool em demasia].

sexta-feira, 20 de junho de 2008

São João I

Sábado [amanhã fará oito dias] fui ao Parque do Povo acompanhado de meu amigo Thiago Leão, afinal é sempre bom distrair-se, encontrei alguns conhecidos [algumas meninas da faculdade passam por uma metamorfose ao tirar a farda], conheci algumas pessoas, amadureci algumas idéias [geralmente elas ficam podres antes que eu as execute]...
Paramos alguns instantes no quiosque do Tenebra onde ao som de Maracatu víamos as meninas que passavam... Enfim chaga a hora de voltar para casa. E o que tenho de novo? Dois números de telefone e um par de olheiras. Mas cá entre nós é bem melhor do que ficar em casa alimentando certas lembranças e pensamentos [hoje é Zé Ramalho e a prova final de LET 1].

terça-feira, 17 de junho de 2008

Café da Manhã

Hoje pela manhã saí para tomar meu café, na cabeça, as provas finais e o trabalho de Lingüística, meus passos, geralmente rápidos, eram diminuídos pela lentidão com que as pessoas desfilam no centro da cidade, a chuva nem caia com uma freqüência que justificasse a abertura de meu enorme guarda-chuva, nem me dava uma trégua, parando só quando eu me encontrava no Calçadão da Cardoso Vieira. Lá dezenas de engraxates saltaram sobre mim [porque sair de sapato social?], exércitos de vendedores de celular [que não recolhem impostos] vieram ao meu encontro, assim como meia dúzia de mendigos, ébrios e doidos.
Enquanto tomava meu café ouvia as conversas e acompanhava o movimento: Torcedores do Sport Recife iam à forra com os torcedores do Corinthias, prosélitos do governador atacavam o prefeito e o contrário também, o doido que canta requiem [pasmem, em campina tem mesmo isso] passou entoando seu belíssimo canto... E eu ouvindo tudo, remoendo meus problemas e imaginando se de fato eles não estavam certos e eu errado.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Seis Anos

Hoje fazem seis anos da morte de meu avô. É difícil não pensar nisso, uma vez que Seu Pedro sempre foi uma pessoa marcante. Ele era um homem de extremos, tanto as alegrias quanto às tristezas eram vividas na plenitude, o que em parte o envivecia, em parte o matava.
Sempre ouço histórias do jovem boêmio, do homem empreendedor, do ser de bom coração que ajudou pessoas, do líder, enfim de uma pessoa com virtudes e defeitos como qualquer outra, porém as virtudes a que me referi tornam-no imortal.
Espero ter a disposição para levar a diante o seu legado de trabalho e honradez [porque não o da boemia também].
Enfim, enquanto eu estiver vivo, não deixarei que seu nome seja esquecido, para que se saiba que vale a pena ter caráter.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Neo-liberalismo II

Esses dias, estive lembrando de uma leitura que fiz há alguns anos [meu cérebro funciona assim], lembrava de Utopia do Thomas More e de Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado do Friedrich Engels. E tentava imaginar uma sociedade comunista [não estou afirmando que tais livros são comunistas, mas vai dizer que não parece?]. Será que no mundo atual seria possível, como queria Rousseaul, castrar a vontade pessoal em favor da coletiva? Penso que não! Muito mais racional me parece a proposta do Addam Smith:

"Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter”.

Talvez pensando nisso, vantagens que podem obter, os paises “neo-comunistas” promovam uma verdadeira orgia com as contas públicas a exemplo do Chavez que vende petróleo abaixo do preço de mercado para seus pseudo-aliados, e, pasmem, doando dinheiro para o carnaval carioca.
Às vezes fico imaginando o estado pesado de Getúlio Vargas, será que todas aquelas empresas realmente faziam bem para o Estado? [Pelo menos o presidente tinha onde empregar seus correligionários]. O Totalitarismo era uma das principais características do Nazi-fascismo, situação esta que veio a ser modernizada com a passagem das estatais para a iniciativa privada. Esta, pensando nas “vantagens que eles podiam obter”, ofereciam serviços de qualidade, coisa que o Estado “em nome do bem comum” não fazia.
Não tenho intenção de desconstruir uma doutrina, mas na minha opinião o sonho Comunista é muito bonito, mas prefiro a realidade capitalista.

domingo, 1 de junho de 2008

Neo-liberalismo I

Sempre que se fala em Neo-liberalismo a primeira coisa que vem a cabeça é aquele demônio draconiano pregado na campanha contra FHC. Mas se olharmos com isenção veremos que o Leviatã não é tão assustador assim. O problema, no Brasil, não foram privatizações, mas a forma com que foram feitas. Vejamos o exemplo da Companhia Vale do Rio Doce que após a privatização é a maior produtora de ferro e níquel do Mundo, antes um cabide de emprego para correligionários dos detentores do poder, hoje uma referencia mundial. E as empresas telefônicas? Lembro que meu avô comprou um celular por uma fortuna, era status social, ele andava todo orgulhoso com aquele aparelho [menos discreto do que algumas armas] pendurado na cintura. Após a privatização qualquer ser pode possuir um celular [alguns acham pouco e possuem mais de um]. Uma pessoa certa vez me disse que a tecnologia ia chegar a todos de todo jeito mesmo, com ou sem as privatizações. Como minha bola de cristal está quebrada não dá para saber se isso é verossímil ou não. Mas fico imaginando, para que uma empresa monopolista e estatal iria se preocupar em melhorar seus serviços e barateá-los?
Com os grandes monopólios a livre-competição inexiste. Com a burocracia que é para se estabelecer enquanto iniciativa privada, a livre-iniciativa é só teoria. E sem livre-iniciativa e livre-concorrência não existe o neo-liberalismo.
As PPP’s [parcerias público-privadas] deveriam agregar a abrangência e gratuidade do setor público e a eficiência e qualidade do setor privado. Seria excelente se não fosse utilizada para driblar a lei de responsabilidade fiscal.
Enfim, o estado totalitário é pesado e retrógrado, mas moderniza-lo como fizeram no Brasil se torna oneroso. O problema sempre é o Brasil não é? Como disse um poeta punk na praça Clementino Procópio: "Este é o Brasil país do futebol, praia, bunda, samba e sol".