terça-feira, 25 de março de 2008

Cataclismo



Parece que as chuvas vieram umedecer de vez a terra paraibana, Cabaceiras [uma das cidades de menor índice pluviométrico do país] ficou debaixo d’água, após receber em dois dias a chuva que, em uma situação normal, não receberia durante um ano inteiro. Me chamou atenção [e de todo país] um desmoronamento em uma rodovia que conheço muito bem, a PB-148, que embora o Jornal Hoje teime em dizer que é em João Pessoa, eu afirmo, com conhecimento de causa, ser a estrada que liga Campina Grande a Queimadas, Caturité e Boqueirão, o trecho do ocorrido foi na divisa entre Caturité e Boqueirão, onde morreram a dona de casa Maria Bonfim Bezerra Silva, 36, e os filhos dela Renata Bezerra Silva, 13, Emanoel Bezerra Silva, 4, e Lucas Bezerra Silva, de apenas 11 meses. Os outros três ocupantes do carro tiveram apenas escoriações e sobreviveram.
Fontes afirmam que a ponte do distrito de Paulo de Sousa, divisa entre Caturité e Queimadas, está comprometida e há a forte possibilidade da mesma ruir.
Parece que não só os açudes sangram, mas também o coração dos parentes das vítimas imoladas pela falta de manutenção em nossas rodovias, enfim, não quero culpar ninguém, apenas registrar este fato e externar minha solidariedade a todos os direta e indiretamente atingidos por tais cataclismos.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Filha

O que faz uma pessoa desejar ter uma filha?
Sinceramente não sei, o ônus é enorme... Criar uma mulher nos dias de hoje parece mais complexo do que criar um homem. Mas um belo dia me deparei com a personagem de Érico Veríssimo, a Clarissa. E a partir de então penso muito em ter minha filha. Porque?
Não sei!


Clarissa
À minha filha ainda inconcepta

Se me amares, minha filha, se me amares
Perceberás dos meus olhares os lampejos
Cobrirás minhas mãos trêmulas de beijos
E me darás o mais puro de seus olhares

Se me amares, minha filha, se me amares
Perceberás, por tua causa, secos meus rios
Com paciência verás os meus tresvarios
Por mim, seus rios, desaguarão nos mares

Se me amares, sem tristeza e lacrimemos
Não deixarás para o meu fúnebre cortejo
O beijo grato e a oferta de flores

Pois terás feito tudo por mim, ainda em vida
Terás saudade, mas com a missão cumprida
Terás vivido, o mais lindo dos amores

quinta-feira, 13 de março de 2008

Cansaço Emocional

“Às vezes a agonia é tanta
Que rolando dos últimos degraus
O Hércules treme e vai tombar no Caos
De onde seu corpo nunca mais levanta”
(Augusto dos Anjos)

Como entender o cansaço?
Se for de ordem física, certamente um pouco de repouso tende a resolver, caso seja mental existem terapias medicamentosas, homeopáticas, fisioterapeuticas que resolvem (ou abrandam) tais canseiras. Mas e quando o homem se sente cansado sentimentalmente falando? Levando em consideração que tal moléstia altera os estados físico e mental, existiria cura para tal chaga?
Quando se sabe que não há solução para catástrofes iminentes e tudo que se tem a fazer é “das ruínas de uma casa assistir ao desmoronamento de outra casa”. Seria preciso ser um profeta para prever que um móvel, sem freios descendo uma ladeira em direção ao despenhadeiro tende a se esborrachar? Óbvio que é preciso apenas olhar e ver-se.
Padre Antônio Vieira dizia que para um homem se ver são necessários apenas visão, espelho e luz. Ou seja, somente sendo cego, estando em trevas ou não tendo espelho para não notar a frágil condição humana.
Quando vemos que tudo que cremos é frágil nossas forças se esvaem e o que fazer?
Penso que quando não se pode remediar uma chaga a única coisa a se fazer é sentir a plenitude de sua dor. O poeta Cazuza dizia que a dor esconde uma pontinha de prazer. Obvio que eu não acredito nisso, mas já que não dá para vencer o metal, sejamos como o Sândalo, arvore cheirosa, que não podendo resistir ao lenhador, perfuma o machado que o fere.
A existência terrena é algo muito pequeno, já que não podemos evitar os males que ao menos tentemos enfrenta-los com altruísmo.
De todo jeito:

“É natural que este Hercules se estorça
E que tombe para sempre nessas lutas
Estrangulado pelas rodas brutas
Do mecanismo que tiver mais força”
(Augusto dos Anjos)

sábado, 8 de março de 2008

Como seria um nazista Paraibano? [já sei a resposta dos partidarios do PMDB local]A pergunta é estranha, mas por esses dias tal existência foi comprovada. Um jovem, no interior do estado, proferiu um golpe de faca no rosto do colega de escola. E com o agressor foram encontradas mensagens de cunho Nazista, e pior, planejava um grande ataque para o dia do aniversário de seu mentor intelectual, Hitler!
Penso que ele se jacta de pertencer a raça pura [os paraibanos] e sai por aí atacando com sua Faca Peixeira todos que resistirem ao sistema que tenta implantar. Mas como sempre o país forte vence a guerra, penso que este ficará ou preso ou numa casa de repouso [eufemicamente falando] .
Será que ele chamava Hitler de Rita, ou pensava que o termo Judeu era uma acusação a alguma moça cujo apelido seria Ju ou que a suástica seria uma cruz com falta de manutenção... Agora entendo porque a igreja não gostava que certas pessoas tivessem acesso a leitura. Inda bem que um rapaz desses não teve acesso a o livro de São Cipriano, o livro Satiricom de Petrônio ou ao filme de Dr. Hannibal Lecter.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Tristeza

O que falar a respeito da tristeza?
È complexo dar definições a respeito de algo tão subjetivo, Renato Russo nos dá uma prova desta impossibilidade de definição: “Disseste que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira”. Augusto dos Anjos foi clássico ao dizer: “O quadro de aflições que me consomem, o próprio Pedro Américo não pinta, para pintar era preciso a tinta feita de todos os tormentos do homem”. Como definir o indefinível? Talvez com o grau de subjetividade de um poeta triste seja possível.
Imagine a agonia de estar amarrado á beira do mar no horário em que a maré sobe, imagine-se sangrando pelos poros e nada podendo fazer para estancar a hemorragia você torce e estica os braços de agonia deitado como o Homem Vitruviano. E mesmo assim não consegue externar tal dor. As lágrimas nos olhos são como as larvas vulcânicas, embora quentes a escorrer pela face são apenas a parte pequena do tectonismo. Pois o furor, e as temperaturas mais altas ficam escondidas, castigando o interior terreno.
Queres saber o que é tristeza?
Tomara que nunca saibas, pois só se sabe sentindo.